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À Juventude Que Não Desafia

Atualizado: 23 de Ago de 2019

A juventude há muito não incomoda. Não é mais rebelde, não é mais criativa, não questiona mais, ao menos não profundamente. Acharam um jeito de nos inebriar, como se espalhassem por aí uma névoa da droga "soma" d'O Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

Essa nova juventude, pelas condições materiais, é uma juventude que já nasce "dobrada" pela dominação capitalista. Não completam 20 anos e já desistiram do mundo. Claro, não desistiram completamente, porque para o status quo, blindado pela ideologia burguesa, a desistência absoluta seria um prejuízo, faria com que a produtividade geral caísse. Desistimos é uns dos outros, desistimos das utopias, queremos no máximo fazer uma "contenção de danos". Tornamo-nos individualistas, por um lado, porque cremos que as soluções das questões encontram-se no âmbito individual. Ingenuamente achamos que podemos parar o machismo e a escravidão tratando nossas amigas com respeito e boicotando empresas escravistas. Convenientemente para quem manda no mundo, abrimos mão de um projeto societário em que nem a escravidão nem o sexismo façam sentido. Por outro lado, porém, o indivíduo talvez se encontre mais esmagado do que nunca. As tecnologias de padronização do pensamento, como as redes sociais, nos engendram uma ansiedade por aceitação assustadora.

Abdicamos do espírito revolucionário. Ser "moderado" tornou-se mais importante do que estar certo, e para alguns até automaticamente igual a estar certo. Queremos moderação até no que devemos ser intransigentes como na defesa do direito à humanidade. Os fascistas, em suas várias formas, estão progredindo no mundo inteiro também pelo que chamamos de "flexibilidade", mas que deveríamos chamar de "frouxidão". E nem para liberais temos servido. Porque defendemos o direito a fumar maconha não por termos o direito de fazermos o que bem entendermos com nossos corpos, mas porque assistimos a um vídeo do BuzzFeed que diz que fumar maconha faz bem.

Nossas discussões se dão sempre nessa tônica morna, que expõe nossa incapacidade de resistir às distopias neoliberais que nos impõem entre o douramento da pílula e o estalar de chicotes. Nessas últimas eleições pudemos perceber bem como pensa a juventude que fracassou em ser jovem. Cada um com o seu voto miserável procurava se mostrar menos ofensivo ao estado das coisas. Estabeleciam-se dois polos arbitrariamente, como Bolsonaro e PSOL, por exemplo, e assim justificava-se o voto em alguma figura asquerosa como Meirelles ou Marina Silva, por eles serem "moderados". Me diz lá se isso é voto de jovem que se respeite, que esteja cumprindo seu papel? Votar em alguém porque esse alguém não vai mudar nada? Enlouqueceram!?

Não está tudo perdido, entretanto. Eu quero convidar os meus companheiros jovens a sermos outra vez perigosos, criativos, relevantes. Quero convidar cada jovem a desafiar o sistema. A época em que o hedonismo desafiava os poderes estabelecidos há muito já passou. Hoje eles nos querem andando na linha, entre as ameaças de repressão e as promessas de prazer. Vamos desligar um pouco a Netflix ou pelo menos chamá-la pelo seu nome: alienação, ideologia burguesa. Vamos pensar o aqui e o agora, trabalhar por um pensamento jovem e brasileiro, como deve ser cada um de nós, jovem e brasileiro. Ler, estudar, construir poder para pôr abaixo a ordem estabelecida, isso sim assusta gente que não presta. Vamos pôr pra correr Bolsonaro e quem paga suas contas.

por Gustavo Kafruni

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