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A grande Israel e o Estado-nação sem fronteiras

Por Denis José Chaves*



Poderíamos definir país de uma maneira muito simplória como um pedaço de terra cercado de fronteiras, de uma forma geral, fronteiras não naturais. O chamado Israel é um território que aspira converter-se na grande “terra de Israel” que se estenderia do Nilo até o Eufrates (algo que os árabes não concordariam) que se conecta com o golfo pérsico. Podemos imaginar o quão desastroso seria a expansão desse estado até a Ásia ocidental e norte da áfrica.


Na Israel dos textos bíblicos, que fique bem claro, não estavam incluídas Jerusalém, Hebron e Belém (terras da Palestina), mas apenas a Samaria e regiões muito próximas, pois nunca existiu um reino unido que abraçasse a Judeia e Israel antigos. Aliás, Jerusalém estava localizada na judeia e não nas terras do reino de Israel. 2Cr (34,7) diz: “ele andou por toda a terra de Israel , derrubando os altares da deusa Asherah e outros ídolos, esmigalhando-os até virarem pó e quebrando todos os altares de incenso. Então ele voltou a Jerusalém . Vale destacar que Davi governou num local conhecido como Canaã ou Judeia, mas não governou a tal da “Terra de Israel”.


É importante lembrar que as chamadas tribos de Israel não eram todas tribos judaicas, mas que sofriam influencia da Judeia, pois viviam judeus em toda a região, porém não eram a maioria em toda parte. Podemos dizer que: todo judeu era um Israelita, mas nem todo Israelita era judeu. A Abrãao pai da fé judaico-cristã foi dito por Deus em (Gn 12,7): “Darei esta terra a tua posteridade e em (Gn 17,8): E eu darei a você e a sua descendência depois de você a terra de suas peregrinações, toda a terra de Canãa, como uma propriedade eterna”. Depois, no início do Evangelho de Mateus há uma citação da genealogia de Jesus que seria o descendente de Abrãao. Na carta de Paulo aos Gálatas (3,16) temos: Ora, as promessas foram ditas a Abrãao e a sua descendência. Não está dito a suas descendências, como referência a muitas, mas trata-se de uma só: “e tua descendência” que é Cristo.


Paulo enfatiza em (Gl 4, 22-31): "A Escritura diz que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. O da escrava, filho da natureza; e o da livre, filho da promessa. Nestes fatos há uma alegoria, visto que aquelas mulheres representam as duas alianças: uma, a do monte Sinai, que gera para a escravidão, é Agar (O monte Sinai que está na Arábia) e corresponde à Jerusalém atual, que é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém lá do alto é livre e esta é a nossa mãe, porque está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não davas à luz; rejubila e canta, tu que não tinhas dores de parto, pois são mais numerosos os filhos da abandonada do que daquela que tem marido (Is 54,1). Como Isaac, irmãos, vós sois filhos da promessa. Como naquele tempo o filho da natureza perseguia o filho da promessa, o mesmo se dá hoje. Que diz, porém, a Escritura? Lança fora a escrava e seu filho, porque o filho da escrava não será herdeiro com o filho da livre. Pelo que, irmãos, não somos filhos da escrava, mas sim da que é livre."


No conteúdo bíblico exposto acima, que é professado por cristãos romanos e orientais, não há herança alguma de terra para os Judeus, pois Jesus é o descendente de Abraão e depois dele vem uma nova e eterna aliança. Como eu já havia escrito antes, a Jerusalém ou cidade de Deus seria algo metafísico, espiritual, num outro plano e a igreja agora seria a nova Israel.


No entanto, a pseudoteologia sionista com suporte evangélico dá um novo passo. Há pouco tempo atrás, o atual governo americano regido e influenciado por uma corrente fundamentalista neopentecostal tentando favorecer seu protegido e vassalo estado de Israel, ataca com especial assanho o direito de autodeterminação do povo Palestino com o famigerado “Deal of the century”. O chamado “Acordo do Século” criticado pela comunidade internacional, reuniu os representantes estadunidenses e israelenses para para negociar algo que não lhes pertence e sem o consentimento de nenhum palestino.


Como se fosse pouco o abuso, e ferindo um dos princípios fundamentais dos direitos humanos, o famigerado acordo fere a soberania da Síria entregando as colinas de Golã a Israel, pede o desarme do HAMAS e desmilitarização de Gaza, a paralisação da construção dos assentamentos israelenses na Palestina por 4 anos, mas sem a devolução das terras já usurpadas, e mais constrangedor, a negação do direito de regresso e as devidas indenizações aos refugiados palestinos.


É perturbador imaginar que Israel poderia mediante um acordo e com respaldo de grandes potencias anexar: Golã, o vale do Jordão, e todos os territórios na Cisjordânia que já possuem assentamentos. Além de: negar o direito de retorno e indenização a população nativa do local e ainda continuar expandindo suas inexistentes fronteiras justificando sua política neocolonial na região com uma pseudoteologia criada por evangélicos e sionistas laicos.



*Denis José Chaves é educador físico e estudioso da questão Israel/Palestina

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