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A luta de Koba contra burocratas.

Atualizado: Fev 12

Muito se diz que Stalin corroborou com o burocratismo no seio do partido Bolchevique, se acusa de maneira rasa do seu controle colocando-o no patamar de um deus que paira o partido, nós comunistas sabemos da falácia que é essa acusação e essa visão muito derivada do período de desestalinização de Kruchev e da oposição trotskista.

Stalin se manteve enquanto um ativo crítico dessa visão que crescia no partido ocasionando em certo descolamento das massas, Stalin se opunha como no trecho:

«Como se explicam estes factos vergonhosos de depravação e decadência morais nalguns escalões das nossas organizações do Partido? Pela circunstância de terem levado o monopólio do Partido até ao absurdo, de terem abafado a voz das bases, suprimido a democracia no interior do Partido e implantado o burocratismo. (…) Penso que não há nem pode haver outro meio de lutar contra este mal à excepção da organização do controlo das massas do Partido a partir da base, à excepção da implantação da democracia no interior do Partido. Que poderemos objectar a que se mobilize a fúria das massas do Partido contra estes elementos dissolutos e lhes seja dada a possibilidade de escorraçar tais elementos? (…)
«Fala-se da crítica a partir de cima, da crítica por parte da Inspecção Operária e Camponesa, por parte do Comité Central do Partido, etc. É claro que tudo isto está bem. (…). Mas o principal agora é levantar uma larguíssima vaga de crítica a partir da base contra o burocratismo em geral e, em particular, contra as insuficiências do nosso trabalho. (… ) Só organizando uma pressão dupla, de cima e de baixo, só transferindo o centro de gravidade para a crítica, a partir da base, se poderá contar com o sucesso na luta e com a eliminação do burocratismo.»

Se mostra de maneira clara e evidente seu descontentamento com os rumos do partido, como a burocratização afasta o partido do seio da massa, das suas bases e se torna um grupo de dirigentes. Colocar Stalin enquanto um burocrata, apoiador do partido e não da revolução, se mostra um desconhecimento histórico da sua luta, luta essa que pode não ter sido eficaz mas não houve apoio à classe dos burocratas, Stalin não detinha todo poder do partido para realizar as mudanças, mas se mostrou, lutou e exemplificou os problemas dessa dirigência que surgiu dentro do partido.


Com isso podemos ver que é evidente o descontentamento de Stalin quanto ao burocratismo e o quão falacioso é colocá-lo como um burocrata, antes de nos posicionarmos de maneira rasa devemos entender a função exercida por cada membro do estado soviético para não cairmos em falaácias anticomunistas.


Por fim, mais alguns trechos do livro Stalin: um novo olhar, do Ludo Martens:

A luta pela democracia revolucionária
Para pôr fim ao burocratismo, a direcção empenhou-se na luta pela democracia no seio do Partido. Foi na base das dificuldades encontradas para aplicar as directivas durante a campanha de depuração que, em 17 de Dezembro de 1934, o Comité Central coloca pela primeira vez a tónica em problemas mais fundamentais. Critica «os métodos burocráticos de direcção», em que as questões essenciais são tratadas por pequenos grupos de quadros à margem de qualquer participação da base.
A 29 de Março de 1935, Jdánov faz adoptar uma resolução, em Leningrado, que critica certos dirigentes que negligenciam o trabalho de educação e se ocupam exclusivamente das tarefas económicas. As tarefas ideológicas perdem-se por entre a papelada e o burocratismo. A resolução sublinha que os dirigentes devem conhecer as qualidades e as aptidões dos seus subordinados. Eram necessários relatórios de avaliação do seu trabalho, contactos mais estreitos entre os dirigentes e os quadros e uma política de promoção de novos quadros.
A 4 de Maio de 1935, Stáline interveio sobre o tema, apontando
«a relação deplorável para com as pessoas, os quadros, os militantes, que frequentemente se observa na nossa prática. A palavra de ordem “os quadros decidem tudo” exige que os nossos dirigentes tenham uma relação mais atenciosa com os nossos militantes, “pequenos” e “grandes”, qualquer que seja a área em que trabalhem; que os formem cuidadosamente, os ajudem quando precisam de apoio, os premeiem quando alcançam os primeiros êxitos; que os promovam, etc. Entretanto, na prática, temos em toda uma série de casos de insensibilidade-burocrática e de relações literalmente revoltantes com os militantes.»
Arch Getty, no seu brilhante estudo Origins of the Great Purges, faz o seguinte comentário:
«O Partido tinha-se tornado burocrático, económico, mecânico e administrativo a tal ponto que se tornava intolerável. Stáline e outros dirigentes centrais viram isto como uma ossificação, um revés, uma perversão da função do Partido. Os dirigentes locais do Partido e do governo já não eram dirigentes políticos, mas administradores económicos. Resistiam ao controlo político, tanto de cima como de baixo, e não queriam ser incomodados com questões de ideologia e educação, com campanhas políticas de massas ou com os direitos e as carreiras individuais dos membros do Partido. A continuação lógica deste processo teria sido a conversão do aparelho do Partido numa rede de administrações econômicas locais de tipo despótico. A documentação disponível mostra que Stáline, Jdánov e outros preferiam fazer reviver as funções de educação e de agitação do Partido, reduzir a autoridade absoluta dos sátrapas locais e encorajar determinadas formas de participação da base.»

Fontes: Um Outro Olhar Sobre Stáline, Ludo Martens, Capítulo VI — A luta contra o burocratismo.

A Nova Constituição Soviética 5 de Dezembro de 1936: https://www.marxists.org/portugues/stalin/biografia/ludwig/constituicao.htm


Texto retirado do site Medium de E-BoyChevique.

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