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A monarquia brasileira ontem e hoje: o que é a atual família real brasileira?

Atualizado: 19 de Dez de 2019

(Bruno Torres, 26 de março de 2017).

É bom compreender o que foi a família real na última fase do Brasil império, e não a comparar ao que é a parasitária família “real” dos dias de hoje.


Apesar de distorções históricas e da propaganda contra a Monarquia que foi realizada pelos republicanos militares e até pela República Oligárquica, a família real brasileira não era "politicamente desastrada", como até hoje temos esta impressão, passada, por exemplo, em obras de teledramaturgia – a novela Quinto dos Infernos, passa há muito na Globo, até se aproveita desse estereótipo.


A família real brasileira possuía uma influência, de fato, "liberal burguesa". Apesar de não estarmos falando de uma República demoliberal, a atmosfera política da última fase do Brasil império, se dependesse tão somente das influências político-teóricas da família real, seria algo mais próximo de uma Europa "liberal" moderna.


Apesar da existência de conceitos estranhos a qualquer jogo republicano-democrático, como o "Poder Moderador", na realidade, a política monárquica até era muito mais “politicamente liberal” – e permitia a crítica dos opositores e críticos – se comparada a República que vem a lhe substituir logo em seguida: a República dos Coronéis.


Abundavam as charges que desmereciam a imagem do imperador, ao mesmo tempo em que os chargistas não sofriam represálias. Era como se a Monarquia fosse mais "frouxa" do que as classes dominantes do Brasil, demandasse que ela o fosse.


Há, inclusive, fontes que atestam as intenções da realização de uma Reforma Agrária atrelada ao contexto da Abolição da Escravidão, isso é, os negros libertos iriam receber terras, e não só serem "formalmente" livres, também teriam terras para trabalharem. Sabemos claro, que de intenções, isso não passou, e a história brasileira, naquelas circunstâncias, nunca permitiria que a monarquia implementasse esse nível de medida. O reboliço que isso, inclusive, geraria entre as classes reacionárias do campo seria muito grande, e geraria um grande caos político no regime vigente – daí a balança sopesada pelos setores da família real que ventilavam essa possibilidade de reforma agrária: sobreviver politicamente e fazer concessões a classe latifundiária ou aceitar o projeto abolicionista com mais profundidade do que a mera abolição formal? Infelizmente, sabemos qual das opções fora tomada.


Mas retomando as comparações necessárias: o que vem depois dessa "monarquia" com alguma "influência liberal burguesa"? Exato, vem a República dos Coronéis, iniciada por um levante autocrático dos republicanos militares.


A política agora se aprofunda nos laços de dependência, no clientelismo escancarado, no coronelismo, numa República não burguesa, mas sim, dos latifundiários. Do ponto de vista econômico para os trabalhadores do campo, isso representa até mesmo um "retrocesso histórico", o que mostra como nem sempre a história "anda para frente" – como tem feito o atual Governo Federal com Temer que parece querer voltar a República Velha.


A situação de penúria dos camponeses, sobretudo no Nordeste, foi tal, que quase que espontaneamente, eles começaram a se organizar.


A figura que tomou a liderança desse processo foi um líder religioso, Antônio Conselheiro, que entre outras reivindicações, professava o retorno à monarquia.


Temos aí aspectos políticos e religiosos, é óbvio. Mas também temos aspectos econômicos: A República dos Coronéis representou não um avanço histórico em relação a segunda fase da Monarquia, mas sim um retrocesso. A luta dos camponeses de Canudos, não era só uma luta cristã e pró-monárquica, era uma luta em defesa do avanço da história, do avanço da sociedade humana, que ao invés de avançar em prol do povo brasileiro, retrocedia e espoliava mais e mais a população.


Levantar estais questões hoje, é importante, até para compararmos o que era a família real neste período, e o que é ela atualmente.


É importante, porque tem surgido um pequeno fenômeno de monarquistas "progressistas", hoje, que tentam justificar suas aspirações em defender o retorno da monarquia na atualidade, com base nestas práticas e elementos da família monárquica do passado.


Talvez você não saiba, mas até hoje a família real brasileira tem residido, em sua maioria, na cidade de Petrópolis e vive às custas de dinheiro público! É certo lembrar que muitos deles já possuem seus nomes vinculados em ações empresariais, formação profissional superior (geralmente bancada justamente por esse dinheiro público), e são membros das camadas abastadas da sociedade brasileira. Mas, mesmo SEM ISSO só o "Laudêmio" (imposto destinado especificamente à família real) fornece de 3 a 5 mil reais por mês para CADA descendente. Ora, se no meu primeiro estágio remunerado eu recebia uma bolsa de apenas 250 reais, um integrante da família real só pelo fato de nascer, já tem garantindo para ele uma "mesada" de 3 a 5 mil reais até o resto de suas vidas.


O dito "Laudêmio" é um imposto de 2,5% sobre o mercado de imóveis, e é feito à vista da Companhia Imobiliária da cidade, que é administrada pelos descendentes de Dom Pedro II. Caso não façam de tal forma, o comprador não poderá receber a escritura.


Hoje a família real, pouco tem a ver com a família real da Princesa Isabel. Eles não possuem nenhuma convivência de fato com a política real, com a política pensada para um projeto de nação.


São pessoas que se acomodaram historicamente a viver de favores do poder público.


São interesseiros que visam a manutenção de seu bem-estar, que não possuem nenhum projeto político concreto ou influências teóricas claras – como tinha a família real do passado.


São parasitas acomodados que desejam fazer crescer o erário público que os sustentam e, quiçá, alçar alguma importância e relevância na política nacional, para um descendente de Dom Pedro saciar o seu próprio desejo de aparecer nos holofotes nacionais e internacionais.


Qual projeto de sociedade eles tem? Qual projeto de política e de nação eles apresentam, além, apenas, do seu "retorno" ao "trono" brasileiro?


Os monarquistas brasileiros da atualidade, que parecem ter alguns ares de inteligência – mas se limitam no “parecer ter” –, justificam a defesa de tal pauta com base num saudosismo a família real de antes da República Velha.


Vocês precisam simplesmente parar e compreender as inconsistências do que estão propondo.


É óbvio que dentro da tradição política que construo, os preceitos da formação de um Estado republicano – em contrapartida às estruturas monárquicas – são partes essenciais de nossas ideias o que me faz diametralmente oposto ao estabelecimento de qualquer Estado de estrutura monárquica em nossa Era e com nosso nível de acúmulo histórico; todavia, até mesmo dentro de preceitos “monarquistas” a defesa intransigente da família real atual, ainda é inconsistente sob o ponto de vista de que ela não passa de um grupo parasitário, e não de uma liderança de nação.


Sob muitos aspectos, inclusive do ponto de vista da tradição monárquica, o rei deve se portar figurativamente como um “pai” da população, o que faz até figuras como um Getúlio Vargas muito mais próximo desse ideário de “rei” já que ganhou historicamente a alcunha de “pai dos pobres”, ao contrário da atual família real que quer um cargo figurativo de rei, mas sem tocar nenhum pano de fundo um projeto de Nação e de Estado, o que lhe confeririam no máximo a figura de um “pai ausente”.


O ponto é, desde um ponto de vista da tradição revolucionária, democrata ou republicana, a família real atual não possui critério algum para alçar a liderança do país. E, mesmo do ponto de vista, da tradição monarquista, é possível perceber que ainda assim esta família “real” não tem o mínimo calibre para cumprir as tarefas políticas que muitos de seus adeptos querem exigir dos mesmos.


A defesa desta atual família real, por parte destes monarquistas, acaba sendo unicamente por um pseudo-saudosismo de um período histórico que nem eles próprios viveram, o que não os torna nem inteligentes nem tampouco saudosos.


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