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A Primeira Guerra Mundial e a Social-Democracia.



Por: Guilherme Melo.


Ao olhar de Lênin, a respeito da Primeira Guerra Mundial, a sua função política ea desvendar a contradição que existia, uma dialética muito sútil entre o universal e o particular, pois, os setores interessados na operacionalização desta guerra, tinha por detrás das suas intenções enganar os civis de suas nações, ao generalizar os ganhos com a guerra.


Haveria nesse movimento, uma defesa de uma ação genuína de uma nação em destruir a outra, espoliar os seus bens e destruir a sua infraestrutura física, o que só podia acontecer no contexto de uma filosofia, a da burguesia, que admitisse moralmente, a exploração de nações umas pelas outras.


Isso era ainda mais delicado, pois, nos países onde não houveram a revolução burguesa, ou que não foram totalmente bem sucedidas, como na França, diluindo resquícios monárquicos do antigo regime, inclusive com semelhanças despóticas de reinados pré-modernos, ou do movimento de formação das nações provocadas pela crise do papado na reforma protestante, em que surgira doutrina política do Estado absolutista.


Politicamente, o Estado no continente europeu era ou de repúblicas democráticas, como o da França, monarquia constitucional como da Inglaterra ou de reinos despóticos, mais presente quanto mais a leste da Europa setentrional, isto criava uma dinâmica distinta de estímulo e regulação dos capitais, que incentivavam os governos a disputarem territórios para suas políticas internas industrializantes.


A Alemanha, em especial, foi a que melhor arregimentou uma base cívica e popular em defesa da guerra, a nação germânica deu a si própria a missão de libertar os povos da Europa oriental sob a influência direta da Rússia czarista, sob o pretexto de libertar essas nações do Império russo.


À cabeça de um grupo de nações beligerantes está a burguesia alemã. Ela engana a classe operária e as massas trabalhadoras, assegurando que faz a guerra para defender a pátria, a liberdade e a cultura, para libertar os povos oprimidos pelo tsarismo, para destruir o tsarismo reaccionário. Mas de facto é precisamente esta burguesia, que rasteja diante dos junkers prussianos com Guilherme II à sua frente, que sempre foi a aliada mais fiel do tsarismo e inimiga do movimento revolucionário dos operários e dos camponeses da Rússia. De facto esta burguesia, juntamente com os junkers, dirigirá todos os seus esforços para, qualquer que seja o resultado da guerra, apoiar a monarquia tsarista contra a revolução na Rússia. (Lênin, 1914)


A Alemanha desempenhou um papel estratégico para os seus negócios internos, atacando rapidamente a Sérvia, evitando uma revolução nacional dos eslavos do sul, justamente quando, o movimento sérvio nacionalista desempenhava um movimento de libertação nacional contra o Império Austro-Húngaro, que desencadeou formalmente a guerra, num contexto de amadurecimento das alianças militares.


De facto a burguesia alemã empreendeu uma campanha de rapina contra a Sérvia, querendo subjugá-la e estrangular a revolução nacional dos eslavos do Sul, dirigindo ao mesmo tempo o grosso das suas forças militares contra países mais livres, a Bélgica e a França, a fim de saquear um concorrente mais rico. Difundindo a fábula de uma guerra defensiva da sua parte, a burguesia alemã escolheu de facto o momento mais favorável, do seu ponto de vista, para a guerra, aproveitando os seus últimos aperfeiçoamentos na técnica militar e adiantando-se aos novos armamentos, já planeados e decididos pela Rússia e pela França. (Ibid, 1914)


Do outro lado da guerra, mais uma contradição, controversa, que os historiadores buscam entender, textos de Lênin como “Desenvolvimento do capitalismo na Rússia”, nos oferece dados que nos deixa entender as relações públicas criadas entre a França e a Inglaterra que permitiram a fusão de interesses financeiros e industriais que os levaram a uma aliança militar.

A Rússia, que desde Pedro o Grande, empreende reformas burguesas, inspiradas pelo despotismo esclarecido, tenta sem sucesso criar um ambiente de negócios propícios a livres relações contratuais de trabalho, sem a presença das relações servis, que vem sendo dissolvidas na Europa ocidental, desde o desenvolvimento de relações fabris mercantis, tanto das corporações de ofício, como da formação das cidades no contexto posterior a todas as cruzadas.


Logo, a Rússia, precisava se apoiar em classes dominantes estrangeiras para se industrializar, pois não interessava a aristocracia e a nobreza russa inverter as relações do campo e da cidade, que dava forte importância a um país rural, camponês, pobre e analfabeto.

Geograficamente, para além de toda a filosofia política e de relações mercantis, fazia mais sentido a Rússia se juntar com a Alemanha, como especulou o geógrafo britânico Mckinder, é nessa situação de coisas, que a Inglaterra e a França vão dar verniz político de uma guerra contra um país emergente com base num sofisticado complexo industrial e militar que é a Alemanha.


Um país pouco democrático, que sempre esteve a cabo de elites aristocráticas locais, que se unificou a força no contexto do Chanceler Otto Von Biesmarck, que empreendeu guerras contra a Áustria, Suíça e a França, para forçar ducados, municípios, condados e províncias a se unificarem.


Ao desenvolver de sua configuração política, a Alemanha formou um capitalismo de Estado, onde o desenvolvimento fabril e industrial foi fortemente dirigido pela criação de um complexo científico e militar, com pouca liberdade política e expulsão de vários civis considerados nocivos integridade do Estado e do desenvolvimento nacional, estando implícito judeus, comunistas e sindicalistas, com atividade política de cunho subversivo.


A contradição até então era que a França e a Inglaterra estavam aliados a um país muito mais parecido com a Alemanha, no caso a Rússia que os seus, logo uma interpretação contábil e econômica é o que dar conta de explicar essa inusitada parceria político-militar.

Por outro lado, Lênin, via que a natureza política da guerra era de uma direção de classes sociais com o objetivo de racionalizar ganhos econômicos, o que no caso não desempenharia positivamente em nada em um percentual distribuído para o proletariado, logo era um dever socialista agir contra a guerra.


É preciso constatar com um sentimento da mais profunda amargura que os partidos socialistas dos principais países europeus não cumpriram esta sua tarefa, e a conduta dos dirigentes destes partidos — particularmente do alemão — confina com a traição directa à causa do socialismo. Num momento da maior importância histórica mundial, a maioria dos dirigentes da actual, da segunda (1889-1914) Internacional Socialista tenta substituir o socialismo pelo nacionalismo. Devido à sua conduta, os partidos operários destes países não se opuseram à conduta criminosa dos governos, mas chamaram a classe operária a fundir a sua posição com a posição dos governos imperialistas. (Ibid, 1914)


É de notar que na história da política, essa foi a maior crise do movimento comunista internacional até essa data, a visão do “proletário uni-vos”, de repente transformou-se em proletários matai-vos, a tarefa da socialdemocracia de cada país cumpria em fazer primeiramente lutar contra a política chauvinista de cada país de origem.


Fonte: Lênin, Vladmir Ilych, A guerra e a social democracia da Rússia. 28 set de 1914, edições avante. Disponível em <: https://www.marxists.org/portugues/lenin/1914/09/28.htm#n343:>. Acesso em 30, set. 2021.

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