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ANÁLISE: Haddad, o crescimento da incerteza

Análise da pesquisa Datafolha desta sexta-feira 14/09/2018.

(Por Gabriel Silva)


Antes de qualquer análise o leitor tem que ter em mente que quem vos escreve não acredita cegamente em pesquisas eleitorais, elas me servem mais como algo que mostra de maneira torta a realidade, isto eu aprendi com meu eterno líder, Leonel Brizola. As pesquisas falsificam a realidade para distorcer a opinião pública e, se conseguirem, a vontade popular. Dito isto, vamos a análise, vou me ater aos principais concorrentes.


Como era de se esperar, Bolsonaro continua na liderança com 26% de intenção de votos, um leve aumento em comparação com a pesquisa de segunda-feira na qual ele liderava com 24% das intenções de votos, isto é, devido ao "efeito facada", que diferente do espanto que causou num primeiro momento, não fez com que ele decolasse nessa eleição. Deixarei registrado aqui que ao meu ver o teto do primeiro turno para o Bolsonaro é de 28 a 30%. A facada só lhe serviu para que ele cague num saco e tenha uma boa desculpa para correr dos debates.


"Mantendo" seus 13% temos o candidato do PDT, Ciro Gomes, que vem em crescimento nas últimas semanas. Isto de forma alguma representa uma estagnação, já que o crescimento de Ciro é mais "sólido" (mais dificilmente perde votos) do que candidatos como Marina e Alckmin. Dificilmente veremos ele retrair nesta eleição. O que aconteceu foi que Ciro Gomes cresceu, porém, no nordeste ele retraiu apesar do seu crescimento em outras regiões. Confuso? Nem tanto, Ciro, ao mesmo tempo que cresceu, teve perda de votos de pessoas que, no momento atual, inclinaram-se para Haddad, mas ainda são potenciais eleitores de Ciro que podem voltar. A tendencia de Ciro Gomes é crescer ainda mais. Atribuo que Ciro Gomes tem grandes possibilidades de ir para o segundo turno, pois, devido a sua baixa rejeição - a menor entre os principais candidatos - e a seu alto potencial de crescimento - a maior entre os principais candidatos -, Ciro Gomes, pode, numa visão conservadora, conseguir por volta de 20% de votos neste primeiro turno, pois há uma grande parcela do eleitorado que pode migrar da Marina para o Ciro, além dos indecisos, que certamente irão se inclinar para o pedetista, já que ele representa uma real e sólida alternativa ao Bolsonaro e ao PT.


O que mais cresceu nessa pesquisa foi Fenando Haddad do PT, que há menos de duas semanas estava com 4%, logo em seguida subindo para 9% na pesquisa desta segunda feira e hoje para incríveis 13%. Entretanto, apesar do crescimento rápido de Haddad, sem sombra de dúvidas isso se deve mais a capacidade de transferência de votos que o Lula possui do que propriamente ao Haddad em si. Porém, como na vida nem tudo é flores (e o eleitorado não é o gado que alguns pensam que é e que faz tudo que lhe é "mandado"), o crescimento de Haddad terá um teto neste primeiro turno, o meu palpite (que tem o mesmo peso que o saco de bosta que o Bolsonaro carrega pra lá e pra cá), é de que ele conseguirá por volta de 17 a 18% de intenção votos no melhor dos casos.


Eu sigo pela via de que não se deve cantar derrota antes da hora, muito menos cantar a derrota dos adversários, porém, os ventos sopram para que tanto Marina Silva quanto Geraldo Alckmin já estejam fora do páreo competitivo destes eleições. É notório e sabido que Marina vem em queda livre. Ela que já teve seus 15% e o manteve por algumas semanas, está agora desinflando e caindo até se quebrar no chão, segunda-feira ela tinha 11%, , 9%. Logo ela disputará uma vaga com Amoedo e Daciolo para ver quem é mais irrelevante politicamente. É interessante notar que Marina, mesmo no seu ápice, foi ignorada politicamente, pois, aos olhos dos políticos mais experientes, o caminho de Marina era o mesmo das eleições passadas: começa lá em cima, para logo em seguida dar de cara no chão.


Já o picolé de chuchu, vulgo, Geraldinho da Merenda, assustou num primeiro momento devido a sua aliança monstruosa trazendo até o capeta em pessoa para sua coligação. Geraldo, o Santo de SP, deve ser a maior decepção dos políticos tradicionais e de certos analistas sabichões que cantavam que essas eleições seriam PT x PSDB. Erraram feio, erraram rude. Geraldo não decolou, ele ama os EUA e quis ser os Irmãos Wright quando na verdade deveria ter sido Santos Dumont, justamente por isso ele foi só uma ameaça de que iria decolar, porém, nunca nem saiu do chão. Na segunda feira bateu seu quase-teto de 10%. Já nesta sexta feira, ele deu uma retraída, indo para 9%, talvez, muito talvez, se o Deus mercado lhe der a providencia divina, Alckmin ficará estagnado nos seus 9 a 11%, devido a margem de erro.

Os demais, menos de 3%, a briga entre eles é para ver quem tem menos votos. Eymael é o líder, como sempre.


Rejeição


É aqui que deveria ser o foco das atenções. É sempre bom lembrar para nunca esquecer: intenção de votos é algo muito instável, ou seja, muda constantemente, tanto para baixo, quanto para cima. Rejeição é algo mais sólido, para mudá-la leva-se tempo e é muito trabalhoso. Por isso, é muito melhor se ter uma intenção de votos um pouco menor, com uma rejeição baixa (como é o caso do Ciro Gomes), do que uma intenção de votos alta, com uma rejeição mais alta ainda (como é o caso do Bolsonaro e, num futuro próximo, talvez, de Fernando Haddad). Vamos aos números:


Bolsonaro, líder absoluto até mesmo em ser odiado, tinha na segunda feira 43% de rejeição e nesta sexta cresceu 1%, indo para 44%. Marina, que só cresceu em rejeição de um tempo pra cá, saiu de 29% para 30%.

Alckmin, que teve sua imagem atrelada ao governo Temer, saiu de 24% para 25%.

Haddad, vou tratar especificamente dele depois, saiu de 22% para 26% de rejeição.

Ciro Gomes, cresce de 20% para 21%.


Bolsonaro é o imperador em ser odiado. A facada não lhe rendeu comoção alguma, apesar de um crescimento tímido, porém, se analisarmos de maneira mais longa, a média de crescimento de Bolsonaro é 2%, ou seja, para ele, a facada só lhe rendeu carregar um saco de bosta para onde vai.


Bolsonaro é o imperador em ser odiado. A facada não lhe rendeu comoção alguma, apesar de um crescimento tímido, porém, se analisarmos de maneira mais longa, a média de crescimento de Bolsonaro é de 2%, ou seja, para ele, a facada só lhe rendeu carregar um saco de bosta para onde vai.


A rejeição de Haddad cresceu proporcionalmente a seus votos. Em menos de uma semana cresceu 4%, o mesmo que sua intenção de votos. Porém, olhando de maneira fria, sem amores ou ódios, a rejeição a Haddad crescerá muito mais nas próximas semanas, pois, essa rejeição não é para com o Haddad, mas sim, para com o PT, ao qual, uma parcela bem grande e relevante da população odeia. Entretanto, Lula é o único que consegue carregar essa rejeição nas costas e ainda assim levantar a cabeça e esmagar seja quem for seu adversário. Haddad, não.


Não porque Haddad não é competente ou coisa do tipo, mas sim porque não se muda uma rejeição de 3 anos em 3 semanas de campanha. Muito menos se faz um candidato neste breve período. Lembrando, intenção de votos é algo volátil, muda de semana para semana, rejeição é mais sólida, eu diria que muda de ano para ano, quiçá, de década para década.


A rejeição ao PT se estratificou na sociedade brasileira tão intensamente que fica perceptível até aos mais leigos, pois, ao observarmos os cenários de segundo turno, temos que, na segunda-feira, Haddad tinha uma vantagem tímida de 1% em relação a Bolsonaro, nesta sexta, o cenário se modifica e Bolsonaro é que fica 1% a frente do candidato petista. Numa leitura conservadora, não podemos tirar conclusões precipitadas, não dá para dizer que Haddad ganhará ou perderá de Bolsonaro no segundo turno, ou vice-versa. O que eu posso concluir, é que neste momento, nesta pesquisa, Haddad é o candidato mais imprevisível para um eventual segundo turno. Pois, ao observar que Bolsonaro perde para todos os outros candidatos, menos para o petista, Haddad é hoje o candidato com menos chances de vitória contra o candidato do PSL.


Algo que me deixa aflito enquanto analiso, é o fator do antipetismo, antes era algo tímido, porém, ganhou forma e corpo pós-Marchas de 2013, se radicaliza em 2014-15, permanece radicalizado em 2016-17 e tem um aprofundamento em 2018 devido a incerteza do fator Lula que rege o debate nacional neste ano. Todavia, o antipetismo ainda é a principal arma dos grandes grupos de comunicação e dos adversários políticos do PT. Bolsonaro é hoje a personificação desse antipetismo e não é atoa que seu protagonismo em rede nacional cresceu abruptamente de 2013 em diante e hoje o sonho dele é ir para o segundo turno contra o PT.


Não é ao acaso que Alckmin vence Bolsonaro no segundo turno, 41% do tucano, contra 39% do capitão. O mesmo vale para a Marina, 43% contra 39%.


Isso não se repete com Haddad, que perde por 1% de diferença, pois, o fator do antipetismo pesa em sua candidatura e, diferente do que tentam vender, Haddad não é Lula, pois se fosse, suportaria o antipetismo e venceria com larga vantagem no segundo turno.


A opção mais segura para o país segue sendo Ciro Gomes, não porque sou eleitor dele, mas sim porque ele é o único candidato mais à esquerda que vence de maneira segura Bolsonaro, 45% do cearense, contra 38% do esfaqueado. Considerando também que uma vitória de Ciro Gomes hoje representa um governo com maior legitimidade, pois é visivelmente muito maior em eleitorado, do que um de Haddad. O que lhe garantiria maiores chances de governabilidade - sem levar em consideração a experiência que cada um possui, nem é preciso dizer qual é maior.


Para mostrar a insegurança e incerteza que representa Haddad no segundo turno contra Bolsonaro, irei citar a hipotética, porém, bem acertada, opinião de Alexandre Morgato que trabalha com pesquisas eleitorais: "Vamos fazer um cenário HIPOTÉTICO, Não é um número DATAFOLHA, é um cálculo meu (atenção! é um cenário de estatística simples, ele ignora movimentação de brancos e nulos, e ele pode E DEVE ser ajustado na próxima leitura, se os candidatos crescerem menos ou mais).

Vou aplicar tanto para Bolsonaro quanto para os Competidores metade da movimentação que o candidato apresentou na última leitura (em cada cenário de versus) por mais quatro leituras (é o que tem até a eleição). Como ficariam os resultados?

[...]

Haddad cresce 1%, então vou aplicar +0,5% por leitura, total de 2%. Bolsonaro cresce 3%, vou aplicar +1,5% por leitura, total de 6%.

Haddad x Bolsonaro: 41% x 47% (vitória Bolsonaro)


Por pura curiosidade, se eu DOBRAR o que o Haddad cresceria nas próximas leituras, ou seja, aplicar +1%, total de 4%, o cenário ainda fica:

Haddad x Bolsonaro: 42% x 47% (vitória Bolsonaro)


Por ainda mais curiosidade, se eu TRIPLICAR o que o Haddad cresceria nas próximas leituras, ou seja, aplicar +1,5%, total de 6%, o cenário ainda fica:

Haddad x Bolsonaro: 44% x 47% (vitória Bolsonaro)


Como eu sou mesmo MUITO CURIOSO, se eu QUADRUPLICAR o que o Haddad cresceria nas próximas leituras, ou seja, aplicar +2%, total de 8%, o cenário ainda fica:

Haddad x Bolsonaro: 46% x 47% (vitória Bolsonaro)


Gente, eu não estou fazendo nenhum caso contra o Haddad, apenas aplicando cálculos simples de projeção de crescimento. Meu sentimento em relação ao Haddad segue sendo de PERIGO, não pelo primeiro turno, que agora parece um bom cenário para o candidato, mas pelo segundo turno, onde o sentimento de antipetismo agrupa-se em volta de Bolsonaro, no cenário onde ele ganha mais votos. A não ser que Haddad cresca magicamente CINCO VEZES MAIS mais do que cresceu nessa útima leitura, ele vai perder o segundo turno, e mesmo se crescesse 5%, ia ganhar por arriscados 1%." Link completo.


Por fim, a incerteza que Haddad representa contra Bolsonaro segue sendo, por enquanto, um perigo para o país de uma eventual vitória do capitão no segundo turno, não porque o povo prefere Bolsonaro, mas sim pois a rejeição ao PT fará Haddad perder estas eleições. Esse artigo é de maneira alguma um ataque contra o Haddad, mas sim, um aviso de que se, no momento atual, apostarmos numa candidatura incerta que não terá tempo para se consolidar e herdará o ódio acumulado de três anos de antipetismo, poderemos todos nós amargurar por 4 anos num eventual governo neoliberal-autoritário e militarista. Seguirei apostando na alternativa mais segura.


“O Brasil está como sopa na geladeira. Formou-se uma camada de gordura por cima que a torna intragável" - Brizola




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