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Berlim Oriental e a Mitificação do Muro: A Queda de um Sonho (por Alessandro Santos)

Após a perestroika finalmente confirmar sua submissão ao neoliberalismo, o capitalismo triunfante retirou a máscara do antigo Plano Marshall e hoje, no que eles consideram como “fim da História”, pôde demonstrar as garras do imperialismo.


Sob a eterna propaganda anticomunista que nossos inimigos religiosamente repetem, subjaz a honra e a glória de uma Alemanha Oriental, e um antigo muro que mantinha vivo o sonho socialista.


1) A divisão do Estado.


Inicialmente, quando da vitória soviética sobre o Eixo, Berlim era tudo, menos uma cidade convencional, isso pois não havia , em 1945, uma pretensa liberdade de deslocamento nas áreas de ocupação militar, que, aliás, já fora concessão soviética às potências capitalistas da época, Estados Unidos, Reino Unido e França, já que os primeiros tomaram a cidade sozinhos.


A posterior divisão das Alemanhas em oriental e ocidental, que a propaganda midiática condena, foi imposta pelos próprios capitalistas. A proposta soviética era a unificação e eleições livres gerais, que não foi acatada pelos EUA, com receio da socialização completa tanto da Alemanha quanto de toda a Europa – vale ressaltar que havia grande preocupação com a Áustria também –, quem dividiu o país.[1]


2) A impunidade dos nazistas na porção ocidental.


A “reconstrução” da Alemanha Ocidental não deixou que detalhes, como o fato de que nazistas foram perdoados e reintegrados à sociedade sem qualquer ficha criminal, dos quais vários assumiriam posteriormente altos cargos do governo e principalmente do serviço secreto, impedisse sua ação anti-socialista.


Casos como o de Karl Schiller, membro da SS a partir de 1933 e membro do Partido Nazista em 1937, que já no pós-guerra assumiu o cargo de secretário da economia de Hamburgo, de 1948 a 1953 e, depois, ministro federal das finanças, de 1966 a 1972. Ou então Hanns-Martin Schleyer, arquiteto da economia de pressão ocidental e presidente da Federação de Empregadores da Alemanha e da Confederação das Indústrias Alemãs durante aos anos 50. Entre outros diversos, como o Chancellor Kurt Georg Kiesinger, que governou de 1966 a 1969, e até o Presidente Alemão Walter Scheel, membro do Partido Nazista em 1941.[2]


Não apenas indivíduos foram poupados, como corporações inteiras. A IG Farben, conglomerado responsável pelo Zyklon B, gás utilizado para extermínio nos campos de concentração, no pós-guerra, se fragmentou em 3 grandes empresas – Bayer, BASF, e Hoechst – continuaram atuantes na Alemanha Ocidental, sendo a BASF, após a reunificação, uma das corporações que mais absorveu ativos das empresas orientais.[3]


Aqui chegamos no primeiro julgamento importante. Se existe dúvida em por que havia um muro dividindo Berlim, lembre-se que no lado capitalista os nazistas eram livres.


3) As condições do pré-guerra.


Aqui vale ressaltar as condições do Estado Alemão antes da construção do muro. A parte oriental sempre foi menos industrializada que a ocidental. O círculo industrial posicionado pelos nazistas entre 1933 e 1940 ficava, em sua maioria, no ocidente. Isso pois sabiam que a batalha contra os soviéticos seria mais dura que contra os franceses, no caso de qualquer rompimento do pacto de não-agressão.


Sendo o pilar do capitalismo na região, a Alemanha Ocidental recebeu investimentos generosos através do Plano Marshall, exatos 1,390 bilhões de dólares, além de diversos empréstimos dos EUA após 1947. A União Soviética, que prestava assistência logistica e administrativa excepcional, não tinha a mesma capacidade de investimentos. Porém, vale lembrar que, no inverno de 1947, a parte ocidental foi afligida por uma fome devastadora, enquanto o lado oriental estava nos eixos.[4]


Mesmo com as desvantagens, a economia Oriental era extremamente próxima à Ocidental, conseguindo níveis de inclusão social, principalmente em relação às mulheres, muito superiores.[5]


4) As diversas agressões do imperialismo e a construção do muro.


O motivo da impunidade dos nazistas era justamente o seu conhecimento e prática em provocações aos comunistas. Assim, não tardaram as agressões econômicas. Captação de mão de obra e infiltrações para comprar produtos na Berlim Oriental, esvaziando as prateleiras. Além do fato de Berlim Oriental ser a capital do país, tornando-a propícia a espionagem e ao contrabando.


Até 1961, a fronteira aberta constituía um dos mais graves problemas da porção Oriental. O imperialismo usava todos os processos de sabotagem e de corrupção. O mercado negro de dinheiro permitia que alguns milhares de homens e de mulheres trabalhassem na Berlim Ocidental, recebessem os seus salários em marcos ocidentais, com os quais compravam marcos orientais por um terço do valor e residiam nos apartamentos da Alemanha Oriental. O Estado gastava milhões de marcos com a preparação técnica dos seus cidadãos, a quem o Ocidente oferecia salários de tal modo elevados que muitos deles e abandonavam a sua terra.


Mesmo após o muro, na zona de Berlim ocupada pelos ocidentais, ficavam 70 organizações neo-fascistas e mais de 80 destinadas a espionagem, terrorismo, propaganda e sabotagem e algumas para raptos de pessoas.


Provocações constantes, ao longo de toda a fronteira, por todos os meios. Ofertas de dinheiro para suborno dos soldados, exibição da literatura pornográfica mais torpe, prostitutas tirando suas roupas perante os soldados e fazendo oferta do corpo e de todas as perversões, cartazes de propaganda anti-socialista e anti-RDA por toda a parte, alto-falantes, ataques de coquetel-molotov, tiros, abertura de túneis para colocação de bombas, raptos de crianças, metidas em malas, algumas das quais chegavam já mortas. Isto com a colaboração ativa das autoridades e organizações policiais da Alemanha Ocidental.[6]


É neste contexto que, em defesa própria, ergue-se o muro de Berlim, visando a construção pacífica do socialismo. O muro, enquanto existiu, apesar da hipocrisia de alguns ditos socialistas, preveniu o mundo da 3ª Guerra Mundial em solo Europeu.


Esta é a verdadeira história do muro, o muro da vergonha, não daqueles que bravamente defenderam sua terra, mas dos que o impuseram. Estes, sim, serão jogados na lata do lixo da História.


Alessandro Santos

Bibliografia:


[1] http://www.dw.com/…/1952-stalin-prop%C3%B5e-reunif…/a-468876

[2] http://www.independent.co.uk/…/obituaries-karl-schiller-138…

http://www.spiegel.de/…/from-dictatorship-to-democracy-the-…

http://www.disskursiv.de/…/ich-bin-alter-nationalsozialist…/

[3] http://www.holocaustresearchproject.org/econo…/igfarben.html

http://www.dw.com/…/mais-famoso-produto-da-basf-p…/a-1043389

[4] http://www.marshallfoundation.org/…/Marshall_Plan_1947-1997…

http://www.dw.com/…/1947-%C3%A9-anunciado-o-plano-…/a-568633

[5] https://www.marxists.org/portugues/babo/livros/rda/12.htm…

[6] https://www.marxists.org/portugues/babo/livros/rda/03.htm

[7] Erich Honecker, Notas da Prisão I, II, III e IV.

Adendos de Igor Portela


Os soviéticos foram os primeiros a propor a unificação da Alemanha e a realização de eleições gerais. Obviamente o problema do bloco imperialista com as eleições consistia justamente no risco de perder para o socialismo a parte da Alemanha que lhes fora cedida pela URSS.


http://www.dw.com/…/1952-stalin-prop%C3%B5e-reunif…/a-468876

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