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Burkina Faso revela nova estátua de Thomas Sankara (por Lucas Carvalho)

Atualizado: Ago 7

Uma primeira versão da estátua foi revelada em março de 2019, mas muitos acreditavam que ela não se parecia com o líder da revolução burquinense. Portanto, o Comitê Internacional Memorial Thomas Sankara teve de trazê-la de volta à oficina. [1]

Estátua reformada de Thomas Sankara, apresentada neste domingo (17).


Mais de um ano depois que a população burquinense reclamou da primeira versão da estátua do capitão Thomas Sankara, alegando que ela não se parecia com o icônico revolucionário africano, o governo de Burkina Faso revelou uma estátua reformada e bem mais satisfatória no último domingo, 17 de maio. Como Mousbila Sankara, tio de Thomas Sankara e embaixador de Burkina Faso na Líbia durante o seu governo, muitos burquinenses haviam rejeitado a primeira versão estátua, mas hoje as opiniões são melhores: "Comparada com a versão anterior, está bem mais semelhante. Acho que podemos nos contentar", disse ele.


Um olhar atento à versão recém-revelada mostra que os olhos e outras características foram reformuladas e aprimoradas. O escultor Jean-Luc Bambara voltou à prancheta de desenho após críticas de que os traços faciais da estátua não correspondiam aos de Sankara. "O que não funcionou da primeira vez foi o prazo curto. E havia as condições meteorológicas que não eram favoráveis. A fundição em bronze com a técnica de cera perdida utiliza um material que derrete em clima quente. A 45°C derrete a ponto de algumas seções perderem a sua forma da fase de fundição", disse o artista. Entre as muitas especialidades artísticas burquinenses, destaca-se a produção de esculturas em bronze. A arte de fundição é histórica na cultura do país. [2]


Seis ministros da República estiveram presentes na cerimônia. “É difícil dizer que seja possível capturar cem por cento de Thomas Sankara, mas o que temos agora o representa e isso é o que mais importa. O governo está fortemente mobilizado neste projeto, para termos um memorial digno de seu nome", disse Alpha Barry, ministro de Relações Exteriores, à emissora francesa RFI. O Comitê Internacional Memorial Thomas Sankara garante que outras estátuas do capitão serão feitas progressivamente na região.


Thomas Sankara foi um ícone para muitos jovens africanos dos anos 80 e permanece sendo uma figura heróica para muitos até os dias de hoje. Ele chegou ao poder em 1983, adotou políticas radicais de esquerda, patrióticas, desenvolvimentistas e lutou contra a corrupção estruturada no governo. Também substituiu o nome colonial de seu país, Alto Volta, o renomeando como Burkina Faso, que significa "terra dos homens íntegros". Sua estátua se encontra na capital Ouagadougou, no local onde ele e doze de seus companheiros (que aparecem como bustos no monumento) foram assassinados em 15 de outubro de 1987, por um grupo de soldados em circunstâncias misteriosas. Sankara tinha apenas 37 anos de idade.


Seus familiares querem que Blaise Compaoré, à época braço direito de Sankara e segundo no comando, seja julgado por seu assassinato e de seus companheiros. Compaoré, agora exilado na Costa do Marfim, sucedeu a Sankara e permaneceu no poder por 27 anos, até ser deposto em 2014, após uma onda de protestos populares. O presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu desclassificar como secretos os arquivos franceses sobre as circunstâncias da morte de Sankara, embora isso ainda não tenha acontecido nos três anos desde que fizera a promessa. [3]


Confira mais algumas imagens da estátua e da cerimônia de apresentação:


Comparação entre a primeira e a segunda versão da estátua de Thomas Sankara.

A estátua reproduz uma pose clássica do capitão Sankara, com o punho serrado erguido.

Povo burquinense apreciando e registrando a cerimônia de entrega da estátua.

Povo burquinense apreciando e registrando a cerimônia de entrega da estátua.

Guardas escoltam a cerimônia. Detalhes do monumento em segundo plano: bustos dos companheiros de Sankara que foram assassinados com ele.


Que a memória do capitão Thomas Sankara seja honrada e celebrada, hoje e sempre, em seu país ou fora dele, e que seu legado sirva às futuras gerações como exemplo de integridade, como inspiração de luta por um mundo menos desigual e contra o colonialismo e o imperialismo que, ao contrário do que uma esquerda elegante, palaciana, perfumada costuma dizer, estão mais vivos do que nunca e devem ser combatidos com vigor.

Lucas Carvalho é historiador, paulista, estudante dos movimentos revolucionários africanos e colaborador dos portais do Jornal A Pátria e Vermelho à Esquerda.


- Todas as imagens da estátua utilizadas são da Agence France-Presse, que cobriu o evento. - [1] https://qz.com/africa/1564590/thomas-sankara-statue-unveiled-in-burkina-faso/ - [2] http://www.afreaka.com.br/notas/a-arte-em-bronze-burkinabe-e-a-tecnica-da-cera-perdida/

- [3] http://www.rfi.fr/en/africa/20171129-france-will-open-secret-sankara-files-macron-says

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