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Defender a Formação de Comitês de Autodefesa!

(Movimento Nova Pátria. 13 de fevereiro de 2017).

A questão da segurança pública tem tomado importância central no Brasil, sobretudo nos tempos mais recentes onde, por reflexo quase que inexorável do aprofundamento da crise econômica, vão se aumentando gradualmente o índice de assaltos, violência e a criminalidade em geral.


No estado do Espírito Santo, os problemas se explicitaram de forma “exuberante”, com a ocorrência de mais de 100 mortes, nos poucos dias da paralisação da Polícia Militar (suspeita-se até que os próprios policiais estejam envolvidos em grande número dessas mortes). Em Pernambuco, apenas no bairro de Arthur Lundgren I (bairro da cidade de Paulista), sem greve alguma da PM, foram assassinadas 7 pessoas em menos de uma semana. Os relatos de assaltos e demais violências tem aumentado, também, em grandes proporções.


Dado o nosso quadro de desigualdade, e do projeto político que segue em voga no Brasil (o projeto neoliberal aprofundado pelo golpe jurídico-parlamentar), a tendência é que todos esses problemas só aumentem cada vez mais, onde o Brasil andará a passos rápidos e largos em direção ao abismo da barbárie.


A esquerda política, grosso modo, apresenta apenas soluções a longo prazo: “só se resolverá o problema com mais investimentos em Educação”, “só com uma mudança gradativa e profunda na Educação a criminalidade será reduzida”. Todo o discurso da esquerda soa aos ouvidos da população como uma mudança utópica que só poderia, possivelmente, entrar em voga e solucionar os problemas, daqui há uma, duas, três ou mais décadas.


Por outro lado, a direita apresenta um discurso demagogo, que não visa combater a “raiz” da questão, enquanto solta agressivos ataques aos “galhos”. A direita defende mais e mais aumento do aparato repressivo policial. Defendem o armamento de um arquétipo virtual e falacioso de um “cidadão de bem” que não tem nada a ver com a maioria da população brasileira e com a classe trabalhadora, mas apenas com os setores pseudo-patrióticos e conservadores das camadas médias. Estes, são os mesmos que comemoram as barbáries em presídios, como a que aconteceu em Manaus (isso é, comemoram a própria INEFICIÊNCIA DO ESTADO em controlar seus detentos).


No quesito da segurança pública, os seguidores ensandecidos da direita são apologistas da barbárie, que dizem “odiar o crime”, mas defenderiam com umas e dentes policiais corruptos envolvidos com o Tráfico ou com Milícias, como muito acontece no Rio de Janeiro.


Em síntese: a esquerda diz ao povo que só devemos atacar a “raiz” e esperar que o problema seja solucionado daqui há décadas; a direita grita raivosamente que devemos atacar os “galhos”, de uma maneira desordenada, armando o “cidadão de bem”, aumentando o aparato repressivo da polícia.


Ambas posições possuem problemas: A esquerda em geral tem sido limitada em suas proposições, e a direita demagoga e completamente equivocada. Entretanto, o discurso da direita, por apresentar soluções mais “próximas” e imediatas, são mais audíveis aos ouvidos da população e de uma classe trabalhadora que clama por mais segurança e medidas mais imediatas quanto a violência.


O que fazer diante disto?


Cabe os progressistas e revolucionários compreenderem que não basta discursar contra a “raiz” do problema, se você não apresenta soluções “orgânicas” mais próximas da realidade do povo. Soluções e medidas estas, que o povo possa vislumbrar, ver de perto, sem ter que esperar décadas, para saber se tal política realmente teria alguma efetividade.


Cabe a nós, combinar a Defesa de soluções a longo prazo com a Defesa de medidas orgânicas-imediatas. Apenas a combinação das duas políticas poderia acarretar a resolução parcial de alguns problemas, tanto HOJE, quanto a solução definitiva num “amanhã”.


Para isso devemos defender a população que se organize, e que a partir disso crie COMITÊS DE AUTODEFESA, baseados, via de regra, em seus bairros.


O povo brasileiro, sobretudo os trabalhadores que moram em subúrbios e periferias (locais mais afetados pela violência, tanto do crime quanto pelos abusos policiais), devem reivindicar seu direito a se organizar e portar armas!


Os policiais oferecem uma proteção “duvidosa” a população. Ora els oferecem um trabalho de segurança ineficaz e insuficiente, ora eles mesmos realizam e coadunam com a violência realizando abusos de autoridade nas comunidades, se portando não muito diferentes das facções criminosas que eles dizem combater. Os policiais milicianos do RJ são a maior prova disso. Entretanto, temos ficados à mercê desta mesma polícia.


Ora, cabe ao povo, reivindicar o seu direito a se defender!


As organizações de esquerda precisam defender o direito do povo a se armar. “A única garantia possível de democracia, é o fuzil ao ombro de cada trabalhador”. A criação de Comitês formados pelos moradores dos bairros, se encarregariam de organizar a segurança da comunidade, tanto contra o crime quanto contra os abusos de autoridade.


Ao mesmo tempo, estes Comitês de Autodefesa DEVEM ser importantes espaços de formação política dos trabalhadores que neles se envolvam.


Não podemos defender, de maneira alguma, que a população apenas “se arme por ser armar”. O Comitê de Autodefesa deve ser um organismo de proteção da população, e não um espaço “atiradores foras-da-lei”. Para tanto, os trabalhadores que se integrarem ao Comitê deve passar por uma formação política, que vá desde a mínima formação cidadã e moral à conscientização política de seu papel até, finalmente, o treinamento em si. Afinal, como nos diz o nacionalista Thomas Sankara, um homem armado “sem formação política e ideológica, é um criminoso em potencial”.


O que cabe a nós, progressistas, nacionalistas, revolucionários e afins, não é repudiar que a população possa se armar e se defender. Por um lado, a população tem sido refém do crime e, por outro, refém do ineficiente trabalho da polícia ou dos abusos de autoridade. Clamar que a população siga sem direito a sua própria proteção, é um contrassenso e é também um dos fatores que tem feito a esquerda perder sintonia com o povo, enquanto que figuras vende-pátrias e conservadoras, tais como Jair Bolsonaro, tem crescido sua popularidade, aproveitando as fraquezas da população brasileira do qual a esquerda não tem tido capacidade de apontar soluções.


É dever da esquerda defender a ideia dos Comitês de Autodefesa, propagar em todas as comunidades. Fazer avançar essa pauta dentro da esquerda, dos movimentos sociais e movimentos de bairros, é de extrema urgência, para que a pauta do armamento seja politizada e sirva para os interesses populares, e não para a demagogia de políticos entreguistas, conservadores e corruptos.


Se a esquerda não compreender isto, perderá todo e qualquer gota de proximidade e sintonia com o povo brasileiro, caso ainda lhe reste alguma.

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