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Educação e ensino: uma breve contextualização

(Vinícius Fontoura, 10 de julho de 2018).

O seguinte texto pretende apresentar alguns passos dados pela História da Educação ao longo dos séculos, percorrendo um caminho pelo mundo todo, até chegar nas especificidades da educação moderna no Brasil.


• O início da instituição Escola moderna (século XVII):


A discussão sobre o início da instituição escola é longa, mas neste primeiro tópico abordaremos o pensamento do bispo educador Jan Amos Comenius, que observa a forma individualizada de ensino, de um professor para um aluno. Comenius, assim como outros pensadores da época, analisaram isso como um problema, e sentiu-se a necessidade de criar uma instituição que cuidasse do ensino. A ideia de Comenius era baseada na relação de manufatura x artesanato: se dez artesãos trabalhando individualmente iriam produzir menos do que dez artesãos com uma função específica para a obra, então a educação poderia se propor de forma parecida para ser universalizada. Assim, Comenius montou o método de distribuição do conhecimento entre os professores: o ensino de tudo para todos. [1]


• Alternativas à educação em sala de aula (século XVIII):


Desta ponto surge o filósofo Jean Jacques Rousseau, que via dificuldades na educação em uma instituição como a escola, por considerá-la um objeto que corrompe o homem. Dessa forma, Rousseau defendia uma educação livre e também conduzida pela natureza, em que um mestre guiaria um ou dois alunos em passeios livres para o aprendizado dos alunos. Ao mesmo tempo, Rousseau definiu a educação em dois polos: a educação de Emílio (para homens) e a de Sofia (para mulheres). A educação de Emílio era livre, a de Sofia contava com limitações, e dizia-se que a educação da mulher estava diretamente ligada com a questão da maternidade. Rousseau dizia que a mulher nascia como um ser social, e o homem não, e por isso a mulher tinha o papel na formação de cidadão na vida do homem. Napoleão Bonaparte usou esta premissa filosófica tempo depois para construir as primeiras escolas que dariam origem ao movimento majoritário de mulheres na educação como docentes (antigamente a maioria dos professores eram homens, a partir disso começa uma mudança). Napoleão pensa Sofia como não somente a mãe que ensina o filho, mas como a mãe que ensina toda uma comunidade. [2]


• Transformações na América Latina (século XIX):


Chegamos à história da educação na América e encontramos o pensamento do educador cubano José Martí, que defendia uma educação pública e universal. Martí dizia que a educação transformava súditos em cidadãos, e que era fundamental uma educação intelectual e também uma educação sentimental e espiritual (não exatamente no sentido religioso, já que Martí era crítico da religião). O grande mérito de Martí está na defesa da educação popular, que resgatasse também a cultura da América, pois segundo o educador os Incas, Maias e Astecas seriam para os americanos como os Gregos e Romanos para os europeus. [3]


• Reformas educacionais no Brasil (século XX):


Em 1932 Getúlio Vargas pede para dezenas de educadores para que organizem um documento para a formulação de uma “nova educação” para o Brasil, que buscasse, além de suprir as dificuldades do surgimento da indústria no país, qualificar melhor os alunos. Assim, reuniram-se os chamados Escola-Novistas, que defendiam pela primeira vez no Brasil uma escola totalmente pública, gratuita, obrigatória, laica e mista, com um ensino independente de sexo, cor ou classe, já que, como definido pelos próprios escola-novistas, é um direito natural de todo ser humano o de aprender dentro de suas próprias limitações. Os escola-novistas defendiam que a educação deveria ser comum enquanto estudo, mas variada de acordo com região (devido a cultura de cada Estado do país). [4]


Vale ressaltar que esse Manifesto elaborado pelos escola-novistas surge como forma de incentivar a industrialização do país, que precisava de mão de obra para seu desenvolvimento.


Uma nova mudança nesse sistema surge durante a ditadura militar no Brasil, em que mais uma vez se necessita de mão-de-obra técnica, e nesse contexto fecham-se portas para o ensino superior e abrem-se portas para a escola técnica, com a finalidade de impulsionar a indústria. [5]


Desta forma, entende-se também que a Escola surge com funções ideológicas. A educação compreende o pensamento escolar inicial de toda sociedade, e por isso tem uma função muito importante para o desenvolvimento dos cidadãos de um país.


Neste sentido, os governantes aparecem como dominadores desse pensamento. A partir disso, aplicam os valores e normas de seus interesses, mostrando a “função” que cada cidadão deve seguir e pertencer em uma sociedade. [6]

REFERÊNCIAS:


[1] BUFFA, Ester. Educação e cidadania.

[2] STRECK, Daniel. Rousseau e a educação.

[3] STRECK, Daniel. José Martí e a educação.

[4] TEIXEIRA, Anísio Spinola; et al. O manifesto dos pioneiros da educação nova.

[5] ZINET, Caio. Qual o legado da ditadura civil-militar na educação básica brasileira?

[6] SALES, Antônia de Jesus. A escola através dos tempos.

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