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Em 2018 exportamos 40% de todo petróleo cru (quase todo o pré-sal) e segue importando mais derivados

Em boa matéria do Fernando Mellis, publicada hoje no portal R7, foram apresentados alguns números gerais que o setor de petróleo fechou em 2018. Os dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) indicam que o Brasil vendeu 1,12 milhões de barris por dia (bpd) de óleo cru (13,3% a mais que em 2017) e equivalentes a 40% de toda a produção em nossas bacias. Sim quase metade de todo o petróleo que produzimos, quase todo o pré-sal, considerando apenas o petróleo e sem o gás natural.

Esse fato se deve não apenas às vendas externas da Petrobras, mas ao aumento da produção e vendas internacionais por parte das petroleiras estrangeiras que atuam cada vez mais no Brasil - como operadoras e/ou concessionárias - e que direcionam para onde querem as suas produções crescentes no país.

Segundo o Boletim da Produção de Petróleo e Gás, edição de novembro de 2018 da ANP, só as cinco petroleiras estrangeiras que estão logo abaixo da Petrobras, produziram no Brasil um total de 711 mil barris de petróleo e gás por dia (22% da produção no país). Pela ordem em termos da prodção de óleo + gás natural: a anglo-holandesa Shell (400 mil boepd); a portuguesa Petrogal (114 mil boepd); norueguesa Equinor (89 mil boepd); o consórcio espanhol-chinês Repsol-Sinopec (84 mil boepd); e a chinesa Sinochen (24 mil boepd). 


Os principais importadores que levaram em 2018, o nosso óleo cru para ser processado em suas refinarias foram: China (56,5%), EUA (11,9%) e o Chile (8,43%). Essas exportações geraram um volume de US$ 25,1 bilhões em divisas ao país. 

Em volume, em 2018, o Brasil exportou um total de quase meio bilhão de barris de petróleo. Em números absolutos 412 milhões de barris. Veja no gráfico ao lado, a evolução da exportações de óleo cru do Brasil, ano a ano, entre 2000 e 2018.


Ainda segundo a reportagem, a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), ligada ao Ministério de Minas e Energia, estima que a produção de petróleo no pré-sal dobre nos próximos oito anos e que isso deverá levar a que o país se torne um dos cinco maiores exportadores do mundo — atualmente o Brasil está entre os dez principais.


Assim, a previsão é que até 2027, o Brasil triplique as exportações de óleo cru, superando 3,1 milhões de barris por dia, segundo o superintendente de petróleo da EPE, Marcos Frederico Farias de Souza.


Há algum tempo, o blog vem mostrando aqui nesse espaço as contradições para a economia nacional, na medida em que vendemos quase metade de nossa produção de petróleo e importamos derivados em refinarias estrangeiras (em valores muito mais altos, além dos custos dos transportes de ambos) para ser aqui consumido.


Em passado recente, o Brasil deixou de construir as refinarias projetadas Premium I e II no Ceará e Maranhão e não terminou ainda o Comperj, em Itaboraí. Além disso, a partir do governo Temer, o país passou a reduzir o refino em nossas refinarias que chegaram a cair abaixo de 70% da capacidade de refino total. A modelagem das plantas dessas novas refinarias, acrescidas da construída em Pernambuco (Rsnet), permitiria processar o petróleo mais pesado produzido em alguns campos produtivos do país que há algum tempo obriga um percentual de exportação de óleo cru.


Assim, na contramão do aumento de exportações, o Brasil segue com alta importação de derivados que incluem gasolina, diesel, GLP (usado nos botijões de gás), querosene de aviação e lubrificantes.


Por baixo, a estimativa é que a cada barril de óleo bruto exportado gasta-se pelo menos US$ 12 (cerca de R$ 45) a mais por barril de derivado importado. Dessa forma, segundo a ex-diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, essa diferença entre o que se deixa de refinar para importar foi de cerca de R$ 6,56 bilhões, fora os custos com logística e transportes.


Sobre a demanda interna, um estudo da EPE prevê que o Brasil deverá demandar importação em  de 213 mil barris por dia só de óleo diesel em 2027. Por essas informações fica evidente que o Brasil tem sim necessidade de investir em novas infraestruturas de abastecimento, incluindo a construção de refinarias. Hoje a capacidade de refino do país é de 2,4 milhões de barris por dia, sem acrescentar o Comperj que tem previsão de entrar em funcionamento no início do segundo semestre do ano que vem.


No meio de toda essa realidade, o atual governo quer vender refinarias do Norte/Nordeste e Sul do país, pertencentes à Petrobras e com mercado garantido no país, para petroleiras estrangeiras. 


Vale dizer que essa etapa da cadeia produtiva do petróleo é a que mais se apropria da renda petroleira

- constituída em toda a sua extensão - quando se tem o mercado garantido como é o caso brasileiro.

É necessário e urgente rever esse processo. São poucos que conseguem compreender essa realidade. Porém, é necessário manter o esforço para traduzir, de forma mais simples e compreensível, essa complexidade que atinge a nação e o nosso povo.


Roberto Moraes

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