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Em evento, vice de Bolsonaro recebe juiz que manteve Lula preso



Durante evento público no Clube Militar, o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, desembargador Thompson Flores, que manteve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preso, e o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL), trocaram gentilezas e se trataram como "amigos". O juiz de 2ª instância foi convidado para dar uma palestra na instituição sobre o "Poder Judiciário na conjuntura da política nacional". Em sua fala, Flores citou o caso Watergate para lembrar que autoridades foram presas e a "República não veio abaixo”.


Em julho, o desembargador do TRF4 Rogério Favreto deu uma decisão para soltar Lula em seu plantão judiciário. Seu colega de Tribunal João Pedro Gebran Neto soltou determinação em sentindo contrário. O presidente do TRF4 decidiu a questão pela manutenção de Lula preso.


Nesta segunda-feira (20), o desembargador deu palestra para cerca de 60 militares. Foi recebido por Mourão com a classificação de "meu dileto amigo". Ao final da palestra, o magistrado agradeceu ao general Mourão "estimado amigo" e, em seguida, recebeu um presente do militar.


"O desembargador é meu amigo pessoal. É um homem que tem uma competência extrema na questão do direito. Acho importante para os integrantes do clube que eu trouxesse alguém. Porque fica muita dúvida [sobre questão eleitoral]", contou Mourão, que negou relação do convite com a decisão sobre Lula.


"Não, em absoluto. É uma questão de amizade minha com ele. Eu fui comandante no Sul, já o conhecia de outros tempos. Se não conheço as pessoas, trouxe alguém mais próximo." Anteriormente à palestra, os dois conversaram sobre reminiscências.


Thompson Flores não quis falar com jornalistas ao final da palestra. O Clube Militar é uma associação privada nacional, com sede no centro do Rio de Janeiro. Seu objetivo é atender oficiais militares e suas famílias com sedes recreativas espalhadas pelo país. Atualmente, é presidido por Mourão.


Durante sua palestra, o desembargador não tratou do caso Lula. Fez uma descrição detalhada dos procedimentos do caso Watergate, escândalo nos Estados Unidos que levou à queda do ex-presidente republicano Richard Nixon por envolvimento em investigação sobre o Partido Democrata.


Ao tratar do tema, lembrou que três ministros daquele governo norte-americano foram presos por perjúrio no caso. "Cumpriram pena e a República não veio abaixo", observou. E ressaltou que Nixon não era acusado de corrupção e peculato. O ex-presidente Lula foi condenado por corrupção passiva.


Após a palestra, Mourão defendeu a postura de Bolsonaro no debate da RedeTV! na última sexta-feira (17) quando este teve uma discussão com a candidata Marina Silva (Rede) sobre desigualdade salarial entre gêneros e segurança pública.


Segundo o candidato a vice na chapa, o presidenciável estava "no seu padrão" com falas intuitivas. Reclamou que o debate foi "meio raso". Mourão defendeu que salários de homens e mulheres devem ser decididos por méritos e, se elas forem mais competentes, devem ganhar mais.


"A instituição que eu pertenci ao longo 45 anos da minha vida as mulheres ganham igual aos homens. A minha mãe trabalhou fora a vida inteira, como professora. Isso é uma coisa normal. Se a mulher é mais habilidosa, mais competente, ela ganha mais. Se não é, ela ganha menos. Mérito vai traduzir isso, independente da pessoa ser homem ou mulher", analisou Mourão.


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