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Entendendo de uma vez por todas a Greve dos Caminhoneiros e seus possíveis desfechos

(Movimento Nova Pátria. 25 de maio de 2018)

A mão invisível do mercado também é uma mão leve.


Não se deixem enganar: a culpa da crise dos combustíveis, da sequência de aumentos nos preços da gasolina, diesel, etc., é das medidas atrasadas e neoliberais do governo Temer. Ao colocar gestores na Petrobrás (Pedro Parente, PSDB) subalternos aos interesses de mercado e dos acionistas privados da empresa, permite que estas frações burguesas pautem os preços dos combustíveis advindos de nossa gigante estatal.


Há bastante tempo, a Petrobrás tem sido alvo de rapina dos grandes conglomerados empresariais e setores burgueses que compram gordas parcelas de ações da empresa brasileira. Infelizmente, estes setores representam mais do que 40% (quase 50%) das ações da empresa, e pode ser entendido como um preparo de terreno para uma posterior privatização da empresa (algo que um novo mandato presidencial abertamente neoliberal ou até social-liberal pode fazê-lo).


Ao contrário do que os entreguistas querem fazer pensar, o aumento destes preços não tem nada a ver com “salvar a Petrobrás da roubalheira da empresa”. O faturamento da empresa já é bastante rentável e satisfatório para uma empresa que deve servir a interesses públicos, e mesmo nos tempos de maior dificuldade dela (devido à baixa do preço do petróleo no Mercado internacional, somado aos esquemas de corrupção de sabotadores internos) a empresa ainda conseguiu se manter de pé e continuar a crescer à níveis satisfatórios.


Então, por que diabos aumentar o preço de recursos tão essenciais à população? Para salvar a empresa de um suposto rombo que não existe? Está mais que óbvio que não é o caso. O aumento colossal destes produtos advém dos interesses dos acionistas privados em engordar seus lucros e encher seus bolsos.


Daí advém a raiz das mazelas da Petrobrás e do absurdo aumento do preço dos combustíveis: vem dos interesses privados de dentro da empresa estatal, e não os interesses públicos.


Quem pensa no bem-estar da população (ou, pelo menos, quem deveria pensar) é o Estado, o mercado só quer lucro! Recentemente sentimos mais forte essa variação de preço pois a Petrobrás foi deixada à mercê do valor do petróleo no Mercado Internacional e a cotação do dólar. Sem o braço firme do Estado, para amortecer essas oscilações de preço, esses valores sobem montanhas para garantir o lucro dos acionistas.


Em momentos de grande disputa de um fato político, como estamos vivenciando, serve-se a certa esquerda o alerta: ninguém nasce politicamente conscientizado. Devemos tomar a orientação de justamente atuar em cima de trabalhadores que ainda insistem em ideias reacionárias, ou que podem estar suscetíveis a elas (de certo modo, por culpa da própria “esquerda”).


Por isso, algumas considerações devem ser feitas sobre a greve dos caminhoneiros que assola o país com uma crise de falta de abastecimento e fechamento de trânsito por todo Brasil. Para nós que defendemos os trabalhadores, quando nos deparamos com uma classe buscando melhorias através de greves é legítimo e com total certeza terão nosso apoio.


Mas no torno do terceiro para o quarto dia dessa greve – ou “locaute”, abordaremos logo mais a validade desta atribuição (ou não) – vários textos de conjunturas apressados vieram a viralizar nos debates de esquerda apontando um “claro” caráter patronal e golpista dentro dessas reivindicações.


Acham estranho que uma classe que, segundo eles, é “inerentemente atrasada e conservadora”, um povo que há pouco chamou estudantes que ocuparam escolas e faculdades de vagabundos; chamou professores que reivindicaram melhorias salarias e estruturais de vagabundos; um povo reacionário que não faz muito tempo estavam aos gritos golpistas e machistas diante da última presidente eleita; possam por meio da mobilização reivindicar um direito ou melhoria autonomamente.


Estranham que trabalhadores possam se organizar de forma orgânica e sem objetivos obscuros ou pintados com um grande plano no final. É certo que quando Romero Jucá falou “grande acordo nacional […]” ou “em estancar a sangria”, ficou para nós a sensação de completa harmonia e organização operacional das elites brasileiras.


Bem, não é assim.


Não são onipotentes ou onipresentes, e sabe essa acusação de que existe uma classe inerentemente “atrasada e conservadora”? Bem, ela foi afirmada há muito por um jovem Marx, e isso para ele é o status quo das coisas e é em cima disso que temos que trabalhar, não a tomar como um empecilho e um ponto de recuo ou desmerecimento. Afinal, “a ideologia dominante de uma época é a ideologia da classe dominante desta mesma época”.


Mas bem, será que a greve dos caminhoneiros é politicagem de gente grande? Vamos considerar alguns fatos agora.


1) Sobre a caracterização de Locaute


Locaute é uma prática proibida na ordem jurídica brasileira. Se trata de um embargo feito a partir dos empregadores impedindo os empregados de trabalhar ou ter acesso aos instrumentos de trabalho. É feito no sentido de desmobilizar, frustrar alguma negociação ou dificultar o atendimento de reivindicações dos respectivos empregados (Lei nº 7.783/89,17).


Não havendo disputa entre empregado e empregador, é uma análise Ingênua ou maliciosa que nós considerássemos essa greve como locaute.


Essa questão de ser locaute ou não é um ponto polêmico. Existe uma parte da esquerda que está toda alinhada ao discurso que existe uma greve entre aspas, que essa só está corroborando o discurso das elites e dos empresários. Esse tipo de discurso é reducionista e preguiçoso, deixando passar uma clara oportunidade de verdadeiros revolucionários se aproximarem de uma classe tão importante para a circulação do Capital (a greve está aí para provar essa importância).


Existe sim uma diferenciação nítida entre as pautas levantadas pelos caminhoneiros e pelas transportadoras. O que pode ser considerado uma tentativa de desvirtuar as pautas autônomas dos caminhoneiros para a geração de mais lucro aos empresários.


É nesse campo que acreditamos que deve haver disputa, porque o caminho apontado pelas transportadoras aos trabalhadores é vazio e com o único objetivo de aumentar o lucro para as elites, e não um caminho para melhorar a qualidade de emprego desses.


2) O caráter econômico e não-político da greve e as disputas de interesses


Acusações foram jogadas ao vento de que o movimento tem lideranças e segue-se os interesses próprios dessas.


Lembramos então que as transportadoras só aderiram à greve em seu terceiro dia, e antes disso ela era predominantemente autônoma. Não existe um sindicato único, mas sim representações que foram tomando corpo sem nenhuma legitimidade de “representar todo o movimento em si”, e sim por representar as reivindicações de melhorias objetivas dessa classe.


E é nesse campo onde a disputa se vale mais.


Essas melhorias objetivas reivindicadas pelo grosso dos caminhoneiros passam longe de qualquer pedido de intervenção militar ou alguma bobagem desse tipo. Não se pode negar que sempre vai haver tomates podres em um pomar, e até jogam mais tomates podres de outros pomares nele, mas isso não é o suficiente para nos afastarmos das reivindicações econômicas de um setor explorado.


Esse é um claro sinal que as esquerdas com suas fobias acabaram esquecendo como se dialogar com o povo.


Dizem que a greve dos caminhoneiros é ensaio para um golpe militar. Talvez seja, quem sabe do futuro? A história acontece agora. Mas os caminhoneiros não são militantes, não vão paralisar aos gritos de “vem Lênin, é agora a revolução!”. A narrativa dominante entre essas pessoas é a da direita e isso pode descambar muito bem em medidas que beneficiam apenas os patrões, ou num pedido de privatização da Petrobrás, mas cabe à esquerda disputar espaço e buscar uma situação de greve geral, e não de se cagar toda (Paulo César Gois).


É uma greve de caráter economicista, tanto que sua pauta objetiva é apenas o preço do óleo diesel, e o dever das esquerdas é assim sendo elevar esse caráter específico a uma luta de caráter mais geral, assim como de elevar essa greve puramente de caráter econômico à uma greve de caráter político, e se necessário, a uma greve de caráter revolucionário.


As possibilidades de realizar isso, obviamente, não estão puramente na “nossa vontade”, mas numa soma entre a configuração material dada e o ímpeto da esquerda revolucionária em agarrar as possibilidades dadas.


3) Entendendo a reivindicação econômica dos caminhoneiros


Como foi dito no ponto anterior, o ponto principal e mais objetivo da greve é o preço do óleo diesel. Vamos entender melhor essa reivindicação?


O valor do litro do combustível é dividido em: 36% de imposto; 55% o preço da refinaria; e 9% o valor do frete, lucro do posto e sua revenda. Isso levando em conta uma pesquisa dos dias 6 a 12 de maio de 2018.


Logo, o valor do diesel, as más condições das estradas (que levam a desgastes do veículo e isso leva a mais prejuízo ainda ao caminhoneiro), entre outros fatores, está ficando tão caro devido a dependência ao valor do petróleo no Mercado Internacional, ao preço do dólar, e aos interesses dos acionistas privados da Petrobrás, que cria uma configuração onde se torna não compensador realizar o frete.


4) Que fazer diante desta situação?


Os movimentos de direita, organizações de massas que recebem dinheiro gordo do imperialismo e do grande empresariado – tais como o Vem Pra Rua, o MBL e entre outros falsos patriotas que, se achassem vantajoso, venderiam o Brasil e a própria mãe – buscam instrumentalizar o movimento, sobretudo para submeter os grevistas aos interesses patronais, fazendo os caminhoneiros de buchas de canhões das transportadoras.


Os interesses desses movimentos é apoiar o patronato e cooptar os trabalhadores para as empresas de frotas de transporte a conseguirem absurdas isenções, subsídios e entre outros privilégios, por meio de pressão aos parlamentares e governantes. Deste modo, os interesses econômicos dos caminhoneiros, estariam sendo secundarizados, e os interesses econômicos do patronato seriam passados como os “interesses dos caminhoneiros em geral”.


É essencial, portanto, hostilizar esses interesses escusos, e repelir a intervenção desses movimentos no meio deste setor que começou as paralisações de forma autônoma.


Todavia, não são apenas os movimentos abertamente de direita que têm cometidos infortúnios dignos de críticas e denúncias. Setores da própria “esquerda” (se é que assim podemos chamar), estão generalizando “caminheiros” entre os trabalhadores que dirigem os caminhões e os donos de frotas de caminhões. Acreditam que não haja uma diferenciação de interesse entre um e outro, e que não existem intentos de disputa no seio deste setor.


Sua defesa apaixonada e pouco crítica das gestões petistas lhes geram um rancor com a categoria, na concepção de que “é uma categoria de golpistas e reacionários”, acreditando que as concepções do MBL, do Vem Pra Rua, e dos setores patronais deste setor dos transportes, são as mesmas concepções e motivações dos grevistas que iniciaram a greve de forma espontânea.


Esquecem que esta greve que já perdura praticamente 5 dias, só teve a adesão do patronato no terceiro dia, justamente com a intenção de cooptar e aproveitar-se de um movimento autônomo de trabalhadores.


Acreditam de forma cega que se não for um movimento de trabalhadores dirigido por seu partido conciliador, ou por suas centrais sindicais amarelas (pois hoje, é isso que elas são), então são necessariamente “fascistas e golpistas”.


Os caminhoneiros estão dando uma lição de combatividade recusando os sindicatos patronais e mantendo a greve mesmo quando os traidores representados nas associações oportunistas tentam conciliar com o governo.


Neste sentido, devido à cegueira mútua, recíproca e generalizada, entre os direitistas entreguistas que se acham patriotas e os conciliadores que se acham de defensores do trabalhador, nós, a esquerda combativa e anti-imperialista, devemos denunciar tal postura oportunista de ambos os setores: tanto dos que buscam cooptar os trabalhadores para interesses que não são seus, quanto dos que hostilizam trabalhadores facilitando o próprio trabalho de cooptação destas camadas pela direita e pelo patronato.


Solidariedade aos trabalhadores de frete e de caminhões!

Abaixo os intentos dos donos de frotas e transportadoras de cooptar os trabalhadores!

Abaixo o oportunismo da direita vende-pátria e da esquerda conciliadora!

Pela transformação da Greve Econômica em Greve Política!

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