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Há 50 anos, a ofensiva do Tet virava o jogo na Guerra do Vietnã

Atualizado: 22 de Ago de 2018

Os EUA foram levados ao conflito do Vietnã em decorrência da expulsão dos franceses da Indochina pela guerrilha liderada pelo veterano Ho-Chi-Mihn. Para evitar que o recém-criado Vietnã do Sul caísse sob o domínio do norte comunista, apoiado pela China, Washington tornou o corrupto e impopular governo de Saigon um satélite, enviando maciço apoio militar e econômico. Não foi o suficiente, e, em 1964, o Congresso autorizou o presidente Lyndon Johnson a enviar tropas para confronto direto, sem prévia declaração de guerra.


Os EUA já tinham então o mais poderoso Exército do planeta, e não parecia possível que o resultado fosse outro que não a vitória. Mas as tropas americanas foram engajadas em um tipo de guerra da qual não tinham experiência, uma guerra de selva, em ambiente hostil, contra um inimigo invisível e onipresente.


Os guerrilheiros vietcongues eram minuciosamente conhecedores do terreno, insensíveis ao desconforto e às privações, agindo sempre de surpresa, desgastando as forças americanas, impondo-lhes fortes baixas. A eternização de uma guerra sem sucesso minava o moral dos soldados americanos. Os EUA haviam sido vitoriosos em todas as suas guerras, sustentados pelo ardor cívico de suas populações. O público americano não compreendia as razões da guerra no Vietnã e desejava o seu fim.


Era o dia 31 de janeiro de 1968, véspera do ano novo lunar vietnamita, o Tet, quando se iniciaria o Ano do Macaco. A paz no Vietnã, garantia o general americano William Westmoreland, estava assegurada e a capitulação de Ho-Chi-Minh e dos vietcongues, os guerrilheiros vietnamitas, era questão de tempo. Mas numa inesperada e bem articulada operação, as forças comunistas aproveitaram-se da festa e atacaram as tropas dos EUA no Vietnã do Sul, num episódio que mudaria o rumo da guerra.


Na Ofensiva do Tet, cerca de 36 das 44 capitais provinciais e outras 64 cidades do Vietnã do Sul foram atacadas, mobilizando 80 mil soldados norte-vietnamitas e vietcongues. Os americanos viram sua teoricamente inexpugnável embaixada em Saigon ser tomada pelo inimigo, que resistiu por seis horas no prédio antes de ser vencido. Em Da Nang, onde ficava a maior base aérea americana, 30 aeronaves foram destruídas.


As forças americanas e sul-vietnamitas reagiram de maneira desesperada. A velha cidade imperial de Hue, ocupada pelos comunistas durante um mês, foi devastada pelos bombardeios. Mas foi na tentativa de retomada dos povoados do interior que se fez a barbárie. Na aldeia de My Lai, 500 civis desarmados, homens, mulheres e crianças, foram massacrados por soldados americanos, no dia 16 de março de 1968.


O massacre foi confirmado em 1969 em entrevistas à TV pelos os ex-soldados Varnado Simpson, Charles West, Ronald Ridenhour, cujas cartas ao Senado revelaram o massacre, e Paul Meadlo, que disse ter disparado umas 70 balas de seu fuzil e assassinado umas 15 pessoas, inclusive crianças por ordem do Tenente William Calley.


O presidente Johnson, convencido de que aquela era uma guerra perdida, ordenou a diminuição dos bombardeios a Hanói, para facilitar as negociações de paz que se iniciariam em maio em Paris.


No fim, a guerra foi perdida para os EUA, não nos campos de batalha, mas nos campus das universidades americanas e nos estúdios das TVs americanas.


Matéria original.

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