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Ilustradora abusada na infância é ameaçada de morte ao produzir personagem de HQ que aborda o tema

Essa é Juliana Lossio Guerra, de 24 anos, criadora da personagem Lily, uma heroína adolescente que combate assediadores, estupradores, assassinos de mulheres e pedófilos com seu próprio senso de justiça

Recentemente, determinadas mídias sociais conservadoras, passaram a expor a imagem da ilustradora, com interpretações que não fazem jus à artista, a associando a estereótipos como "feminista louca que quer exterminas todos os homens", sem contar as inúmeras ameaças de morte que a mesma tem recebido.


Juliana declarou que esses grupos chegaram a produzir ilustrações onde a personagem Lily era estuprada, como forma de difamar a imagem da personagem.


A ilustradora, teria sido abusada dos 9 aos 11 anos, assim como suas duas irmãs, por um primo mais velho, e fez da arte uma ferramenta, não só para lidar com um trauma pessoal, mas para motivar outras pessoas que passam por essa situação a seguir em frente.

Em seu Twitter pessoal a artista destacou:

"Estão me ameaçando de morte, de me agredir e de queimar meus desenhos por que criei uma personagem que mata estupradores e pedófilos. Só queria que vcs soubessem que: 1) mulher não pode reagir a violência masculina sem ser escorraçada. 2) mulher artista, resista"

No último dia 24, Juliana junto à uma advogada, encaminhou o caso para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para que os envolvidos nas ameaças sejam investigados e processados, civil e criminalmente.


Nota-se que esses grupos conservadores tentam desmerecer a HQ, afirmando que a personagem principal generaliza os homens em sua totalidade, atacando a todos sem exceção, exclamando o já conhecido discurso “Ah, mas nem todo homem...”.

De fato, essa narrativa torna-se invalida a partir do momento em que o machismo (assim como todas as outras formas de opressão vinculadas ao modo de produção) encontra-se como um elemento vital na superestrutura social, que garante a preservação do status quo, ele se faz presente em nosso meio, independente da perspectiva que terceiros têm a cerca do assunto. Sendo assim, o machismo se configura como um lastimável fato social, um dos mais antigos por sinal. Deixemos que o próprio Engels fale a respeito.

“E hoje posso acrescentar: o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre homem e mulher no casamento monogâmico, e a primeira opressão de classe coincide com a do sexo feminino pelo sexo masculino” - A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, Friedrich Engels, 1884

É importante salientar que tais discursos, não diminuirão o fato de que as estruturas de

poder alimentam uma sociedade machista, contribuindo para que nós, mesmo

inconscientemente, reproduzamos atos machistas.


Logo, absorver certos costumes, certa concepção de mundo, certos dogmas, é algo inerente ao ser social, principalmente na atual sociedade capitalista que visa ao máximo não desenvolver um senso crítico nos indivíduos. Quando você integra uma categoria social privilegiada nessa sociedade hierarquizada, você é beneficiado na grande maioria dos casos, mesmo que se isente de reproduzir traços comportamentais opressivos.


Uma pessoa branca pode ser contra o racismo, mas ela tem que ter em mente também que isso não exclui o fato da mesma possuir certos benefícios, assim como heterossexuais podem ser contra a homofobia, porém isso não descarta o fato de que heterossexuais são mais beneficiados.

E obviamente que isso se enquadra nas questões de gênero, onde o homem mesmo não sendo machista, e mesmo não se enxergando como um agente ativo dessa forma de opressão (que ocorre quando os mesmos necessitam afirmar a todo instante que não reproduzem traços machistas), ele ainda é, na maioria dos casos, beneficiados nas atuais estruturas sociais, e é daí que surgem as generalizações.


Tendo em vista, que na questão do tema “crimes sexuais”, abordado pela ilustradora, há uma clara predominância nos atos cometidos por homens, não é de se espantar que os mesmos acabem ganhando destaque no que tange o combate à crimes desse caráter.


Oscar Xavier

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