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Lamentavelmente, o bolsonarismo determinará qualquer das duas possibilidades de futuro do Brasil.

Atualizado: Ago 8

Nota do movimento Nova Pátria por ocasião do 2º turno das eleições de 2018

(Movimento Nova Pátria. 14 de outubro de 2018).

Apesar de certa expressividade do projeto de Ciro Gomes, o resultado do 1º turno foi lamentável nos seguintes aspectos:


Primeiramente, a candidatura nacionalista com um verdadeiro projeto de nação, de teor nacional-desenvolvimentista, infelizmente, não conseguiu ultrapassar a candidatura petista no primeiro turno, ocupando a terceira posição.


Em segundo lugar, é lamentável também a ascensão vertiginosa do candidato Jair Bolsonaro, sustentada pela manipulação das emoções e das informações nas redes sociais de seus eleitores (de uma forma que daria inveja ao Goebbels, ministro de propaganda do regime nazista), bem como pelas falhas da própria esquerda brasileira.


Em nota publicada anteriormente por nossa organização, já havíamos alertado a todos quais seriam os prováveis frutos da estratégia petista. Insistiram na candidatura de um político sem liderança e pulso firme, na crença que o simples uso de Lula como cabo eleitoral poderia emplacar Haddad no 1º turno ou fazê-lo ter uma vitória segura no 2º turno. Além de subestimarem o nível crescente do antipetismo, subestimaram o poder da rede de notícias falsas e não quiseram pensar num projeto alternativo ao próprio hegemonismo do PT.


É importante deixar claro: o PT fez de tudo para obstruir a candidatura de Ciro Gomes que, ao nosso ver, era o único capaz de derrotar Bolsonaro e tirar o país da “beira do abismo” como hoje se encontra. O PT preferiu sacrificar o país e entregar o povo brasileiro às garras da reação neofascista do que permitir que um outro líder de esquerda, com um projeto mais avançado que o seu pudesse triunfar, e isto tudo para continuar tentando manter a sua cada vez mais combalida hegemonia dentro da esquerda brasileira. Agindo assim, está levando a si próprio e o resto da esquerda e o país como um todo para o precipício.


A insistência da cúpula do partido em tentar emplacar um social-liberal como Fernando Haddad, fez o primeiro turno de 1989 se repetir, naquela época com Collor, Brizola e Lula, hoje retomado como um eco em 2018 por Bolsonaro, Ciro e Haddad.


As semelhanças com 1989, a exemplo das candidaturas divididas e pulverizadas, e de um primeiro turno com um candidato do PT ofuscando um candidato do PDT, nós já sabemos, mas é bom ressaltar, as diferenças. Naquela época o candidato que confrontou o PT e PDT foi um neoliberal num período da redemocratização, hoje, o candidato que se contrapõem ao PT e PDT é um ex-militar, que ainda tendo um projeto neoliberal, tem uma plataforma política completamente antidemocrática e insufla, por si só, grupos conservadores de Direita e de Extrema-Direita, tais como: a Frente Integralista Brasileira (FIB), os Carecas do Brasil, Carecas do ABC, além de outros agrupamentos reacionários e antidemocráticos que estão se formando.


Ainda que sua candidatura e ele próprio tente se livrar da associação ao fascismo, e de seus filhos alegarem que “nazismo é de esquerda”, os grupos neofascistas e neonazistas (mais fortes em São Paulo e em estados do Sul, mas presentes também em outras regiões do Brasil), possuem uma evidente simpatia por sua candidatura e ganham mais força com seu crescimento.


Fenômeno parecido nos EUA: os atuais adeptos do Klu Klux Klan, os neonazistas e racistas saudosos dos Confederados Escravistas, possuem uma relação mais ou menos orgânica com grupos neoconservadores que dizem “não ter nada a ver com o nazismo” e tais ideologias nefastas.


O bolsonarismo, igualmente, consegue ser uma síntese de tudo, encorpando e dando força política aos grupos de ódio, sem que o seu próprio “líder” se comprometa diretamente com tais grupos. Ainda que tenhamos casos de neonazistas de São Paulo puxando manifestações pró-Bolsonaro [1], e tenhamos trocas fraternas de correspondências entre Bolsonaro e grupos neonazistas de Minas Gerais [2], o bolsonarismo consegue se blindar dessa associação devido a verdadeira lavagem cerebral realizada na mente de seus apoiadores sobretudo por meio de uma poderosa cadeia de desinformação numa grande rede de grupos fechados de Whatsapp.


Os grupos reacionários que ganham força com o bolsonarismo, além de intimidarem e perseguirem politicamente pessoas que eles identificam como "esquerdistas" (de simples críticos do bolsonarismo, até qualquer pessoa que esteja trajando vermelho), aprofundará, também, a já existente violência contra minorias sociais (sobretudo aos homossexuais, mas também à negros, moradores de ruas e entre outros grupos). Eles mesclarão suas frustrações pessoais com seu ódio irracional (alimentado pela homofobia, pelo racismo, pela misoginia, etc.) e acrescentarão à essa equação motivações políticas torpes, usando Bolsonaro como muleta ideológica.


A partir da compreensão disto, podemos ter em mente qual será o cenário no Brasil para os próximos anos, seja lá qual for o resultado eleitoral neste final de outubro.


NO CASO DE VITÓRIA DE JAIR BOLSONARO


Numa vitória de Jair Bolsonaro, teremos a vitória de uma candidatura da extrema-direita por via das urnas.


Sabemos que parcelas da população votam nele por um suposto “discurso de mudança”, por “mais segurança”, por uma certa indignação – muitas vezes legítima – com o “sistema”, porém uma indignação muito mal orientada.


Mas igualmente sabemos que há sim, massivos setores reacionários que votam com certa "coerência". Estes são, sobretudo, os grupos de direita que votavam timidamente no PSDB por “ser o único partido contra o PT”, mas almejavam um grupo de direita ainda mais reacionário e odiento, tendo em vista que o partido tucano seria “moderado demais” ou, segundo alguns, até “de esquerda” (!?).


Bolsonaro entraria no governo com uma rejeição alta, mas, igualmente, com uma preferência eleitoral alta. Seria um candidato “da mudança”, contra a antiga polarização entre PT e PSDB. Quanto ao caos causado pelas medidas de austeridade iniciadas parcialmente no governo Dilma e aprofundadas a todo vapor (com o apoio de Bolsonaro) pelo governo Temer, o Bolsonaro ficará blindado nos primeiros anos.


O Teto de Gastos nos investimentos e custeios, o caos na segurança e saúde, além dos níveis de desemprego, causarão problemas, mas todavia não serão associados primeiramente ao Bolsonaro, e sim aos “governos vermelhos e corruptos do passado” (ainda que ele tenha apoiado todas essas medidas como deputado, e as mantenha como presidente).


O aprofundamento da reforma trabalhista com a “nova” carteira de trabalho, somado a reforma da previdência que irá impor que policiais (civis e federais), professores e outros trabalhadores tenham que prestar 45 anos de trabalho para receber uma aposentadoria integral, criará, com o tempo, os primeiros passos de um cenário de desgaste do "mito".


Além disso, teremos a possível privatização de várias estatais e a continuação do sucateamento dos Correios. Teremos a possível privatização da Chesf e a entrega e esfacelamento da EMBRAER. A Petrobrás que nos gera grandes divisas ao Estado brasileiro (permitindo que o Estado não sufoque mais ainda o povo brasileiro com tributações maiores do que a já existente), serão entregues, sendo repartidas ao capital estrangeiro.


Por tudo isto, os primeiros anos de Bolsonaro poderão ter ainda uma blindagem, e essa carapaça será reforçada pela rede de desinformação dos seus asseclas. No entanto, não haverá “blindagem” que se sustente diante de um povo em penúria, com os setores públicos mais essenciais entrando em esfacelamento.


Um povo marcado pelas chagas do descaso na saúde, segurança e educação (no Teto de Gastos que ele apoiou e apoia), marcado pelo desemprego, pela fome e pela retirada avassaladora de direitos, não vai ser controlado com uma mera corrente de Whatsapp sobre supostos kits gays ou mamadeiras com órgãos sexuais.


Por isso, é quase certo que a rejeição (já alta) de Bolsonaro tenda a aumentar na segunda metade de seu mandato, causando uma situação de instabilidade.


Existem algumas possibilidades do que viria nessa situação instável. Infelizmente, nenhuma delas é bastante favorável a nós, dado o nível de desarticulação da esquerda e do movimento nacionalista e popular. As duas possibilidades mais prováveis são:


1) Mourão aproveitará a deixa (como ele já tem há bastante tempo demonstrado), para se tornar o presidente, aproveitando-se de sua articulação e inserção no meio militar, contrapondo-se ao “despreparado Bolsonaro”, como um militar “realmente articulado e preparado”. Dado a leitura de Mourão sobre o “caos”, ele provavelmente implementaria um “autogolpe” (como já admitiu fazer em entrevistas), podendo impedir até mesmo as eleições de 2022.


2) Bolsonaro recrudescerá as leis (mais do que já irá fazer nos primeiros momentos de seu governo), se protegerá das articulações e possíveis rasteiras do General Mourão e, ele próprio, deverá implementar um “autogolpe”, também podendo impedir as eleições de 2022 tendo em vista uma suposta “situação de caos”.


Dado o fato de que Bolsonaro não se projeta como um estadista, e a sua força se baseia unicamente no apoio de uma certa base social (bastante volátil), é mais provável que ele perca espaço, e tal como uma corrente de whatsapp que cresce rápido, ele decrescerá rápido também. Assim, tanto pelo que já citamos acima, quanto pelo fato do General Mourão se enxergar como um superior ao "Capitão", a primeira possibilidade é mais provável em relação à segunda.


Se tudo dependesse unicamente de Mourão, essa rasteira política ocorreria mais rapidamente, todavia, Mourão sabe que é necessário esperar o momento certo, que é quando o "símbolo" Bolsonaro perder força dentro do próprio fenômeno bolsonarista.


NO CASO DE VITÓRIA DE FERNANDO HADDAD


A vitória de Fernando Haddad também não nos oferece um cenário tão otimista. Ainda que represente uma vitória eleitoral contra o fascismo, não necessariamente essa vitória eleitoral se converterá numa vitória política.


A votação em prol de Jair Bolsonaro no 1º turno foi fortíssima, todavia seus asseclas continuaram a endossar o discurso de “fraudes das urnas” e “fraudes eleitorais”. Eles sabem que a vitória do Bolsonaro é bastante possível, mas ainda assim, querem garantir um “plano B” caso o bolsonarismo não vença as eleições. Este plano B, obviamente, é a deslegitimação do resultado, caso Haddad seja eleito.


Já está clara qual a ordem vigente do imperialismo e qual as únicas alternativas que eles estão dispostos a aceitar: 1) Bolsonaro deve vencer e Haddad deve perder! 2) Caso Haddad vença, ele não deve assumir! 3) Caso Haddad assuma, ele não deve governar!


O bolsonarismo tomará as ruas até o final do ano, com manifestações, muitas das quais insufladas por think tanks (como o MBL), grupos de extrema-direita farão presença e endossarão as fileiras de tais atos, a exemplo da Frente Integralista Brasileira (FIB), dos Carecas do Brasil e outros grupos neofascistas. Isto, além do “manifestante comum” manobrado por todos esses grupos e pela grande rede de desinformação.


Caso Haddad consiga assumir o governo ainda nestas circunstâncias, assumirá o Estado brasileiro numa das maiores crises de sua história, e o ônus de todos os males do país serão associados, mais uma vez, ao PT, não só pelos governos passados, mas também pelo atual mandato. Haddad se encontrará em uma situação onde é necessário ter um pulso e a fibra de um grande líder nacional caso não queira ser derrubado. Considerando que o mesmo é um intelectual da USP, um dos mais liberais dos petistas, o mesmo que possui um nível de articulação política para resistir a um golpe semelhante a uma Dilma (todo o contrário do que se espera de um estadista ou de um “Príncipe de Maquiavel”), o cenário provável é que Haddad realize recuos e seja engolido pela onda golpista.


Desta vez o golpe não será protagonizado pelo parlamento com o auxílio de um vice como Temer. O golpe será realizado com uma tutela militar muito maior que em 2016, contará com a impugnação de toda a chapa (retirando Haddad e Manuela d’Ávila), e colocará a extrema direita no poder executivo por força das armas ou de uma eleição realizada pelo congresso (caso o golpe ocorra após 2 anos de mandato).


A RESISTÊNCIA AO BOLSONARISMO


Independentemente do resultado eleitoral, o bolsonarismo, enquanto um fenômeno político e social (que vai muito além do Bolsonaro), já foi vitorioso politicamente, ainda que não tenha ganhado eleitoralmente (ainda).


Isto é uma lástima, mas precisa ser dito e não poderá ser omitido pelas forças políticas de esquerda. Esconder tal fato é ser desonesto com a militância política que pode se frustrar em suas expectativas, e ser desonesto com o próprio povo brasileiro que sofrerá as maiores penúrias nos próximos anos.


Em qualquer dos dois cenários eleitorais possíveis (e ambos são possíveis), as forças neofascistas e antidemocráticas tomarão as ruas e, provavelmente, o poder político.


Infelizmente o projeto nacional-desenvolvimentista que possuía mais chance de resistir a tais intentos golpistas (não só no 2º turno, mas no próprio poder executivo ao assumir o cargo) não conseguiu emplacar para o segundo turno. E as tarefas de resistência para toda a esquerda serão ainda mais difíceis e mais árduas.


É necessário mais do que nunca, se contrapor a tudo que o bolsonarismo representa, mas mais do que isso, é necessário se organizar politicamente e traçar estratégias de resistência. Para algumas pessoas e organizações políticas, isso pode ser vital para a nossa própria sobrevivência.


O projeto político bolsonarista é um grande perigo ao Brasil, não só pela figura de Jair Messias Bolsonaro, mas por tudo que ele carrega consigo em sua "base social", e também pelo risco maior que representa o seu vice-presidente que, não é apenas um golpista adepto da ditadura, mas é alguém que admite a possibilidade de golpear o presidente de sua própria chapa presidencial; isto além do fato de Mourão ser mais bem articulado no meio militar e empresarial do que o próprio Jair. Se este tipo de projeto for referendado nas urnas, e com ampla vantagem, o fascismo terá uma desculpa de "legitimidade institucional", e não precisaria comprar o desgaste de uma ruptura (como um golpe militar). Por isso o movimento Nova Pátria aponta o voto crítico no Haddad para nos contrapormos ao projeto eleitoral do fascismo.


Apesar disto, compreendemos que o traçar de uma estratégia de resistência realmente efetiva não está na tática política adotada pelo petismo e pela esquerda eleitoral de maneira geral (pelo contrário!). Para tanto, convocamos a todos que se articulem e tracem estratégias para além das eleições. A política "não institucional" será o verdadeiro palco do conflito de interesses que nos espera, e é nela, mas do que em qualquer outro espaço, que nós devemos focar as nossas atenções.


Para tanto, preciso não abaixar a cabeça de forma triste e melancólica, mas levantá-la e transformar o lamento em ódio aos inimigos do Brasil. E é por isso que convocamos os jovens, os trabalhadores, os verdadeiros patriotas preocupados com o futuro desse país a conhecerem o movimento Nova Pátria e a se dedicarem as seguintes sete recomendações:


1 – Superar o desânimo e o cansaço!

2 – Estudar a realidade brasileira mais e melhor!

3 – Se preparar fisicamente mais e melhor!

4 – Realizar ações de conscientização popular!

5 - Defender a formação de Comitês de Autodefesa!

6 - Promover a unidade contra fascismo

7 – Se ORGANIZAR no movimento Nova Pátria!


Para nós é muito claro que apenas a adesão a esses pontos e o seu cumprimento com uma disciplina impecável, é que podem evitar décadas de caos e regressos ao povo brasileiro.


Ingressar nas fileiras do movimento NOVA PÁTRIA!

Resistir e combater a ameaça do fascismo!

Lutar por um governo nacional, popular e democrático!

★ Pela libertação de nossa Pátria! ★

[1] https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2011/04/06/neonazistas-ajudam-a-convocar-ato-civico-pro-bolsonaro-em-sao-paulo.htm

[2] https://www.noticiasaominuto.com.br/politica/434119/ministerio-publico-investiga-relacao-de-bolsonaro-com-grupo-neonazista

http://www.diarioonline.com.br/noticias/brasil/noticia-443984-ministerio-publico-investiga-relacao-de-bolsonaro-com-grupo-neonazista.html

http://www.folhadedourados.com.br/noticias/brasil-mundo/mpf-vai-investigar-ligacao-entre-neonazistas-de-mg-e-bolsonaro

https://www.metropoles.com/brasil/politica-br/jornal-britanico-cita-bolsonaro-em-materia-sobre-neonazismo-no-brasil

https://forum.outerspace.com.br/index.php?threads/jair-bolsonaro-psc-rj-trocou-carta-com-neonazista-preso.452423/

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-ligacao-de-bolsonaro-com-neonazistas-e-a-carta-que-ele-mandou-para-um-grupo-deles-em-mg-por-eduardo-reina/

https://www.youtube.com/watch?v=SKQ72bKFAwM

https://www.otempo.com.br/cidades/neonazista-de-belo-horizonte-%C3%A9-condenado-pela-justi%C3%A7a-1.1296063


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