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Marx e Engels: O comunismo é a tomada controle, por parte dos homens, sobre a história e a sociedade

Atualizado: 19 de Dez de 2019

(Bruno Torres, 28 de fevereiro de 2018).

É bastante conhecida a máxima de Marx e Engels de que, as pessoas fazem a história (e de que o indivíduo é dotado de ‘escolhas próprias’), todavia, onde esta história construída ativamente pelos homens (e estas escolhas dos indivíduos) estejam submetidas a um quadro geral de condições concretas já dadas.


Ou seja, os homens até agora, fizeram escolhas e ‘construíram a história’ segundo, parcialmente, seu arbítrio, mas estavam submetidos a condições e limites de escolhas do qual eles nem mesmo possuíam consciência de tal!


Esta ‘descoberta’ de Marx e Engels aplica-se a toda história humanidade, do atual período de hegemonia do capitalismo a todos os períodos anteriores (como na Idade Média e nas antiguidades).


Todavia, há algo que pode fazer os homens quebrarem essa barreira, essa limitação histórica. Isto é, há algo que pode fazer com que a humanidade – em união – possa construir a história e “conscientemente”, ultrapassando a atividade histórica “inconsciente”.


Isto significa que Marx e Engels “descobriram” não só que certos períodos históricos não tinham consciência das etapas anteriores da história, nem de como as etapas anteriores ajudaram a alicerçar as bases da sociedade atual (como por exemplo os feudaus que não tinham consciência da influência da sociedade escravista na Idade Média, ou dos burgueses que não tem consciência da influência dos eventos históricos medievais na modernidade capitalista), COMO TAMBÉM descobriu que pode haver uma etapa histórica em que esse “desconhecimento” sobre as contribuições do passado, e essa “não consciência” sobre as consequências de nossos atos sobre o futuro (até certa medida, claro) pode ser posta a fim!


Como Marx e Engels no diz:

“O comunismo distingue-se de todos os movimentos anteriores por transformar radicalmente a base de todas as relações de produção e de intercâmbio anteriores e por tratar CONSCIENTEMENTE, pela primeira vez, todas as premissas naturais como criaturas dos homens anteriores, por despi-las da sua naturalidade e submetê-las ao poder dos indivíduos unidos”. (A Ideologia Alemã, 1846)

Ou seja, todas premissas que anteriormente os homens colocavam como “naturais” ou “eternas”, como por exemplo, os “sagrados estamentos medievais” (“você, seu filho e seus netos, estão destinados a serem servos por todo o sempre”), ou a “natureza humana egoísta” (“ah, mas é impossível o capitalismo acabar por causa da natureza humana”), são tratadas, pela primeira vez na história, como criações e simulacros dos próprios homens.


Não só isso, mas também as contribuições materiais das sociedades anteriores (os desenvolvimentos técnicos da agricultura no feudalismo, e os desenvolvimentos técnicos mais avançados ainda no capitalismo) são vistos como criações humanas sob um determinado estágio de desenvolvimento humano. Não são “terras que Deus forneceu”, nem “máquinas estranhas do qual sou pago para operar”.


O comunismo, portanto, fornece as bases para que a humanidade conceba a história (passado) de forma consciente, e também fornece a base para que a humanidade olhe a história que ainda será construída (futuro), também de forma consciente.


Marx e Engels continuam:

“A sua instauração [a instauração do comunismo, isto é, da verdadeira fraternidade da humanidade a partir da superação das classes] é, por isso, essencialmente econômica, a produção material das condições desta união; ela faz das condições existentes condições da união”. (A Ideologia Alemã, 1845)

Neste trecho acima, eles pontuam que para se chegar a este estágio, obviamente, é necessário que se construam condições materiais para tal. Que tal nível de relação ‘livre’ não pode ser obtida por mera ‘vontade dos homens’, mas tão somente de condições materiais que devem ser desenvolvidas.


Como sabemos, o capitalismo proporciona parcialmente estas condições materiais, mas é o socialismo que a eleva para este rumo. Não a toa, o nome da transição à este estágio superior é ‘socialismo’.


Antes disto tudo, como Marx e Engels já demonstraram, os homens, mesmo que façam a história e possuam alguma opção de escolhas, não só não tem muita consciência do seu passado, como também não possuem controle nenhum das consequências de seus atos para o futuro.


Os homens que desenvolveram sistemas de irrigação provavelmente não sabiam o poderio que criariam nos regimes do Antigo Egito. Os homens que descobriram o ferro e desenvolveram a fundição provavelmente não sabiam dos impactos que isto teria na comunidade tribal e no futuro surgimento das sociedades escravistas. Os burgueses que se colocaram de forma revolucionária contra a aristocracia da terra não imaginavam que hoje, seus herdeiros, conformariam a hegemonia global do sistema imperialista.


Os grandes “atos” tem sido cometidos ao longo da história, sem que os agentes que cometem estes mesmos atos, tenham noção de suas consequências futuras.


Ou seja, ao longo de nossa história, a REALIDADE tem sido “incontrolável”. Ela é incontrolável não só para o grosso da humanidade, como também para as próprias classes dominantes de cada época, do qual nunca conseguem controlar tal realidade social de forma plena.


A realidade histórica, portanto, tem sido uma realidade sem controle, por parte dos homens. O comunismo, todavia, é justamente o movimento que cria as condições para a existência desse controle. Isso é: só o comunismo pode trazer para as mãos da humanidade (isso é, dos homens em união) o controle sobre a realidade, dotando os homens de consciência sobre seu passado e, em alguma medida, sobre nosso futuro.


Marx e Engels continuam a tratar sobre essa questão no seguinte trecho:

“A REALIDADE que o comunismo cria é precisamente a base objetiva para TORNAR IMPOSSÍVEL que essa realidade seja ‘independente’ dos indivíduos” (A Ideologia Alemã, 1846).

Ou seja, se em alguma medida o desenvolvimento histórico, o desenvolvimento de certas organizações da sociedade, é um desenvolvimento do qual os indivíduos ao longo da história não tiveram controle algum, onde ela era, portanto ‘independente’ da vontade dos homens, sob o comunismo esta dinâmica será um pouco diferente.


Sob o comunismo, haverá a criação de uma realidade, uma base objetiva que tornará impossível – nas palavras dos próprios Marx e Engels – que esta mesma realidade, seja ‘independente’ dos homens livres, da humanidade emancipada, dos indivíduos em união.


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