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Militarismo e religião marcam as guerras culturais no Brasil



Desde os anos 1990, os Estados Unidos viram temas “morais” como o controle de armas, a legalização da maconha e o casamento gay ganharem centralidade no debate público, ao ponto de se tornarem os elementos chave que dividem o campo político.


À oposição original entre liberais que defendem o livre mercado e socialistas que defendem a intervenção do Estado somou-se outra: aquela entre conservadores que defendem uma autoridade tradicional que puna o desvio da norma e ‘progressistas’ que preconizam uma autoridade diluída e valorizam a diversidade.


Cientistas sociais deram a essa nova disputa o nome de “guerras culturais”.


As pesquisas realizadas nos últimos anos descobriram algumas coisas sobre as guerras culturais. Elas não se estendem ao conjunto da sociedade, mas estão circunscritas àqueles 10% ou 15% que se dedicam a debater assuntos políticos fora do Estado.


Embora tenham raízes mais distantes, as guerras culturais parecem mais imediatamente ligadas à reação de setores conservadores às mudanças nas relações interpessoais trazidas pela contracultura e pelos movimentos feminista, negro e LGBT desde os anos 1970.


Por esse motivo, não é exatamente apropriado falar de uma ascensão conservadora, mas de uma reação conservadora.


Embora tenha sido nos Estados Unidos que o fenômeno foi primeiramente notado, ele parece ter se difundido pelo mundo.


No Brasil e em outros países latino-americanos, o conservadorismo das guerras culturais se enganchou com a nossa odiosa tradição militarista, essa disposição violenta e punitiva, de inspiração militar, contra a delinquência pobre e contra qualquer um que desvie da norma –todos chamados de “vagabundos”.


Ele também encontrou eco no conservadorismo católico e evangélico, sobretudo quando esses religiosos viram os avanços do feminismo e do movimento LGBT como ameaça ao conceito patriarcal e heteronormativo de família.


A crescente relevância política no debate brasileiro de temas como o assédio sexual, a redução da maioridade penal, o casamento gay, a “ideologia de gênero” e as cotas raciais mostra como mergulhamos fundo nas guerras culturais. Também o comprovam a ascensão eleitoral de Jair Bolsonaro, com um discurso militarista ultrapunitivo, e o crescimento do MBL, cuja ênfase da atuação política se afastou do liberalismo econômico e recaiu sobre temas morais como o regime semiaberto, o porte de armas e a escola sem partido.


É no palco deste novo mundo político, no qual a polarização em torno do PT se fundiu com a polarização das guerras culturais, que assistiremos à próxima eleição presidencial. A perspectiva não é nada alvissareira.


Matéria original.

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