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  • Camarada C.

Não conheço uma pessoa que tenha certeza de que Lula recebeu o tríplex



Não conheço uma única pessoa – nenhuma mesmo – que afirma ter certeza de que Lula recebeu o tríplex do Guarujá a título de propina com o objetivo de manter a nomeação, na Petrobras, de diretores que fossem capazes de facilitar a realização de negócios bilionários da petroleira com a empreiteira OAS.


Conheço algumas pessoas a afirmarem que há indícios que corroborariam essa versão da acusação (e eu mesmo não nego isso); mas certeza ninguém diz ter – e perguntei para vários indivíduos, inclusive a alguns militantes que se engajam aqui com uma postura antipetista e de comemoração à prisão de Lula. Outros, alguns poucos, falam ter certeza de que ao menos o tríplex pertencia a Lula – mas não se comprometem com a tese integral, segundo a qual se trataria de propina para o propósito de nomear diretores da Petrobras facilitadores de negócios com a OAS.


Ao revés, das que falei ao longo do tempo, as pessoas que conhecem minimamente esse processo admitem expressamente a possibilidade de que os fatos não tenham ocorrido dessa forma, ou que os indícios apontam também para outras hipóteses que não sejam essa. É claro, com essa publicação aqui certamente surgirá algum mala para apregoar “eu tenho certeza”, “fulano tem certeza”, “sempre tive certeza”.


E esse sujeito aparecerá porque parece haver espécie de cinismo coletivo quanto ao caso do tríplex, semelhante ao que vimos com as pessoas teatralmente se dizendo “estarrecidas” e “chocadas” com pinturas retratando atos de zoofilia no episódio do Queermuseum – quando na realidade não estavam nem aí para a questão; nunca estiveram, nunca isso foi a elas um problema moral real. A ampla maioria já tinha visto quadros em museus ou noutros locais, estampando cenas semelhantes. A irresignação consistiu somente em um jogral espontâneo, no qual cada militante entrava com sua voz para fazer coro, com o objetivo de formar uma aparência de que havia um grande número de insatisfeitos com a “assustadora” obra artística alusiva à “zoofilia”.


O caso do tríplex talvez seja isso: um fenômeno de cinismo associativo espontâneo ao qual militantes foram se integrando por motivos ideológicos. No fundo (ou nem tanto) ninguém acredita realmente na versão inverossímil e fantasiosa construída pela acusação – ainda que alguns finjam o contrário, para somarem-se na campanha pública de neutralização do acusado. Só não atesto a existência desse fenômeno, com segurança, porque tenho plena ciência das minhas limitações cognitivas: não tenho certeza, e não se mostra honesto fingir que a tenho.


Por Márcio Augusto D. Paixão.

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