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Não existe burguesia nacional no Brasil? Alguns comentários e dados sobre o assunto

(Bruno Torres, 18 de outubro de 2017).

Pequenas e médias empresas nacionais empregam muito mais mão de obra do que as grandes empresas “nacionais” e as multinacionais estrangeiras.


Até a Globo – partidária dessas últimas em detrimento das primeiras – assume isso em suas reportagens. Afinal, dados de institutos de pesquisas voltados a economia apontam isso e é algo até meio difícil de mascarar.


Ao mesmo tempo estas pequenas e médias empresas nacionais são mais asfixiadas economicamente pela concorrência com a grande burguesia e as multinacionais. E além disso pagam taxas tributárias maiores, e de maneira mais regular. Multinacionais, todavia, não raro ao chegarem no país, recebem mais de 10 anos de isenção fiscal.


O processo de guerra contra essas “burguesias nacionais” por parte do imperialismo, não é algo dado, já “vencido”. Os intentos de desnacionalização não cessaram com uma eventual vitória da “grande burguesia associada ao imperialismo”. Esta luta ainda continua a todo o vapor.


No ano passado, em 2016, cerca de 270 empresas nacionais, em todo Brasil, foram “desnacionalizadas” por fruto desse processo. Mecanismo de “último recurso” usado por pequenos e médios empresários nacionais quando não conseguem sobreviver a concorrência desleal com estes setores: se desnacionalizar, vender-se a eles.

Há uma evidente contradição – ainda que não seja antagônica, como o “capital-trabalho” – entre estes dois campos das classes proprietárias (nacionais e antinacionais). Do qual sempre o mais poderoso logra algumas vitórias sobre o outro (assim como constantemente a burguesia logra vitórias sobre o proletariado).


É até surpreendente marxistas que tentam forçar a ideia de uma não existência desta burguesia nacional. De como no Brasil só existe proletariado, trabalhador rural e grande burguesia e “acabou”. E que “essa burguesia nacional que vocês falam é um mito enterrado, nunca existiu” ou “não existe mais”.


É de se abismar que não perceberem as frações dentro das próprias classes proprietárias e de como essas contradições podem ser exploradas pelos revolucionários para dividirem os inimigos.


Como o Mao Tsé-Tung apontava: explorar e priorizar as contradições principais, e só a partir daí preparar terreno para resolução das contradições secundárias.


As pequenas e médias empresas nacionais, quase sempre atacadas pelo Estado brasileiro (Estado este que não pertence a esses empresários, mas sim aos grandes empresários e as multinacionais) não só EXISTE, como todos os anos são atacadas por intentos de desnacionalização (pesquisem os dados da Consultoria KPMG).


Este setor não só EXISTE, como é responsável por empregar mais de 80% dos assalariados brasileiros, ainda que sejam os setores que menos empregam (as multinacionais e grande burguesia) os que possuem os maiores rendimentos no território brasileiro.


Certas correntes de pensamento no seio do “marxismo”, em prol da defesa de um programa que não leve em conta esta burguesia nacional (afinal, só o fato de a considerar já lhe faz ser acusado de “conciliador”, “reformista”, segundo os mesmos), se importam mais em manter o seu “modelo teórico” do que enxergar a realidade.


Preferem levantar um espantalho e negligenciar os próprios fatos.


Isto não é uma forma materialista, nem tampouco dialética, de conceber o mundo.

Sobre a empregabilidade: Micro empresas (faturamento de até R$ 360.000) ou Pequenas empresas (faturamento de até R$ 3.600.000) empregam maior parte dos assalariados brasileiros.


Sobre a desnacionalização: texto de Leandro Severo.


Nota 1: Não tente forçar associação de “nacional = então obrigatoriamente tem que ser nacionalista”. Burguesia nacional não é necessariamente nacionalista, assim como o proletariado não é necessariamente pró-socialista. Uma condição de classe não pressupõe necessariamente um programa político-econômico consciente desta classe.


Nota 2: Empresas que faturam até R$ 360 mil anualmente são consideradas “micro”. Assim como empresas que faturam até R$ 3,6 milhões anualmente são consideradas “pequenas”. São critérios de rendimento que fazem estes setores empresariais não serem categorizados necessariamente na “pequena burguesia”. Faturamentos anuais de 3,6 milhões, do empresário que pouco ou nada participa do trabalho (como deve ser na categoria do pequeno-burguês) apesar de serem tidos como “pequenas empresas” não estão em confluência com a “pequena burguesia”, e portanto se enquadram muito mais no conceito da burguesia nacional ou média burguesia.

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