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Não há condições para malabarismos. Por Arison Fernandes

Todas as críticas direcionadas ao Cid, Ciro e PDT são pertinentes. Cid errou, o outro senador do PDT que votou favorável errou também. E o partido continua a pecar na coesão política dos seus quadros eleitos.

Entretanto, gostaria de analisar e apontar algumas questões que foram esquecida, propositadamente ou não, em várias das críticas que li.


Também vou avaliar a tentativa de defesa, em especial uma que usa a China como exemplo que, pra mim, é revestida de desonestidade intelectual.


Em primeira instância devemos nos questionar quem e o que a família Ferreira Gomes representa. Sem identificar os interesses e a que classes o projeto nacional encabeçado por Ciro representa é impossível acertar na crítica.


Os Ferreira Gomes, em especial o Ciro, está localizado ideologicamente entre aquilo que identifico como burguesia nacional (no sentido "sodresiano" do termo), que tem um projeto direcionado para o desenvolvimento do capitalismo brasileiro (puramente nacional e independente), estruturação de um Estado regulador e até certo ponto interventor, acompanhado de uma democracia burguesa viva, substancial, que se aproxime o máximo possível de uma democracia popular sem rupturas. Ou seja, um projeto tímido, limitado e com influências, descabidas, da social democracia europeia.


Objetivamente falando, Ciro, Cid e sua família, são burocratas de aspiração pequeno burguesa. E isso significa bastante.


Naturalmente a pequena burguesia é oscilante e dual. As condições, tanto objetivas, quanto subjetivas a leva hora para o lado do proletariado, hora para o lado dos interesses da grande burguesia. Não cabe desenvolver isso aqui, mas resumidamente é isso. E sendo assim, é natural que Ciro e Cid oscilem. Seja pelo projeto que defendem, seja pela sua posição de classe.


Achar que os interesses nacionais, públicos e populares serão defendidos integralmente por Ciro, sem nenhum destaque, é um erro. Inclusive, é exigir demais. Simplesmente não vai ser assim.


Sendo assim, por essa ótica, conseguimos ter clareza na identificação das ações, projetos e movimentações dos Ferreira Gomes. Sem ilusões.


Para os comunistas, socialistas e trabalhistas (radicais) isso deveria estar transparente feito água. Não devemos ficar surpresos. Por isso, acho um tanto arrogante, petulante e mesquinho certos posicionamentos soberbos do tipo "tá vendo aí? Olha os Ferreira Gomes vacilando ideologicamente". Eu responderia pra você: tá. E daí? É sabido, pelo menos por mim e imagino que seja assim por uma imensa maioria que compõe as correntes mais a esquerda, que isso seria possível. Você com essa atitude petulante, no máximo, vai pegar um desgaste infrutífero nas redes. Vai se afirmar e não sairá da pequinês e da vulgar masturbação intelectual.


Toda crítica longe dessa compreensão não passa de verborragia.


Contudo, não deixa de ser acertado apontar tais vacilações e erros. É uma disputa. E devemos disputar ideologicamente esse projeto, esta etapa.

Não adianta esbravejar e dizer que teu partido e organização seria diferente se ela não tem força material para isso. Estás gritando ao vento.


A viabilidade é um elemento fundamental para quem faz política de forma metodológica. Para quem pensa política como instrumento de luta, de libertação. Não ser viável faz qualquer ideia não passar de fantasia.


E Ciro, diante do que pode ser viável para esta etapa do desenvolvimento, é o que há de mais avançado. "Ah, mas Boulos..." infelizmente não tem viabilidade eleitoral. E não vou falar do PT. E também, a revolução, seja de caráter socialista, ou de libertação nacional, não vai sair, não agora. E os nossos problemas precisam ser resolvido ou mitigados, para ontem.


É isso que me mantém, por exemplo, no PDT com muita "tranquilidade".


Para além disso tem vários problemas de ordem ideológica e orgânica do próprio partido. Mas isso é um debate para outra ocasião.


No mais, quero pontuar que a tentativa de usar a linha política desenvolvida pelos chineses - abertura e reforma - usando trechos de possíveis discursos do Deng Xiaoping não justifica, nem aqui e nem na China, o deplorável voto de Cid, muito menos a tentativa de passada de pano de Ciro. A China, minha gente, fez a revolução, está na etapa primária da transição socialista. É outro cenário. Enquanto a gente tá com a fuba, eles estão com o angu. Não faça essas infelizes comparações.


Sigamos que a luta é árdua.


*Arison Fernandes é Diretor de Formação Política da Fundação Leonel Brizola - AP em Pernambuco, e militante do PDT Recife.

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