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Não há nada mais colonizado que o "ativista decolonial"

Não há nada mais colonizado que o "ativista decolonial":

A brasilidade é, necessariamente, fruto de um encontro: Do europeu, ameríndio e africano. Brasil é, necessariamente, o que vem disso.


Não é só Europa. Não é só África. Não é só povos originários pré-colombianos. São os três.


E eu ousaria dizer que em uma pequena medida não só esses três, já que houve também comunidades inteiras que vieram da Ásia e do Mundo Árabe que também deram seu pedaço de contribuição ao Brasil. Mas ainda assim esses três primeiros são os centrais.


Portanto, a brasilidade é algo que se distingue da europeidade, da africanidade, etc., e é algo "novo", "inventado" historicamente no encontro ora harmonioso ora conflituoso (certamente muito mais o segundo que o primeiro), ainda que se assente em todas essas bases como elementos essenciais para a própria brasilidade.


Dado isso, não negando nenhum dos crimes do colonialismo português, nem acreditando que o tratamento que eles deram aos indígenas foram "dignos" - e menos ainda para os africanos trazidos ao Brasil -, é correto dizer que a colonização portuguesa não é mais um assunto a ser resolvido.


As heranças nefastas desse colonialismo sim (o racismo endêmico, o destrato para com as etnias indígenas) são questões a serem trabalhadas, mas isso não está mais em um patamar de "repelir os colonialistas portugueses", isso não está mais num patamar como é em Israel, onde expulsaram famílias árabes inteiras de suas casas, e impuseram um regime etnocêntrico onde uma outra raça/etnia (palestina) tem uma cidadania de segunda classe digna dos negros nos EUA sob Apartheid.


Aqui uma outra nação já criou bases.


Uma outra nação surgiu.


Dito isto, não há "portugueses" a se expulsar, porque o que temos são uma miscelânea de identidades, dentre as quais o branco brasileiro está entre elas, e já não é uma cópia cuspida do europeu. Assim como o afrobrasileiro tem larga diferença com o africano. Os únicos que "preservam" mais suas origens são os próprios indígenas e, ainda assim, preservam ao mesmo tempo em que foram influenciados em vários outros aspectos.


E se formos considerar as identidades que possuem relação direta com indígenas sem sê-los (caboclos, gaúcho dos pampas, etc.), então a coisa complica ainda mais.


Aí você se pergunta, porque diabos eu estou falando disto?


Bem, surgiram publicações sobre "decolonizar nossos hábitos", "decolonizar nossa comida", gente que ainda consegue ter algum prestígio e algum alcance falando como "comer em pratos" seria uma prática "colonial" já que é algo que "descende de europeu".


Poderíamos apenas mandar um breve "e daí?", mas vamos tentar fazer um esforço de esclarecimento.


Vamos supor a pessoa que leva esse tipo de raciocínio a sério mereça alguma atenção.


É fato que na espinha dorsal da nossa formação social, a herança europeia pesou mais, dado que aqui vigorou o modo de produção capitalista (e não era por menos). Mas nos mais amplos aspectos podemos ter variantes.


Boa parte dos nossos estados possuem nome de origem indígena. Temos o hábito de comer raízes (coisa que muitos povos "desenvolvidos" não fazem). Nos "purgarmos" no carnaval como um romano típico fazia, mas ao mesmo tempo esse carnaval aqui dá maior vazão à cultura afrobrasileira (Bahia e RJ em maior peso).


O fato de comermos raízes (herança indígena) mas usarmos pratos e talheres (herança europeia) não é uma "prova" que ainda somos "colonizados", e que, por isso, "devemos buscar nos descolonizar ainda mais".


Comer macaxeira com uma colher num prato é algo próprio do Brasil.


Na verdade, é justamente prova de brasilidade, porque os europeus podem bem comer em pratos, mas não macaxeira... E antes da colonização portuguesa poderiam até estar comendo macaxeira por aqui, mas nunca num prato e com colheres...


A publicação em questão, acreditando que "decolonizar nosso alimento" pode (ou deve) ir até a "decolonização do prato", o "deixar de usar prato", para "comer como os ancestrais originários comiam", "sem pratos", "com as mãos", é de uma ingenuidade e romantização gigantes.


Há indígenas que hoje usam pratos; que usam roupas sociais, bermudas, calças; indígenas que frequentam universidades e espaços fora de sua comunidade; e que, não são menos indígenas por isso. E que, nem são necessariamente "colonizados".


Para além disso, é importante lembrar que "DEScolonização" é um termo já existente em nossa língua, e os famigerados "ativistas DEcoloniais" sempre usam adaptações porcas de termos estrangeiros:


No que falam "luta decolonial" nós já temos "luta anticolonial" e "anticolonialista". No que compete a "decolonizar" nós já temos "descolonizar".


Essas noções que visam adaptar "Decoloniality" como quase sempre falam "Decolonialidade negra", "Decolonialidade dos corpos" são sintomáticos de uma produção acadêmica e de ativismos com conceituação explicitamente importada.


É gente que vai me apontar que sou colonizado porque tenho uma posição mais firme quanto a forma porca que certos ativismos tratam a nossa língua (o português), gente que vai me apontar que sou colonizado porque demonstro que não há fundamento real para "se deixar de comer em pratos", mas ao mesmo tempo é gente que importa categorizações e faz esse tipo de publicação supostamente em defesa da cultura indígena, usando hashtags com expressões estrangeiras como "Food", "Cuisine", "csaday", "KnowYourFarmer".


E abarrotando os comentários da publicação, eram militantes negros? Ativistas indígenas?


Não.


Eram quase todos brancos com "síndrome de culpa". O famoso "me desculpa por ser [insira qualquer 'privilégio']".


Tenho quase certeza que nenhum desses está interessado verdadeiramente em defender os povos indígenas. Quem acreditar nisso que acredite.


Mas é visível que eles, na verdade, estão inconscientemente mergulhados num auto purgatório, do qual, sua posição "decolonial" pode lhe conferir uma "superioridade" frente aos homens "comuns". "Sou mais humanamente preocupado com essas questões do que você!".


É como a síndrome do salvador branco que é um missionário na África sob os cliques das fotos (coisa típica que a direita cristã faz), só que recauchutada numa versão de "esquerda", mais "clean".


No final de tudo, quem está desatrelado do mundo real, quem está usando vocábulos estrangeiros (quando o português já tem palavras amplamente usadas para isso), e quem faz essas campanhas com hasghtags em inglês, é você.


É nítido que o ativista importado é você!


(Bruno Torres, integrante do Movimento Nova Pátria)

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