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No Domingo de Páscoa, Arábia Saudita executa 37 xiitas acusados de terrorismo. Um deles crucificado

País aplicou pena de morte contra mais de cem pessoas desde o início do ano.

Iraniana protesta contra a execução do clérigo xiita Nimr al-Nimr em janeiro de 2016 pela Arábia Saudita - Atta Kenare/AFP

A Arábia Saudita executou 37 pessoas nesta terça-feira (23), condenadas por "terrorismo", anunciou o ministério do Interior. Uma delas foi crucificada.


As execuções aconteceram em cinco regiões: na capital Riad, nas cidades sagradas de Meca e Medina, na região sunita de Al Qasim e na Província Oriental, onde se concentra a minoria xiita.


Os réus foram considerados culpados de "adotar pensamento terrorista extremista" e de terem "formado células terroristas", afirma o ministério em um comunicado, divulgado pela agência oficial SPA.


Alguns foram acusados de "sedição confessional", termos geralmente utilizados na Arábia Saudita para os militantes xiitas.


Na Arábia Saudita, as execuções geralmente acontecem por decapitação, mas o ministério informou que um dos condenados foi crucificado, uma pena reservada aos autores de crimes considerados particularmente graves.


No total, a Arábia Saudita executou mais de cem pessoas desde o início do ano, de acordo com um balanço estabelecido a partir dos comunicados oficiais.


A organização Anistia Internacional (AI) afirma que o reino, que segue uma interpretação rigorosa da lei islâmica, figura entre os países que aplicam em maior número a pena capital.


Em seu relatório mundial sobre a pena de morte em 2018 divulgado em 10 de abril, a AI informou que depois da China —país que não publica estatísticas—, as nações que recorreram mais vezes às execuções foram Irã (253), Arábia Saudita (149), Vietnã (85) e Iraque (52).


As últimas execuções em massa na Arábia Saudita haviam acontecido em janeiro de 2016, quando 47 pessoas, também condenadas por "terrorismo", incluindo o líder religioso xiita Nimr Baqer Al Nimr, foram executadas no mesmo dia.


A execução de Nimr Baqer al Nimr provocou manifestações no Irã, com ataques a representações diplomáticas sauditas.


A Arábia Saudita decidiu em janeiro de 2016 romper as relações diplomáticas com o Irã, país que acusa regularmente de "desestabilizar" o Golfo e de interferir nos assuntos internos dos países da região.


O reino repete com frequência que está em guerra contra "todas as formas de terrorismo". Depois das ondas de atentados na década de 2000, o país conseguiu conter a ameaça de grupos jihadistas, mas sem erradicá-los totalmente.


No domingo, quatro sauditas morreram em uma tentativa de ataques contra o quartel-general das forças de segurança ao norte de Riad, um atentado reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI). Um dia depois, as autoridades anunciaram a detenção de 13 suspeitos de "atos terroristas", sem revelar detalhes.

F. de São Paulo

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