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Os pontos que reforçam a possibilidade do atentado a León Trotsky ter sido forjado por ele mesmo

Atualizado: 19 de Dez de 2019

(Bruno Torres, 19 de dezembro de 2016).


Você sabia que Trotsky, bem antes do mesmo ser morto por Mercader, sofreu na Cidade do México um atentado em um bunker, que pode ter sido forjado por ele próprio? Entenda o caso:

O documentário “El asesinato de Trotsky” (pode ser encontrado no youtube com este título) é uma mina de ouro. Ele serve para expor quem foi Trotsky (um renegado e traídor) pelas palavras dos seus próprios defensores.


Há vários documentários sobre o assassinato de Trotsky, mas este em particular tenta ser o mais “investigativo” possível, com reconstituições de cenas por meio de atores. O recurso de colocar intelectuais, familiares, etc., comentando no decorrer do documentário existe, mas ele dá mais espaço para a reconstituição das cenas.


É óbvio, o documentário se lança a defender o legado de Trotsky e trata de pintar a União Soviética de Stálin como convencionalmente ela é conhecida: um regime autocrático controlado pelo velho Stálin, que perseguia as dissidências por sede de poder, sendo Trotsky uma de suas maiores vítimas.


Para além disso, no documentário, é curioso como é a reconstituição do 1º atentado que Trotsky sofreu na Cidade do México.


Os relatos são construídos com base nas próprias fotos, investigação das autoridades mexicanas (que tinham Trotsky como protegido), e pelos relatos dele (do próprio León) e de pessoas que presenciaram o ocorrido.


O que me admira no documentário, no que se refere ao primeiro atentado, é a fidelidade com os fatos, intencional ou não, por parte dos envolvidos na produção, incluso aqui, o neto do próprio Trotsky, que está isento de ser uma personalidade “stalinista”, que fosse atacar o renegado. Pelo contrário, em seu histórico, seu neto o defende com unhas e dentes. Mas voltemos ao atentado e a residência em que Trotsky vivia protegido.


O próprio documentário deixa claro que havia uma série de obstáculos pelos quais os supostos inimigos de Trotsky deveriam passar. Dentre eles se centram três, que citaremos baixo.


1º Obstáculo: Trotsky vivia num bairro residencial na cidade do México. Sua rua tinha apenas duas entradas, ambas cheias de viaturas da polícia local, 24hrs por dia. Quem quisesse chegar a Trotsky teria de passar por essa primeira barreira, numa das pontas da rua.


2º Obstáculo: Após isso, ao chegar no bunker, a pessoa se depara com um portão de aço reforçado, do qual só é possível entrar a partir de uma senha, de conhecimento apenas do pessoal da segurança particular de Trotsky, e nisso, pela noite paira a escuridão mas há uma luz que se volta apenas para os seus rostos, permitindo a identificação plena de quem vai entrar. Só ao se colocar contra a luz, e com a senha correta, abririam o portão de aço reforçado para você. Quem quisesse pegá-lo também teria de ultrapassar mais esta segunda barreira.


3º Obstáculo: Não bastasse tudo isso, dentro do bunker havia a segurança de voluntários trotskistas, que se revezavam pelo turnos diurno (trotskistas mexicanos) e noturno (trotskistas americanos). Todos armados para defender seu querido líder. Esta seria, mais uma vez, mais uma barreira a ser ultrapassada: enfrentar os seguranças particulares de Leon.


Até aí podemos ver que, para alguém vir a cometer um atentado contra o mesmo, as dificuldades são tamanhas, que tornam o fato pouco provável.


Depois de tudo isso, depois de todos esses obstáculos quase impossíveis de serem ultrapassados, a única coisa que faltaria para chegar a Trotsky, seria a entrada de seu quarto, que possui uma porta de madeira fácil de arrombar – com chutes ou até com tiros.


Obviamente, esta seria um “obstáculo” tão fácil para se chegar a Trotsky, que não vale nem contar como um 4º obstáculo na comparação às dificuldades e complexidades dos demais.


Mas recapitulemos.


Aqueles que cometeram o atentado passaram tranquilamente pelas viaturas de ambas as entradas da rua (1ª barreira), entraram no bunker, sob a “hipótese” (versão trotskista) de que um dos trotskistas americanos do turno da noite, estava comprado pelos inimigos de León, e permitiu a entrada deles (2ª barreira), e de toda a guarda de seguranças particulares e voluntários de Trotsky, ninguém fez nada sequer com os “invasores” – nenhum tiro de “alerta”, intimidação, ou qualquer ação do tipo (3º barreira).


A premissa lógica é a de que os invasores haviam passado pelas mais difíceis etapas de finalizar o ato de matar León.


Considerando que 1) as viaturas não foram um problema, 2) o portão de aço reforçado do bunker não foi um problema, e 3) a guarda particular armada não foi um problema...


O que mais faltaria para consumar o ato? Abrir uma mera porta de madeira do quarto da vítima? Arrombar essa mesma porta? Nem viaturas, bukers, portões de aço ou seguranças particulares, o que lhes separavam era uma mera porta de madeira.


Nisto, os invasores então posaram de frente para o quarto de Trotsky, e de maneira hipoteticamente não-deliberada atiraram na parede do quarto numa linha e faixa de altura que corresponde a 1 metro de altura, ou tiros mais altos que isso – nunca abaixo dessa altura.


Na versão de León Trotsky, corroborada por seu neto, o mesmo se jogou para debaixo da cama ao perceber os tiros.


Questionando a versão, é importante levar a reflexão e pedir a qualquer pessoa que apenas se pergunte estas simples questões: porque um grupo de profissionais armados que 1) ultrapassam viaturas, 2) infiltram-se em bunkers e 3) intimidam guardas particulares armados – sendo este um grupo determinado e motivado a lhe matar – deixaria de passar por uma simples porta de madeira ao invés de lhe alvejar diretamente? Somando-se a pergunta acima, porque diabos a ação de tiros da faixa exata de 1 metro para cima, e nenhum tiro sequer abaixo dessa linha?


É preciso admitir que a investigação histórica sobre este fato tão distante pode não ser conclusivas quanto a um parecer definitivo sobre este atentado ter sido ou não forjado. Partindo de premissas minimamente lógicas, o trotskista sincero, que quer verdadeiramente compreender os conflitos políticos envolvendo o trotskismo no movimento comunista internacional, deve, no mínimo, se questionar quanto a veracidade da realização deste atentado, e concluir que a possibilidade de Trotsky deliberadamente ter forjado o ato – ainda que com “boas intenções” – é fortíssima.


Algumas respostas típicas da defesa trotskista – e do próprio Trotsky – sobre o incidente, também reforçam a versão da falsidade do atentado, ou no caso, des-reforçam a ideia de atentado autêntico. Uma delas é a ideia de que as forças policiais e serviços de segurança do México, que estavam incumbidos de lhes prestar proteção, estavam colaborando com os invasores porque foram “comprados”, ou no caso, partes consideráveis destas forças foram “compradas e dissuadidas”. Seria muito menos trabalhoso, caso o assassinato fosse realmente do interesse destes, que eles próprios tivessem realizado o assassinato na surdina e – na hipótese de ficar muito evidente o complô – sumirem na calada da noite.


Ainda que consideremos essa hipótese como algo realmente provável, há mais elementos que atentam à lógica nessa afirmação trotskista. Por exemplo, é difícil acreditar que elementos da inteligência mexicana, que tradicionalmente perseguiam e torturavam militantes do PC mexicano, assim como a polícia, seria meramente convencida a contribuir com os mesmos comunistas que eles tão implacavelmente perseguiam, para assassinar um protegido internacional do Estado mexicano. Levanta-se a possibilidade de corrupção da polícia, que teria sido cooptada pelo stalinismo (?).


É possível que Trotsky tenha forjado um atentado com “boas intenções”, e a hipótese inclusive foi levantada por um dos investigadores do caso – embora abandonada por razões diversas. Esta hipótese – levantada por um de seus protetores – dizia que Trotsky forjou um atentado para alertar o governo mexicano que ele estaria vulnerável naquele bunker a possíveis ameaças soviéticas. Esta teria sido uma forma de “chamar atenção” do México para que sua proteção fosse mais bem pensada, mais bem elaborada, dado que o mesmo achava que estaria razoavelmente “vulnerável” ali. Estando esta versão correta, demonstra que o mesmo não tinha muito escrúpulo quanto a tentar poupar ou não a imagem da União Soviética perante a Guerra Fria.


Esses e milhões de outros episódios é que reforçam a razão pelo qual os comunistas consideram Trotsky como um renegado.

NOTAS:


Para quem deseja ver o documentário segue o link abaixo. Lembrando que está em espanhol.

https://youtu.be/MCLAQdJgGus


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