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O COVID-19 e os Jogos de Guerra

O mundo está paralisado devido à pandemia de coronavírus (COVID-19). A economia mundial e as viagens internacionais encarregaram-se em propagar de forma rápida o vírus e seus danos no campo social e econômico. Epidemias que transcendem continentes não são uma novidade, mas em tempos de globalização, os estragos mostram-se aterradores, muito maiores do que outrora. O capitalismo que tudo transforma em mercadoria, precariza o Estado nacional e difunde a hegemonia do privado sobre o público. Essa é a receita perfeita para prolongar a pandemia e fazê-la nefasta entre os mais pobres. Países como Itália, Espanha e França, que até ontem faziam do neoliberalismo um receituário único, hoje tomam medidas nacionalistas para deter o vírus. A China por possuir um Estado forte e uma estrutura social galgada no público e no coletivo deu exemplo ao mundo de como lidar com essas catástrofes.

Crédito: Kenneth Lambert/AP Photo/Político.

Apesar das medidas duras, o governo chinês não permitiu desemprego e nem desabastecimento, mesmo com um quadro caótico no setor produtivo. Enquanto os Estados Unidos fingiam não acreditar na propagação do vírus e a Europa ignorava seus efeitos, a China mobilizou um exército de profissionais da saúde para tratar os doentes e isolar os focos. Enquanto o mundo caminha para uma recessão, a China anuncia estabilidade para o seu consumo interno e a garantia da retomada das relações comerciais o mais rápido possível. Em paralelo, promove vigorosas pesquisas para identificar a origem do vírus e a sua dinâmica de alastramento. Com mais de 80.000 infectados e 3.200 mortos (em 16 de março), a China aponta já ter controlado o pico de alastramento da doença graças às medidas tomadas.



Origem da Doença


O COVID-19 foi conhecido pelo mundo desde sua expansão na cidade chinesa de Wuhan, exatamente em seu mercado de peixes e mariscos. Conforme a doença espalhava-se, mais a imprensa estadunidense propagava que o “vírus chinês” poderia combalir a capacidade produtiva do gigante asiático. Ao pé que as ações das empresas chinesas declinavam, suas principais concorrentes estadunidenses cresciam. Como um desdobramento da Guerra Comercial sustentada por Washington contra Pequim, os noticiários com tom apocalíptico, não só creditavam à China o COVID-19, como levantavam suspeitas sobre a sua capacidade em controlá-lo e à sua responsabilidade diante do mundo.


As autoridades chinesas de pronto começaram uma criteriosa investigação, logo indagando algumas questões: a cidade de Wuhan não é a mais populosa da China (11 milhões de habitantes) e tão pouco tem tantas ligações com o mundo exterior, por isso não era factível a velocidade que o vírus espalhava-se entre seus vizinhos. Outro ponto que chamou a atenção das autoridades chinesas foi descobrir que muitos infectados de Wuhan apresentaram sintomas sem uma causa aparente e muito menos terem viajado ao exterior. A propagação do vírus e a cobertura midiática estadunidense exacerbada, não mostravam a preocupação com o alastramento da doença e sim os efeitos comerciais somente. Esse foi outro ponto que chamou a atenção dos dirigentes chineses, que perceberam de imediato o quanto o vírus combalia a economia chinesa, favorecendo a Guerra Econômica mantida pelos estadunidenses.


Crédito: Verdade Mundial.

Logo, os primeiros estudos do genoma do vírus mostraram que o COVID-19 não se originou na China, que o mesmo pode ter aparecido em vários lugares distintos ao mesmo tempo, ganhando força nos animais vendidos no mercado de Wuhan. Provaram os pesquisadores a partir do DNA do vírus que ele não surgiu dos mariscos de Wuhan e tão pouco de pontos localizados em território chinês, tendo o mesmo se hospedado em Wuhan através de um portador. Os estudos chineses e japoneses sugerem que o COVID-19 pode ter surgido pela primeira vez nos Estados Unidos e aparecido em Wuhan em novembro de 2019, um mês antes da data oficial de sua detecção.


Dinâmica dos Fatos


Depois de rastrearem a origem, os investigadores chineses passaram a desconfiar dos Jogos Militares Mundiais, realizado em Wuhan entre os dias 18 e 27 de outubro de 2019. Compreendendo que o COVID-19 pode ter sido originado nos Estados Unidos, a participação de militares daquele país nos jogos em Wuhan pode ter sido responsável pela transmissão entre os chineses da região. E entre as milhares de vítimas que morrem de gripe anualmente nos EUA, muitas delas podem ter sido pelo COVID-19.[4] É o que afirmam especialistas chineses e japoneses, que de imediato informaram à pesquisadores estadunidenses essa possibilidade. Pesquisadores de várias cidades dos Estados Unidos coordenados pelo Centro de Prevenção de Enfermidades começaram a analisar o comportamento da gripe, para tentar rastrear o COVID-19, mas tem esbarrado na negativa do governo de Donald Trump em promover uma campanha de testagem para COVID-19 em quem apresenta quadro de gripe nos Estados Unidos.


Crédito: Craig Stephens/ South China Morning Post.
Crédito: R Fresson/The Guardian.

Não existem indícios de que a contaminação em Wuhan tenha sido deliberada e que muito menos tenha partido de cidadãos estadunidenses. Mas há de se convir que os problemas que o COVID-19 tem causado à economia chinesa têm ajudado muito a Guerra Comercial que o Estados Unidos tem empreendido contra a China. A maneira unisônica como a imprensa estadunidense vem acusando a China de ser a responsável pelo COVID-19 também chama a atenção das autoridades de Pequim, dando indícios de uma coordenação dos fatos próxima de uma Guerra Híbrida empreendida pelos estadunidenses.


O histórico de aplicação bacteriológica como arma de guerra ronda o governo estadunidense, desde os “agentes laranjas”, usados como desfolhantes nas selvas do Vietnã, Laos e Camboja durante a Guerra do Vietnã (1955-1975). Cuba por várias vezes acusou os Estados Unidos de atacar a Ilha com bactérias que afetavam as plantações e os rebanhos. Nessa conjuntura de coronavírus, o Irã, que está sendo barbaramente afetado, faz acusações semelhantes ao governo de Washington.





A Marcha da Insensatez Prossegue


As autoridades europeias decretaram o fechamento de suas fronteiras por 30 dias e a radicalização das medidas de contenção do COVID-19. Depois que a China controlou a doença, a Europa Ocidental tornou-se o novo epicentro do vírus. Países como Itália, Espanha, Portugal e França têm tomado medidas que impendem por completo a circulação e a aglomeração de pessoas, proibindo eventos, aulas e reuniões de toda espécie, até mesmo atividades laborais foram reduzidas. Mesmo assim, os Estados Unidos estão enviando cerca de 20.000 soldados até julho, para se juntarem aos 10.000 que já ocupam a Europa. Essa operação de treinamento da Organização do Tratado do Antlântico Norte (OTAN) tem o nome de “Defender Europa 20” e visa treinar as forças do Tratado para um eventual ataque.


Essa atividade é a maior desde a Guerra Fria, e envolverá milhares de militares europeus dos 18 países integrantes da OTAN, além dos estadunidenses. As atividades serão desenvolvidas em vários pontos da Europa, envolvendo várias cidades. Os exercícios primários já vêm desenrolando-se desde o dia 20 de fevereiro na Europa. O “Defender Europa 20”, além de mobilizar milhares de militares, também contará com a participação de civis como equipe de apoio, transpassando por várias cidades. chegando até Narva na Estônia, próximo da fronteira com a Federação Russa.


Crédito: shape.nato.int.

O mais assustador dessa Operação é que o contingente estadunidense não está testado para o COVID-19. Nos Estados Unidos o acesso aos testes é reduzido e caro e as autoridades estadunidenses só em meados de março começaram a tomar alguma atitude para a prevenção do vírus em seu território. Se as investigações dos pesquisadores chineses e japoneses, que apontam os Estados Unidos como origem do COVID-19, estiverem certas, será catastrófico levar para a Europa um contingente tamanho de tropas que podem ser portadoras do vírus, justamente no período em que o Continente tenta conter a expansão da pandemia.


A sanha imperialista dos “falcões do Pentágono” aliados aos aventureiros de Wall Street não demonstram limites quando o objetivo é lucrar. Em um mundo globalizado, para lucrar muito é necessário dominar, uma dominação financeira que passa necessariamente pela destruição voraz de seus concorrentes mais próximos. Durante os últimos 100 anos, os Estados Unidos em particular, encheu os livros de história com exemplos de ações políticas e militares que levaram morte e miséria para todas as partes do mundo. Seria agora diferente?


João Claudio Platenik Pitillo

Doutorando em História Social pela UNIRIO, Especialista em História Militar e Pesquisador do NUCLEAS-UERJ.


Roberto Santana Santos

Doutor em Políticas Públicas pela UERJ. Professor da Faculdade de Educação UERJ


Por revistaintertelas.com

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