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  • Camarada C.

O início do fim da carreira política de Angela Merkel



Na manhã de uma segunda-feira gélida da capital, a chanceler alemã informou à direção do CDU, que não irá se candidatar para chefia do partido durante a convenção nacional em dezembro próximo.


A decisão que marca (de forma tardia) o início do fim da carreira política de Merkel que governa (com mais ou menos soberania) os alemães desde 2005. A decisão vem como um Must depois da perda vertiginosa de eleitores nas respectivas eleições regionais da Baviera (14/10), sul do país. e da região de Hessen, da qual a capital é Frankfurt, (28/10). Decerto que a perda de eleitores dos partidos estabelecidos para partidos de protesto ou partidos com imagem ainda intocada, é um fenômeno que já vem se concretizando no país desde 2014. Agora, nem mesmo a notória vista grossa de Merkel consegue administrar de forma comedida, o que já se mostrava inevitável. As picuinhas e exaustivas monótonas DR’s por parte de Seehofer e seus ultimatos e suas chantagens, ele, chefe do partido da Baviera (CSU), Horst Seehofer, o inimigo que mora ao lado e que senta com ela na mesa na reunião de gabinete todas as terças-feiras, exigiram muito da paciência dos eleitores alemães, avessos a barracos e polêmica, querem ver resultados.


Além disso, o partido populista e extremista de direita, “Alternativa para a Alemanha”, (AfD, na sigla) vem correndo pela lateral direita pegando carona no fenômeno de avanço galopante das forças de direita populistas e extremistas no Velho Continente, e como sabemos desde a noite de domingo, não só dele. A noite de domingo teve, também na Alemanha, uma triste notícia: Agora o partido de extrema-direita populista e nacionalista, AfD está representado em todos os parlamentos regionais do país, nas 12 regiões, as geopoliticamente chamadas de Bundesländer.

Para o partido “Alternativa para a Alemanha” a marcha ré da chanceler é motivo de vitória e de esperanças em poder fazer parte do próximo governo e pelo que exibem as planilhas sobre migração do eleitorado, isso será factível bem mais breve do que se deseja. No momento, os únicos partidos que vem somando mais eleitores ao invés de contabilizar perdas vertiginosas é o AfD e os Verdes. Nas duas últimas eleições regionais o partido de protesto nos anos ’60 vem contabilizando os chamados “votos de transferência” de adeptos do centro e centro-direita que não mais veem barreira ideológicas intransponíveis como em tempos de outrora, quando os Verdes só batiam na tecla da saída da procedura de Energia Atômica.


Na Baviera, região super conservadora, o aumento de eleitores que votaram nos Verdes nas recentes eleições foi uma pequena sensação no espectro político-partidário do país, exibindo uma verdadeira migração de um eleitor etinerante. Nas eleições de domingo (28) em Hessen, o partido de Merkel perdeu 90.000 eleitores para os Verdes. O CDU perdeu 11,3% dos votos, enquanto os Verdes ganharam 8,7%.


Annegret Kramp-Karrenbauer, ex-Ministra Presidente da região de Saarland (sul do país e fronteira com a França) foi chamada às pressas no início de 2018 para ser Secretaria Geral do partido, um caminho inusitado na vida de um político. AKK, como é chamada nas redes sociais, é uma potencial sucessora de Merkel e sua mulher de confiança além de ser exímia na arte do diálogo e a mediação. Tudo indica que AKK será nomeada chefe do partido para tomar posse quando Merkel não mais tiver na Chancelaria Federal em Berlim seu local de trabalho. O ceticismo, se Merkel conseguirá ficar no cargo até 2021, procede. O contrato da “Grande Coalizão” (CDU,CSU e SP) só entrou em vigor em março deste ano, depois que a Alemanha ficou seis meses sem conseguir formar um governo, algo também resultante da vertiginosa perda de votos de todos os partidos estabelecidos para os partidos de protesto e para os Verdes. “É hora de um novo capítulo“, declarou chanceler Merkel na coletiva de imprensa depois da reunião com o grêmio do partido.


Depois do resultado das eleições da Baviera e em Hessen, depois das brigas entre a União no verão, o fracasso em formar um governo em coalizão com os Democratas Livres e os Verdes, não podemos voltar para a ordem do dia como se nada tivesse acontecido. Eu desejo que tomemos o resultado das eleições de ontem (28) como um divisor de águas, que questionemos tudo o que fizemos e dissemos desde a campanha para as eleições gerais. A imagem do governo é inaceitável. O bom trabalho que fazemos não tem nenhuma chance de ser percebido. Não falo de “problemas de comunicação”, mas de uma filosofia de trabalho“. Como recadinho e ao mesmo tempo alfinetada em direção a seu inimigo ao lado, Horst Seehofer (CSU), Merkel declarou: “Seria uma piada colossal da história, se um governo que tomou posse somente há 6 meses atrás, tivesse que ser interrompido porque não consegue se concentrar naquilo que importa“.


Merkel, em surpreendente clareza e postura, alistou quatro pontos no final de sua declaração, entre eles, que não irá mais se candidatar a chefe do partido, que não irá se candidatar a chanceler em 2022 e que nem mesmo irá se candidatar para um mandato no parlamento, esclarecendo que 2002 será o fim de sua carreira política. Ainda no final de setembro, Merkel garantiu em palestra em Augsburg que a combinacao entre chefe do partido e cargo de chanceler, assim como na Inglaterra, continuar sendo uma premissa. Hoje, ela declarou a imprensa que “precisa corrigir essa premissa” e que decidiu “arriscar.”. Analísticas políticos contam com uma dinâmica completamente diferente, agora que Merkel “tirou a tampa da panela de pressão”, o ring está livre para pretendentes a vôos altos na política alemã em Berlim.

O fim de Merkel poderia e, sim, deveria ter sido mais digno, mais bem alinhavado, pensado e não como consequência em formato sangria-desatada da insana dinâmica de acontecimentos políticos (Trump, BREXIT, Tratado de Refugiados com a Turquia) incluindo a ascensão da extrema-direita e direita populista na Europa. A chanceler teimou em cegueira em administrar o êxodo de eleitores que perambulam pelos mais diferentes partidos. Somente a perdas respectivas de 11% de eleitores, a obrigou colocar um basta, ao invés de colocar em prática a premissa do ex-líder soviético Mikhail Gorbatchev, declarada em direção ao Politbüro da antiga Alemanha Oriental, poucas semanas antes da queda do Muro de Berlim. “Quem chega tarde demais é punido pela história“. Essa é uma verdade absoluta que tanto para o norte quando para o sul da Linha do Equador.


Matéria original, em O Estado de São Paulo.

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