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“O que a figura dele inspira? O que ele tem de edificante?” sobre Jair Bolsonaro (por André Ortega)

Atualizado: 9 de Ago de 2018

Não quero ofender ninguém, nem causar polêmicas com palavras, não gosto de ódios comerciais, intrigas verbais de comoção pública, por isso escrevo fora de um momento especial…. mas quero me expor para esclarecer que meu problema com a política bolsonarete sobre “estar certo”, não é só um problema de lógica, racionalidade. É um problema que diz respeito a todo SER.

As nossas diferenças com o Capitão 171 não devem ser, como querem os liberais, meras diferenças técnicas sobre o que fazer, o que aprovar ou desaprovar, ou diferenças de “pequena moral”. Nossas diferenças são políticas, morais, essenciais….


Olhem como SÃO. O que a figura dele inspira? O que ele tem de edificante? O que tem de edificante no movimento que ele trás? Como isso te leva, no que te transforma? Como eles SÃO, que significados eles trazem para a vida? Como seríamos se nossa vida dependesse disso? Que remédio é esse? Que tipo de autenticidade ele tem? Que tipo de comunidade cria? Não tô falando dos que gostaram de uma coisa ou outra, curtiram a página, compartilharam um video… fala dessa molecada militante, “presidente 2018”, que tipo de interação eles mantém? Eles estão perdidos, é mais um vagar moderno, coração vazio. Não fizeram 17 anos e já são cadáveres ambulantes, ocos.


Eles querem segurança nesse mundo, assistem as notícias de morte e bandidagem, querem mais segurança ainda, se revoltam e caem nessa onda.


Vejam, que tipo de utopia Jair Mentiroso reflete? Que tipo de realidade ele nos oferece? Ele não oferece nada, é só um oportunista que tem um disfarce mal feito de algo especial ou singular, só que é o oposto de uma alternativa. É só mais um adorador de bezerro de ouro que tem uma paixão particular pelo chumbo e a retórica violenta, apelando também para Javé nesse último ano (sim, isso é novidade no jairzinho). Vocês moldariam o mundo a imagem dessa figura e suas pretensões?


Eu não confio só na minha razão e nos meus estudos, eu confio no meu humor, nessa percepção mais profunda.


Ele é como o programa sensacionalista que apela para ter audiência, mas com o perigo a mais de usar isso para trazer uma versão recrudescida da realidade. É só um cachorro louco para servir o capital financeiro, os estrangeiros, os plutocratas. Ainda bem que é um cachorro velho, cansado, mas que já tem suas crias.


O Capitão 171:


1) Paga de patriota mas não vai fazer nada pra tirar o BRASIL da dependência, da posição de SUBALTERNO. Ele até celebra essa condição. E esse é o nosso problema fundamental, conquista a independência.


2) Não representa sequer setores militares que tem uma visão de GRANDE BRASIL, que é grande no mundo, com projeção internacional. Ele quer o Brasil de joelhos para os Estados Unidos, ele é aberto quanto a isso pois acredita na “Doutrina de Segurança Nacional” dos mercenários de 64.


3) Não vai “salvar a família brasileira”, todos os problemas reais ou imaginados que você possa citar para a família o demagogo não irá resolver porque são questões socio-culturais muito além da performance pseudo-conservadora.


4) Não vai resolver o problema da criminalidade, nem da corrupção.


5) Bônus: o Brasil do regime militar era uma porcaria governado por traidores, com gente morrendo nos campos e na cidades.. “não morriam em fila de posto de saúde”, é, nem tinha posto de saúde. Não me interesso nessa “alternativa”, mas não, Bolsonaro sequer serve para constituir uma alternativa política conservadora real, “o renascimento da direita”, porque é um oportunista que vacila na hora de se assumir responsabilidade política, partidária, na hora de liderar. Só observando, não me importo, nesse sentido tanto melhor.


Eu olho essa comunidade que se constrói entorno dele, o “movimento”, é uma merda, é só o tédio de sempre com espuma na boca e umas pseudo-paixões, paixonetes mesquinhas, discursinho revoltado que é uma ofensa as paixões de verdade. É isso que mais me chama atenção: é uma falsificação. É um simulacro, uma imitação de movimento, de transformação, uma figura escandalosa da sociedade do espetáculo e do circo midiático. É o mesmo de sempre só que com mais cheiro de morte e pendor para o grotesco.


O movimento que vai atrás desse tal de Jair é um movimento de espetáculo, de latidos superficiais, que é incapaz de resolver os problemas da nação e não vai elevar espírito nenhum. É um nada para a História.


Não sentes já o cheiro dos matadouros e das baiucas do espírito? Não fumega esta cidade os vapores dos espíritos sacrificados?


Não vês, penduradas, as almas, como frangalhos sujos? E desses frangalhos, todavia, fazem periódicos!


Não ouves como aqui se troca o engenho em jogo de palavras? Cospem repugnantes intrigas verbais! E dessas intrigas, fazem os de cá periódicos!


Provocam-se sem saber por quê. Entusiasmam-se e não sabem por quê.


Sentem frio e procuram calor nas bebidas quentes; acaloram-se e procuram frescura nos espíritos álgidos; a opinião pública consome-os e torna-os febris.


— André Drumond Ortega (Colunista da Revista Opera e criador do blog Realismo Político)

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