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O racismo moderno nas Américas

Atualizado: 15 de Dez de 2018

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Não como outrora se verificava, o racismo que se testemunha há nove décadas, um século não é aquele que dirigido por conjecturas teológicas ou étnicas – seu fulcro ainda é a ingenuidade; os elementos de referência, porém, não seguiram invariáveis. A intransigência racial, vigorosa ainda após o perecimento da legislação escravista, compelira a população oprimida à periferia do sedimento moral que tinha vigência entre os seus algozes. As condições deprimentes a que eram restritos explicam o fulcro de um racismo que não aquele decididamente etnocêntrico – supera-se a figura das raças malditas e perversas dando lugar à figura dos impolidos, delinquentes e pascácios.

Em 1916, Lewis Terman ilustrara notavelmente o raciocínio que aqui se explora: “Negros são ineducáveis além do mais rudimentar elemento de instrução. Nenhuma escola jamais os fará eleitores ou cidadãos inteligentes aos olhos do mundo. Sua apatia parece ser racial ou no mínimo atávica da cultura a qual descendem”. Esse consenso somou-se à agressividade rancorosa narrada pelo pioneiro e emblemático “O nascimento de uma Nação” publicado no ano anterior sobre os negros da Carolina do Sul, local onde a população afrodescendente demonstrava forte saliência demográfica. No Brasil, a alegoria da negra obscena, relapsa e bruta se constata repetidamente na literatura do início do século XX e no Peru, Vargas Llosa escreveu celebremente em Conversación en la Catedral: “Es una cosa, creyo yo, que mantenemos de la colonia, donde se imponía la necessidad de lo ser menos indio possible para pertenecer a la republica que te daba mayores beneficios: la delos blancos”. Esse racismo de natureza estereotípica não iria longe se suas vítimas não estivessem à margem da tradição institucional, das definições de educação, trabalho e prosperidade fecundadas nas colônias.

Aqueles que tiveram a glória de conquistar posições e ofícios que exigem excelência intelectiva(professores, advogados, parlamentares, magistrados, pesquisadores dos mais vários) bastavam para indicar que racismo não se assenta na razão e que os intolerantes que atribuem esse comportamento à cor da pele não são menos vulneráveis se condicionados à precariedade social. Trata-se de uma insidiosidade que não pode ser corrigida fora de uma reforma autêntica e radical dos métodos de formação humana que predominam no continente.


Pedro Valente

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