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O Trabalhismo e o Futebol

"Deixo uma dedicatória desse texto a todas as torcidas antifascistas do Brasil, que travam uma luta gloriosa contra a intolerância das práticas fascistas e falas racistas do atual presidente, e que com todas as dificuldades impostas, bradam sempre seu grito nas arquibancadas do Brasil afora. O futebol é uma expressão popular, onde esse texto mostra que política e futebol sempre se misturam, e alinhado com uma política progressista, pode agregar grandes êxitos e reconhecer as desiguales retratadas nesse desporto há mais de um século, talvez por isso o motivo de ser tão amado e socialmente representa um pouco da realidade brasileira. Aquele que afirma que futebol e política não se misturam, não conhece a história desse esporte no Brasil e o como se deu o seu processo de profissionalização, contra essa mesma elite que hoje defende o que há de mais nefasto na política. Seja você, trabalhista ou não, comunista ou não, mas defende a democracia desse país do futebol, onde o grito de gol foi interrompido para poder soltar um grito contra o fascismo." (Bruno Lima, militante do PDT Recife)

Getúlio Vargas entrega taça do Torneio Pan-Americano de 1952 ao jogador pernambucano Ademir Menezes, no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro.

O futebol chegou ao Brasil pela cidade de São Paulo, através de Charles Miller em 1894, que trouxe o esporte e suas regras diretamente da Inglaterra. Como era de se esperar, aquele Brasil que recentemente havia se tornado república, tinha por parte da elite um apreço pela prática esportiva, porém com o domínio dessa elite nesse meio. O remo naquela era naquela época, de certa forma, o esporte mais popular em diversas capitais brasileiras. A partir de 1902, criou-se a Liga Paulista de Football e se criou em São Paulo, o primeiro campeonato estadual de futebol. Depois chegou na Bahia em 1905, Rio de Janeiro em 1906, Paraíba em 1908 e assim por diante.

Naquela altura, os campeonatos estaduais fomentou a criação de diversos clubes espalhados pelo país, especialmente nas capitais brasileiras. O que ainda se via era uma crescente popularização do esporte, mas ainda com um forte domínio das classes dominantes que praticamente restringia a prática futebolística entre seus próprios pares. Porém isso começa a mudar com a criação de alguns clubes ligados a classes mais populares. O racismo que era muito forte no país (ainda é nos dias de hoje), começava a ser combatido com a inserção do negro no futebol. Clubes como Ponte Preta, Bangu, Vasco da Gama e Santa Cruz, seriam pioneiros nessa investida contra os padrões impostos da época.

Com essa inclusão social nesse esporte, cresciam os espectadores que se amontoavam campos da época para presenciar as partidas oficiais dos clubes que acabara de adotarem como parte de suas vidas. Começava uma história de amor que se confundiria com o Brasil no passar dos anos. O futebol começava tomar contornos muito populares e de caráter cultural, uma vez que os trabalhadores se viam representados nas partidas, e viam uma forma de reivindicar seu espaço naquela nova forma de encarar a realidade nacional, que era cheia de desigualdades.

Vendo isso, as elites tentavam de todas as formas, afastar o negro e os pobres do futebol, lutavam para manter o esporte sob sua tutela, no amadorismo, onde não se ganhava para jogar, era apenas um esporte para divertimento para esta elite e imigrantes europeus. Enquanto muitos outros trabalhadores viam no futebol, o seu talento sendo posto em prática, e uma forma de conseguir algum sustento para suas famílias. Naquele período, os jogadores no máximo recebiam premiações em determinados jogos, práticas comuns em diversos clubes ligados a aristocracias e às ligas locais. Esse profissionalismo marrom permaneceu até 1933.

Veio a Revolução de 30, e Getúlio Vargas ascende ao poder e com ele a conscientização da causa dos trabalhadores e a busca pela democracia social. A CBD (Confederação Brasileira de Desportos, hoje atualmente CBF), era contra a profissionalização do futebol, enquanto que na Argentina e no Uruguai, desde 1924 já havia remuneração de seus jogadores. Foi contra todo este atraso que as elites sempre quiseram impor, contra esta política do café com leite que impedia o avanço do progresso brasileiro, que Vargas sancionaria o Decreto-lei nº 1.056, de 19 de janeiro de 1939, que visou criar uma Comissão Nacional de Desportos, visando gerar um plano de regulamentação das modalidades esportivas, especialmente o futebol.


Por fim, o Decreto-lei nº 3.199 de 14 de abril de 1941, externava o compromisso de assegurar uma disciplina à organização e administração das associações e demais entidades esportivas no país, reconhecendo a alta expressão da cultura e energia nacional. E especialmente, exercer a rigorosa vigilância sobre o profissionalismo, assegurando aos atletas, os seus direitos trabalhistas. Por fim, se hoje concebemos as leis trabalhistas paras os atletas de futebol, bem como uma organização e fiscalização das leis desportivas, isso teve início com o trabalhismo brasileiro. É bem verdade, que os problemas de quase um século ainda persistem no futebol brasileiro, onde as dificuldades financeiras de diversos clubes do país, seja por incompetência de seus dirigentes, seja pelas dificuldades econômicas que o país enfrenta, os atletas muitas vezes não tem os seus direitos respeitados, principalmente os atletas de base em muitos clubes brasileiros. A globalização no futebol criou anomalias e gerou situações muito desproporcionais no que se refere às remunerações dos jogadores dos principais clubes brasileiros, mas aí, já é uma outra história no intitulado “futebol moderno”.

Fontes: 1. https://fairplay.pt/futebol/profissionalizacao-do-futebol-no-brasil/

2. https://ultimosegundo.ig.com.br/revolucao1930/futebol-do-brasil-fracassa-na-copa-de-30/n1237778178915.html

3. https://www.pdt.org.br/index.php/futebol-e-trabalhismo-entrelacos-de-uma-historia-popular/


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