Publicações e Posts


 

Esta é a seção de Postagens e Publicações, partilhadas pelos distintos sites vinculados ao Jornal A Pátria. Para retornar a seção ou blog que estava anteriormente, basta clicar nela abaixo (ou voltar no navegador):

Ordem mundial Segundo a Ásia.


Imagem: Oliverstunkel.com, 2014.


Ordem, aplicada as relações internacionais, pode ser interpretada como um conjunto de regras e tendências de natureza geopolítica e econômica internacional, que ao contrário de pretensões estruturalistas, tem uma dinâmica, cujo os perfis tem tendências exploradas pelos agentes e transformadas em maior ou menor medida com o suceder das gerações.


Distintamente de uma visão de lei natural, atemporal de relação das nações e do conceito histórico de nação, que transforma-se no léxico semântico e psicológico dos indivíduos em diferentes contextos da história, como a palavra nação para o homem da antiguidade, medieval, moderno e contemporâneo.


O projeto mais próximo de unificação de todo um continente, o máximo possível em termos de organização planetária, foi a Europa Cristã medieval, onde Carlos Magno organizou o sistema feudal, com base em doações para os 200 nobres que o auxiliaram na contenção dos Mouros e expulsão dos visigodos da Espanha no século IX.


A unidade religiosa havia sido frustrada pela sobrevivência e difusão do protestantismo; a diversidade política era inerente à grande quantidade de unidades políticas autônomas que tinham lutado até um impasse. Foi assim que na Europa vieram a dominar, aproximadamente, as características que marcam o mundo contemporâneo: uma multiplicidade de unidades políticas, nenhuma delas poderosa o bastante para derrotar todas as outras, muitas aderindo a filosofias e práticas internas contraditórias, em busca de regras neutras que pudessem regular suas condutas e mitigar conflitos. (KISSINGER, 2015, p. 13).


A hipótese de Kissinger (2012), defendida aqui, corrobora que o papado do século IX até a reforma protestante (1517), tinha criado um sistema de organização política, baseado na suserania e vassalagem mais presente e diluído pelo continente, a nível não só político, mas comportamental.


Um conjunto geral de regras, inspiradas por uma teoria filosófica com duas referências gerais, a patrística e a escolástica tinha organizado o direito, com base na lei natural, uma vez, advinda a reforma, por motivos que fogem o debate deste artigo, criam-se uma ramificação de teocracias.


A paz vestfliana refletiu uma acomodação de ordem prática à realidade, não um insight moral excepcional. Ela se baseava num sistema de Estados independentes que renunciavam à interferência nos assuntos internos uns dos outros e limitavam as respectivas ambições por meio de um equilíbrio geral de poder. Nenhuma única verdade ou domínio universal emergiu das guerras europeias. Ao contrário, cada Estado era reconhecido como autoridade soberana em seu próprio território. (KISSINGER, 2015 p.13)


O tratado de Vestfália, além de ser um compêndio de acordos entre reis, que inauguravam o moderno direito internacional, com uma diplomacia sem interferência direta do papa, mas de um reconhecimento da soberania das nações, criou um pluralismo político.

O período posterior à reforma, foi o ensaio e amadurecimento do absolutismo, o Estado absolutista, fonte até de nacionalismos políticos de extrema-direita, a nível estrito, ao da direita da revolução francesa, conservadora e antirrevolucionária, até contra as reformas tímidas dos Girondinos, que viam no absolutismo, ou antigo regime, fonte de legitimidade.

Na extremidade oposta da massa territorial eurasiana, a China ocupava o centro de sua própria ordem hierárquica e teoricamente universal. Esse sistema funcionava havia milênios – estava de pé quanto o Império Romano dominava a Europa como uma unidade política -, tendo como base não a igualdade soberana de Estados, e sim o alcance supostamente ilimitado do poder do imperador. Nesse conceito, não existia a soberania no sentido europeu, porque o imperador mantinha sob seu domínio “Tudo sob o céu”. (KISSINGER, 2015, p.14)


Sem as condições necessárias e suficientes, a Europa viverá historicamente em um período de guerras do subcontinente, especialmente na região setentrional, com protagonismo para a Alemanha, Áustria e a França e a exploração de novas incursões aos mares navegáveis, nas proximidades do mediterrâneo e dos países bálticos pela Rússia.


Sem condições estas para unificar o continente sob uma ordem comum, em um exercício de história comparada, a União Europeia, exercício de soberania compartilhada, parece soar como algo irônico nesse continente, onde chauvinismo, orgulhos nacionais interagem dialeticamente com o mercado comum e integração das instituições.


O mandato do Céu, chinês, que não pode ser deixado de ser levado em consideração, dentro de uma estrutura de pensamento braudeliana de interação de conceitos de diferentes períodos históricos no presente, influenciados por eventos de longa, média e curta duração.


O continente europeu, nesse período já não conseguia mais ter condições de falar em ordem europeia ou mundial, o mais próximo disso era o mundo chinês; o que altera-se consideravelmente após o período vitoriano inglês que dará condições materiais à Inglaterra de ser uma potência insular, sem precedentes históricos.


No século VII o Islã havia se lançado através de três continentes numa onda sem precedentes de exaltação religiosa e expansão imperial. Depois de unificar o mundo árabe, ocupando áreas remanescentes do Império Romano e subjugando o Império Persa, o Islã veio a governar o Oriente Médio, o norte da África, grandes extensões da Ásia e partes da Europa. (IBID, 2015 p.14)


Além disso, a Europa vislumbrará um inimigo a sua altura, o islã, na condição medieval de potência teocrática, que ironicamente causa a ascensão formal da modernidade, intermediada pela destruição de Constantinopla, por esse grande herdeiro geopolítico que a findou, o Império Otomano, cujo o fim só é alcançado no fim da primeira guerra mundial, mas que deixou de herança para seus fiéis, uma região altamente perigosa e delicada geopoliticamente, fragmentada religiosa e etnicamente, criando inimigo internos.


O mais próximo que a Europa conhecerá na condição de ordem, são as guerras napoleônicas, que carregam consigo valores burgueses anti-aristocráticos das camadas mais moderadas da revolução, inspiradas numa antropologia humana, que concebia a ideia de natureza humana, de linha iluminista, que carrega consigo a responsabilidade de reformar a ordem política europeia.


Mas essa unidade é logo comprometida pela derrota napoleônica e o Congresso de Viena (1814), que objetiva reintroduzir conceitos das monarquias absolutas, numa sociedade cuja mentalidade cultural e dinâmica econômica nada tem com aquela conhecida no mercantilismo, que causará a implosão dessa mesma ordem nas revoluções de 1848.


Uma resposta a essa pergunta precisa lidar com três níveos de ordem. Ordem mundial descreve o conceito sustentado por uma região ou civilização a respeito da natureza dos arranjos considerados justos e da distribuição de poder considerada aplicável ao mundo inteiro. Uma ordem internacional é a aplicação prática desses conceitos a uma parte substancial do globo – grande o bastante para afetar a