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Para votar reforma, centrão pede cota de até R$ 10 milhões por deputado


Bolsonaro apresenta a proposta de reforma da Previdência ao Congresso | Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Depois da eleição, o ministro Paulo Guedes disse que bastaria dar uma “prensa” no Congresso para aprovar a reforma da Previdência. Se alguém no governo ainda acreditava nisso, ontem foi o dia de cair na real.


O projeto entregue por Jair Bolsonaro foi recebido com frieza. Parlamentares da bancada governista deixaram claro que vão aproveitar o momento para forçar um acerto de contas com o Planalto.


Nas palavras de um senador tucano, o presidente pensou que conseguiria tratar o Congresso como um quartel. Agora será pressionado a dividir poder, fazer concessões e reabrir o balcão de negócios.


As primeiras conversas já tratam da distribuição de cargos. As queixas nesse campo se multiplicam desde a montagem do governo, quando Bolsonaro entregou três ministérios ao DEM e esnobou siglas maiores. Nos últimos dias, aumentou a cobrança pela partilha no segundo e no terceiro escalão.


Os deputados não devem se contentar com nomeações. Para apoiar a reforma, a bancada ruralista exigirá a manutenção de subsídios que Guedes pretende extinguir. Já os partidos do centrão querem que o governo crie uma espécie de cota de gasto extra por parlamentar.


As tratativas já incluem cifras. Segundo o presidente de um partido médio, a ideia é que cada deputado novato tenha direito a indicar R$ 7,5 milhões em obras e repasses federais. Para os reeleitos, a cota seria de R$ 10 milhões. Apesar do discurso oficial contra o “toma lá, dá cá”, a Casa Civil tem indicado disposição de negociar.


O Orçamento aprovado no ano passado já reservou R$ 15 milhões a cada parlamentar em emendas individuais. No entanto, os recém-eleitos teriam que esperar até 2020 para começar a destinar verbas.


Enquanto as negociações não avançam, o fogo amigo deve se intensificar. Ao apresentar uma proposta de reforma que só atinge os servidores civis, o governo abriu um flanco a mais para as críticas.


“Sem uma reforma que alcance também os militares, o texto apresentado não deveria sequer tramitar”, disparou ontem o senador Ciro Nogueira. Ele é presidente do PP, o maior partido do centrão.



Por O Globo

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