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  • Camarada C.

Petroleiros em greve ameaçaram explodir refinaria de Cubatão em maio de 1995



“Cubatão é uma bomba. O governo faria uma loucura se resolvesse invadir a refinaria”. A declaração, em tom de ameaça, foi feita por Averaldo Menezes Almeida, presidente do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) local. Era uma resposta à ameaça de invasão da Refinaria Presidente Bernardes, na cidade paulista, pelo Exército. Em maio de 1995, a refinaria vinha sendo ocupada por cerca de 500 trabalhadores, em uma greve condenada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). Na ocasião, quatro outras refinarias nos estados de São Paulo e Paraná já haviam sido ocupadas pelos militares, com a justificativa de retomar o abastecimento da população. Com duração total de 32 dias, aquela foi a greve mais longa da categoria.


Em 10 de março de 1987, o Exército ocupou dez das 11 refinarias da Petrobras para garantir seu funcionamento diante da ameaça de greve. Na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), os petroleiros ameaçaram votar pela greve caso as instalações não fossem desocupadas até as 18h do dia seguinte. O governo alegou ter tomado a drástica medida por causa dos baixos estoques, que vinham sendo afetados pela greve nacional dos marítimos. Postos também fecharam na época, reivindicando aumento de 121% em suas margens de lucro, em uma afronta ao Conselho Nacional do Petróleo (CNP). Na capital paulista, 50% dos estabelecimentos não abriram as portas, mesmo com o risco de ter o registro cassado pelo CNP.


Na história de movimentos trabalhistas da indústria do petróleo, diferentes reivindicações fizeram parte da pauta. Em janeiro de 1962, petroleiros baianos cruzaram os braços para protestar contra a exoneração do presidente, Geonísio Barroso. Já em 1963, a categoria parou em solidariedade aos trabalhadores da refinaria privada de Capuava, pedindo que ela fosse encampada pela Petrobras. O movimento, que tomou proporções nacionais, publicou um manifesto nas páginas do GLOBO lembrando os trabalhadores daquilo que chamaram de “dia da traição”, ao se referirem à Intentona Comunista, em 1935:


“Lute, trabalhador do petróleo, pelo Monopólio Integral do Petróleo, porque essa luta não é dos comunistas, essa luta não é de traidores, essa luta não é dos ‘melancias’ e acomodados com essa pretensa ‘liderança’ comunista nos meios sindicais brasileiros”, dizia o texto, que também era distribuído na forma de panfleto em locais próximos a repartições da Petrobras.


No ocaso da ditadura, em 8 de julho de 1983, o jornal noticiou que petroleiros e metalúrgicos, duas das categorias mais organizadas do Brasil, estavam em greve. Na Refinaria de Paulínia (Replan), então a maior do país, “a adesão à greve pela estabilidade do emprego chegou a cem por cento”. No ABC paulista, os 58 mil metalúrgicos que boicotaram o trabalho afirmavam que não estavam fazendo uma greve de solidariedade aos petroleiros de Campinas, “mas uma greve em protesto contra a política econômica adotada pelo Governo”, nas palavras do então líder sindical Jair Meneghelli.


Os anos 80 viram uma nova greve nacional, passados 24 anos do movimento pela encampação pelo Estado de refinarias privadas. Dessa vez, a luta pela reposição salarial frente à hiperinflação do período fez parar o edifício-sede da Petrobrás (Edise), na Avenida Chile, Centro do Rio. A reportagem intitulada “O dia em que a sede ficou quase vazia” contava que 95% dos trabalhadores administrativos tinham aderido ao movimento. Já em 1990, a pauta era contrária ao programa de demissões que o governo Collor pretendia implementar: era previsto o corte de 13.159 postos de trabalho. O período também foi marcado por disputas entre o sindicato e o TST, que frequentemente declarava ilegais as paralisações da categoria, sob o argumento de que elas desrespeitavam o atendimento às necessidades básicas da população.


Ainda que nenhum dos últimos governos tenha apresentado projetos oficiais para vender a Petrobras, o tema encontra forte apelo entre a categoria. Em 1995, quando o Exército ocupou as refinarias, uma das reivindicações dos grevistas era que a estatal não aderisse à onda de privatizações promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso. A greve de novembro de 2015 teve pauta semelhante, mas motivada pelo temor que as descobertas da Operação Lava-Jato embasassem a venda de ativos da empresa. Mas antes que o país tivesse a real noção da extensão da crise que abateu a gigantesca estatal, outro episódio marcante: em 11 de fevereiro de 2015, protestando contra o atraso em seus salários, trabalhadores das obras de construção do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj) paralisaram uma pista da Ponte Rio-Niterói. O ato, que se estendeu por duas horas e chegou ao Centro da capital fluminense, foi feito antes que as obras do Comperj fossem excluídas do portfólio de investimentos da Petrobras até 2019.


Matéria original.

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