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Quais as intenções de Guedes e Jair em ruir a relação do Brasil com o Mercosul?

Em uma entrevista coletiva realizada segunda, o futuro ministro da Fazenda de Bolsonaro, Paulo Guedes, mostrou a que veio.

Quando perguntado por uma jornalista argentina sobre o que o novo governo esperava das relações com a Argentina e com o restante do Mercosul, o futuro ministro disse que o Mercosul não será mais prioridade para o Brasil. Guedes foi bastante grosseiro com a jornalista e afirmou que tem “um estilo que combina com o presidente”, como se falta de educação fosse algo positivo.


O motivo para deixar o bloco de lado seria, segundo o futuro ministro, que o Mercosul “só negocia com quem tiver inclinações bolivarianas”.


A Jornalista ainda lembrou que Macri, o presidente da Argentina, não tinha nenhuma relação com o bolivarianismo, mas Guedes insistiu: “o Mercosul, quando foi feito, foi totalmente ideológico, é uma prisão cognitiva”.


É bom lembrar que quando foi assinado o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, o presidente do Brasil era o Collor, aquele que foi eleito prometendo acabar com os marajás e com o perigo vermelho. Na Argentina tinha o Carlos Menem, um dos maiores neoliberais que já passou pela América Latina. O presidente do Paraguai era o Andrés Rodríguez Pedotti, militar que deu um golpe em 1989 e ficou conhecido pelas privatizações. Completava o time o Luis Alberto Lacalle, presidente uruguaio que também curtia privatizar empresas estatais.


Nada menos “bolivariano” que esse quarteto.


Ideológicas, na verdade, são as mentiras inventadas pela equipe de Bolsonaro para justificar suas escolhas. Os números do comércio exterior brasileiro mostram qual é o verdadeiro objetivo do novo governo.


A exportações para o Mercosul (incluindo tanto os membros plenos quanto os estados associados) representaram ano passado 16,2% do total das exportações brasileiras. O mais importante nesse caso, entretanto, não é o valor total das exportações, mas o que estamos exportando. Se classificarmos as exportações por intensidade tecnológica, mais da metade dos produtos vendidos pelo Brasil ao Mercosul são da indústria de média-alta tecnologia, como automóveis e produtos químicos. Os produtos não industriais representam apenas 10%.


Já nas exportações brasileiras para os demais países, os produtos não industriais representam quase metade das exportações. Em segundo lugar fica a indústria de baixa tecnologia, como produtos alimentícios, produtos têxteis, couro e celulose.


Dizer que o Mercosul vai ser substituído por outros países significa reduzir ainda mais a nossa pequena exportação de bens de alto valor agregado para se tornar cada vez mais dependente da soja e do minério de ferro.


O suposto bolivarianismo do Mercosul é só uma desculpa ideológica para justificar uma política de desindustrialização e todo o atraso que Bolsonaro representa para a economia brasileira.


Obs.:

1) Foram incluídos nas exportações para o Mercosul os seguintes países: Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador.


2) A entrevista com Paulo Guedes está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=a5p8BUHKbu8


3) Os dados de exportações foram tirados de https://exportacoes.fee.tche.br


Movimento Economia Pró-Gente

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