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Seja o burguês "bom", ou não, sua condição lhe impele a viver em função da exploração do trabalho

Atualizado: 19 de Dez de 2019

(Fragmento de 1845 selecionado por Bruno Torres, em 15 de fevereiro de 2018).

Pequeno fragmento de Friedrich Engels, da obra ‘Situação da Classe Operária na Inglaterra’, de 1845, retirada especialmente do capítulo “A atitude da burguesia perante o proletariado”.


Texto a seguir:


Nunca vi uma classe tão profundamente imoral, tão incuravelmente corrupta e interiormente minada de egoísmo, tão incapaz do mínimo progresso, como a burguesia inglesa (…). Para ela só o dinheiro conta no mundo, vive exclusivamente para ganhar dinheiro. A única felicidade que conhece é a de fazer uma fortuna rápida, e o único sofrimento o de perder dinheiro.


Com uma tal inclinação à rapinagem e uma tal avidez é impossível que exista um sentimento ou uma ideia humana que não sejam sujos. É verdade que estes burgueses ingleses são bons esposos e bons chefes de família, possuem também todas as espécies de belas virtudes, como se costuma dizer, e nas suas relações da vida corrente parecem tão respeitáveis e corretos como todos os outros burgueses. Mesmo nos negócios é preferível falar com eles do que com os alemães: não pechincham nem enganam tanto como os nossos merceeiros, mas que importa tudo isso? Em última análise, o único fator decisivo permanece o interesse privado e especialmente a vontade de ganhar dinheiro.


Fui um dia a Manchester com um desses burgueses e discuti com ele a construção deplorável e insalubre, o estado inacreditável dos bairros operários, e disse-lhe nunca ter visto uma cidade tão mal construída. O homem ouviu-me calmamente até ao fim e a esquina da rua onde nos separa-mos, declarou, antes de se despedir: “And yet, there is a great deal of money made here” (e apesar disso, ganha-se aqui muitíssimo dinheiro).


O burguês não quer saber para nada se os seus operários morrem ou não de fome, desde que ganhe dinheiro. Todas as condições de vida são avaliadas em função do lucro, e tudo aquilo que não dê dinheiro é idiota, irrealizável, utópico.


É por isso que a economia política, ciência que estuda os meios de ganhar dinheiro, é a ciência preferida destes judeus usurários.


(ENGELS, Friedrich. Situação da Classe Operária Inglesa, 1845).


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