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Somos obrigados a ouvir que Engels deturpou Marx: os marxólogos VS a realidade

Atualizado: 19 de Dez de 2019

(Bruno Torres, 3 de abril de 2017).

Agora somos obrigados a ver marxólogos ‘marxianos’ – ou seriam “marcianos” – dizer que Engels deturpou o marxismo!


A “polêmica”? Segundo a concepção de alguns, Marx não compreenderia a dialética “movimento incessante”, mas apenas como um “método expositivo”.


Dialética para Marx, seria supostamente apenas um método expositivo para analisar a sociedade. Enquanto que o “malvado” do Engels teria “deturpado” Marx a ponto de alegar que dialética seria a “lei de desenvolvimento”, o princípio do “movimento incessante com base nas contradições”.


Parece que há uma resistência por parte de certos “marxistas” em observar como os fundamentos básicos do empreendimento filosófico do marxismo se fazem presentes até mesmo em outros campos de estudo da ciência, tal como o mundo natural.


Ora, não foi Engels, mas sim o próprio Marx quem disse “a Origem das Espécies, ainda que esteja escrito à maneira inglesa ‘crua’ de apresentação, no campo da história natural, proporciona as bases para nosso ponto vista”.


Ora, pois, ele não se limita a esta declaração anterior, como também afirma que “a obra de Darwin é de uma grande importância para nós, e serve ao meu propósito, uma vez que proporciona bases (Nota: filosófica, filosofia da ciência, etc.) nas ciências naturais, para a história da luta de classes”;


Apesar de Marx não ter se voltado tanto a certos campos de análise (afinal, ele também não poderia tratar sobre “tudo”), as análises que Engels realizou nestes outros campos (como podemos ver Engels em “origem da família”, “dialética da natureza”, “o papel do trabalho na transformação do ‘macaco’ em homem”, etc.) não entram em momento algum em contradição com o marxismo.


Engels, a propósito, foi co-autor de inúmeros escritos com Marx. O próprio termo “marxismo”, apesar de ter se convencionado assim, não é nada mais do que um sinônimo das contribuições teóricas e metodológicas de Marx & Engels, e não apenas de Marx.


Ainda que Engels tenha tratado com maior atenção aspectos da antropologia “evolucionista” e das ciências naturais em geral, se comparado com Marx, o que Engels trata, por exemplo, no Anti-Dühring, faz parte do arcabouço teórico marxista tanto quanto outra obra de Marx.


O problema aqui é muito mais político do que teórico.


As pessoas que assim o fazem, defendem que o “socialismo real” é uma deturpação. Ora, é o caminho sinuoso pelo qual já conhecemos. Temos o “Stálin deturpou o leninismo”, o “Lênin deturpou o marxismo”, e agora o novo “Engels deturpou Marx”.


Estes senhores, talvez por quererem parecer mais importantes do que realmente o são, “mais sábios e perspicazes que o próprio Engels” (talvez achem) não percebem no limbo em que estão caindo.


Segundo eles, Engels deturpou Marx, ou mesmo não conseguiu interpretar corretamente as concepções teóricas de seu amigo e camarada. Em contraposição, logo, obviamente eles são os que verdadeiramente conseguem “interpretar Marx de forma correta”.


O problema está em observar o princípio do movimento incessante no mundo natural e material, e não apenas como um “método expositivo sociológico”? É este o problema?


O problema esta em acreditar que Engels deturpa a concepção ontológica do pensamento de Marx ao percebê-la que ela existe também no mundo natural? É este o problema, senhores marxólogos?


Estes senhores deveriam lembrar que o fato de Karl Marx exaltar a publicação da obra “A Origem das Espécies”, por exemplo – apesar de realizar ressalvas sobre a forma “crua”, a “maneira inglesa” – o faz justamente porque ela provava sua concepção ontológica, também, no mundo natural!


A descoberta “recente” do átomo e a sua composição subatômica negativa/positiva, é outro fator que prova o princípio da contradição. As mais recentes descobertas sobre a física quântica que tratam sobre o comportamento “estar/não estar” (“ser & não ser”) de determinados elementos que se comportam enquanto partícula e enquanto onda simultaneamente, são outros elementos que provam o empreendimento filosófico marxista, sobretudo se nos debruçarmos Anti-Dühring (o “compêndio” do marxismo).


Se Engels se aprofundou em tal tema e Marx não, está não é a questão. O fato de Marx tratar pouco ou com pouca profundidade de certos aspectos das ciências naturais, enquanto o seu amigo inglês se aprofundou na filosofia da ciência, no mundo natural, mais do que ele, não torna tais contribuições “menos marxismo”, menos provada, nem menos real.


O “movimento incessante”, a “contradição”, a “negação da negação”, se faz presente em todos estes campos. Darwin nos trouxe isso (e quem o admite é o próprio Marx), as descobertas da química, física, termodinâmica (estas dos quais Engels aborda melhor), e até a mecânica quântica, tem nos provado isso.


Os marxólogos, pretensos “marxistas”, têm que fazer muito mais além de atacar Lênin, Engels e outros teóricos. Para provar seu ponto de vista, eles precisam atacar o próprio mundo natural e material. Eles tem de atacar a própria realidade.


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