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Vale do Silício usa segredo comercial para esconder racismo

Atualizado: 23 de Ago de 2019


NOVA YORK  -  Diversidade e inclusão são palavras repetidas com tanta frequência que praticamente viraram mantras corporativos nos EUA. Dificilmente passa um dia sem que algum CEO exalte as virtudes de um ambiente de trabalho mais diversificado e inclusivo.

Mas na hora de mostrar seu progresso para o mundo ver, alguns dos maiores nomes do Vale do Silício recorrem a uma nova defesa legal: afirmam que o assunto é segredo comercial.


Cada vez mais, empresas como Oracle e Palantir Technologies argumentam que os dados detalhados exigidos pelo governo sobre o número de mulheres e não-brancos que empregam devem ser confidenciais. Divulgá-los, afirmam, equivaleria a entregar sua tecnologia proprietária e dar aos concorrentes um "roteiro" para que roubem seus talentos.


Portanto, embora as empresas de tecnologia muitas vezes publiquem voluntariamente informações sobre suas estratégias para a diversidade, essa tática lhes permite desfrutar dos melhores aspectos das duas abordagens, segundo Jamillah Bowman Williams, da Universidade de Georgetown, que estuda a tendência no setor da tecnologia para um artigo futuro. E com as críticas maiores à cultura machista e à falta de representação das minorias no Vale do Silício, a alegação de que os números são um ativo valioso demais para ser compartilhado permite que as empresas mantenham a diversidade apenas no discurso, com pouca ou nenhuma prestação de contas.


"Isto é quase como a defesa extrema do argumento comercial da diversidade", diz Williams, professora associada do Centro de Direito da Universidade de Georgetown, em entrevista. Ela escreve que, ao impedir a divulgação desses números, "as empresas podem usar essa tática para ocultar disparidades de gênero e de raça e interferir no avanço da lei em prol dos direitos civis e da igualdade no ambiente de trabalho"


Mudar o status quo nunca foi fácil. Um leque crescente de pesquisas mostra que a diversidade de perspectivas gera benefícios tangíveis para as empresas que a apoiam, mas apenas 5% das companhias do S&P 500 têm negros e mulheres como CEOs, proporção que caiu nos últimos anos. Soma-se a isso o fato de que quase três quartos dos líderes corporativos escolhem "protegidos" do mesmo gênero ou raça. No mês passado, o Departamento do Trabalho dos EUA acusou a Oracle de oferecer US$ 400 milhões menos a mulheres e trabalhadores pertencentes a minorias, pagando salários menores e direcionando-os a cargos de níveis mais baixos. (A Oracle preferiu não comentar o assunto).


As empresas de tecnologia, por sua vez, muitas vezes jogam a culpa no problema da escassez de mão de obra. Ou seja, as empresas afirmam que adorariam contratar mais mulheres e não-brancos se existissem suficientes candidatos qualificados. Os números, no entanto, não batem. De 2014 a 2015, os estudantes negros que se formaram em bacharelados de ciência, tecnologia, engenharia e matemática representaram 7,1% dos graduados nesses campos, segundo o Departamento da Educação dos EUA. Mas no Vale do Silício os funcionários negros representam menos da metade dessa proporção.


"Se realmente estivessem preocupadas com a equidade e a diversidade a longo prazo, não apenas em sua empresa, mas no setor e na sociedade como um todo", diz Williams, "seria de se esperar que [as empresas] tivessem um diálogo mais amplo a respeito."




Por Bloomberg

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