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Vale precisa ser reprivatizada, diz secretário de desestatização


BRASÍLIA  -  (atualizada às 14h35) O secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar, disse que o modelo de privatização da Vale tem equívocos e precisar ser refeito.


"Nós estamos aqui pra reprivatizar a Vale", disse, durante palestra em seminário promovido pela revista "Voto", em Brasília. Para ele, a mineradora não foi privatizada de fato, uma vez que é controlada por fundos de pensão ligados a empresas estatais. Ele defendeu que haja uma reflexão sobre esse aspecto.


Por outro lado, o secretário criticou a forma como a Samarco e a Vale foram "demonizadas" após as tragédias registradas em Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. Mattar disse ter ficado horrorizado com a forma como a Samarco foi "destruída".


"Não se gosta de empresas, de capital, de lucro, esquecem que quem gera riqueza e lucro é a empresa. Então, demonizaram a Samarco", afirmou. Mattar disse que na época do desastre em Mariana foi o único a defender a companhia e, da mesma forma, disse ser a primeira voz neste governo a defender a Vale.


"A Vale é uma companhia espetacular, geradora de riqueza e empregos", disse citando que a empresa perdeu bilhões de reais em valor de capital após o rompimento da barragem em Brumadinho. De acordo com o secretário, o atual governo sabe que a geração de empregos é fundamental e vem da iniciativa privada. 


"Deveríamos emocionalmente separar aquilo que é da empresa, a indenização material de vida, de reconstrução do meio ambiente, do CPF dos responsáveis daquilo que aconteceu", afirmou. 


"A Vale é uma fantástica companhia, segunda maior mineradora do mundo, estava prestes a se transformar na número um. Listada na bolsa no Brasil e em Nova York. Aconteceu um desastre e aí veio à tona muita coisa", disse.


Mattar considera natural que, num período de tempo, de cerca de três anos, as ações da companhia sejam vendidas pelos fundos. Porém, ele afirmou que a venda das ações da companhia pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, não acontecerá agora e pode demorar um, dois ou três anos.

"Não há horizonte para vendas de ações da Vale. É preciso descobrir o melhor timing para a venda", disse. O secretário disse que essa orientação sobre os fundos e a venda de ações se aplica apenas à Vale, não a outras estatais.


Críticas a Lewandowski


Mattar afirmou também que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski está retendo a privatização das subsidiárias da Petrobras.

O ministro é relator de diversas ações sobre concessões à iniciativa privada. Em junho, decisão liminar (provisória) de Lewandowski proibiu o governo de privatizar estatais sem o aval do Congresso.


Mattar voltou a afirmar que a Petrobras, Caixa Econômica e Banco do Brasil não serão privatizadas, e sim remodeladas. Citou ainda a meta do ministro da Economia, Paulo Guedes, de vender US$ 20 bilhões em estatais neste ano.




Por Valor Econômico

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