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Videla, o ditador que queimava bibliotecas



A morte do general Jorge Rafael Videla salvou o ex-ditador de ser julgado por “genocídio cultural”, uma nova figura jurídica que debutaria no julgamento que transcorreria na cidade de Rosário, província de Santa Fe.


Videla, de 87 anos,condenado em 2010 à prisão perpétua por torturas, sequestros e assassinatos durante a ditadura militar (1976-83), também estava sendo acusado de ser o responsável pelo saque e queima dos 80 mil livros da Biblioteca Popular Constancio Vigil no dia 25 de agosto de 1977 em Rosario.


Grande parte dos livros dessa biblioteca – que valeria hoje US$ 40 milhões – foram queimados por serem considerados “subversivos” pelos militares. Outra parte foi roubada e revendida pelos oficiais. O caso desta biblioteca também foi enquadrada na área de delitos econômicos da ditadura. “O ataque foi pensado e planejado para destruir a obra educativa e cultural, e atrás disso estava também a intenção de negociatas”, afirmou o promotor Gonzalo Stara.


O julgamento estava marcado para meados neste ano, embora não tenha uma data definida, segundo fontes da Assembleia Permamente de Direitos Humanos de Rosario. Outros envolvidos no caso da destruição da biblioteca serão levados ao banco dos réus.

O ex-ditador, além de piromaníaco, foi uma espécie de serial killer com cargo presidencial. Protagonista do golpe que em março de 1976 implantou a ditadura militar mais sanguinária da História da América do Sul, seu regime teve um saldo de 30 mil civis assassinados nos centros clandestinos de detenção. A ditadura também sequestrou 500 bebês, dos quais somente 108 recuperaram sua identidade até hoje.


A ditadura protagonizou várias incinerações de livros em diversas cidades do país. O general Luciano Benjamin Menédez – com a autorização de Videla – transformou-se em um dos principais protagonistas das queimas, para as quais organizava solenidades que presidia e que imitavam as queimas de livros feitas pela Inquisição e o nazismo.

“Da mesma forma como destruímos pelo fogo a documentação perniciosa que afeta o intelecto e nossa maneira cristã de ser, serão destruídos os inimigos da alma argentina”, disse Menéndez em abril de 1976.

Em junho de 1980 a ditadura queimou 24 toneladas de livros confiscados do Centro Editor América Latina.


Na lista de autores suspeitos dos militares estavam escritores como Gabriel García Márquez, passando por Julio Cortázar, Sigmund Freud e até Marcel Proust.


O regime proibiu o ensino da teoria matemática dos conjuntos, por considerar que era “subversiva”. A palavra “vetor” também foi proibida nas escolas, já que os militares consideravam que era utilizada na terminologia marxista.


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