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Violência na República Democrática do Congo tem relação com o Ocidente

Atualizado: 23 de Ago de 2019

Ao menos 30 pessoas morreram na madrugada de 12 para 13 de março em várias localidades Ituri, nordeste da República Democrática do Congo (RDC), cenário de uma nova explosão de violência étnica, informaram várias fontes.

"Registramos 30 mortes. Com certeza há outros corpos nos arbustos. As buscas prosseguem", afirmou à AFP uma fonte do governo de Ituri que pediu anonimato.

Kambale Musavuli, uma das principais vozes políticas e culturais do país, disse à Radio Sputnik no mês passado que a violência está sendo impulsionada pela competição por minerais e recursos, arrebatados pelas potências ocidentais para fabricar itens de tecnologia. 

"Nós temos uma crise política no momento. Muitos americanos não sabem que os minerais, como o cobalto, são usados para fazer seus dispositivos tecnológicos, baterias de celulares e carros, predominantemente provenientes do Congo. Na verdade, o Congo é o produtor número um de cobalto no mundo de hoje", disse o o porta-voz nacional da organização Amigos do Congo, Kambale Musavuli em entrevista à Rádio Sputnik.

A violência renovada entre os grupos étnicos Hutu, Nande e Hundu ao norte do Congo é motivada pelo desejo de controlar as terras ricas em minerais.

"Registramos a morte de 16 civis e sete milicianos neste domingo", declarou à agência francesa AFP, Francois Bakundakabo, assessor do governador da província.

Os Hundu consideram que os hutus congoleses são invasores que apoiam os rebeldes hutus na vizinho Ruanda.

"A situação atual está ligada à história direta da interferência ocidental, particularmente dos EUA", disse Musavuli. "A questão central é quem vai controlar os recursos do Congo. Os recursos são escoados, mas os povos congoleses permanecem no fundo do índice de desenvolvimento humano à medida o nosso país está sendo roubado". Cenário político conturbado

A violência no país também aumentou quando manifestantes protestaram contra o esticamento do mandato do presidente Joseph Kabila. De acordo com as Nações Unidas, 47 pessoas ficaram feridas no domingo com protestos anti-Kabila, enquanto mais de 100 pessoas foram presas à medida que as forças de segurança congolesas reprimiam os protestos.

Kabila é presidente da República Democrática do Congo desde que assumiu o cargo após o assassinato de seu pai, o ex-mandatário Laurent-Desire Kabila, em 2001.

Em 2006, as Nações Unidas negociaram uma eleição democrática no país e Kabila foi eleito para um mandato de cinco anos como presidente, vencendo posteriormente a reeleição em dezembro de 2011. Seu segundo mandato expirou em 2016. De acordo com a legislação do país, Kabila não pode permanecer no cargo para o seu terceiro mandato, mas a comissão eleitoral do país ainda não convocou as eleições para determinar o sucessor, permitindo-lhe atuar como presidente. A oposição afirma que as autoridades estão adiando intencionalmente as eleições presidenciais para permitir que Kabila permaneça no poder.


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